Análise: Atelier Meruru The Apprentice of Arlan

Muitos falaram da morte dos jRPGs nesta geração, por um lado por haver poucos lançamentos do género no inicio e pela falta de qualidade de alguns títulos muito esperados. Final Fantasy XIII por exemplo dividiu muito os jogadores, havendo muitos que gostaram das inovações e outros que odiaram. Até não podemos deixar de concordar com a quebra de popularidade dos jRPGs, até porque esta geração tem sido completamente dominada por grandes títulos ocidentais como Skyrim e a popularidade de combates por turnos tem caído, sendo considerada agora uma mecânica arcaica quando comparada com RPGs com maior componente de acção. Por estes lados jogos com alta componente de história, especialmente se exigir longas sessões de leitura, nunca foram muito populares, razão pela qual algumas das propostas mais interessantes no Japão nunca sejam lançadas na Europa. Atelier Meruru é tudo aquilo que nos viemos a habituar neste género, o combate por turnos, longos diálogos, um mundo de fantasia e personagens e cenários fortemente inspirados no estilo anime.

Atelier Meruru: The Apprentice of Arland é o décimo terceiro jogo da série Atelier e o terceiro e ultimo da trilogia de Arland. Se não jogaram os outros dois não há grande problema pois foi feito um bom trabalho para introduzir os novos jogadores e para criar uma história não muito influenciada pelos jogos anteriores. Há ainda um “prologue” para ficarem a conhecer um pouco a história dos outros dois jogos da trilogia.

A história de Atelier Meruru segue tal como o nome indica a princesa Meruru, princesa de Arls, um pequeno reino no norte de Arland. Além de ser princesa, Meruru é também aprendiz de Totori, a personagem principal do Atelier anterior, e tem que usar a alquimia para melhorar o seu pequeno reino. Não querendo dar muito pormenores sobre a história direi apenas que Rorona também estará presente. Há um vasto leque de novas personagens interessantes das quais é fácil gostar, espalhadas por um mundo colorido que nos cativa e apaixona com a sua simplicidade e bom humor.

Em termos de grafismo Atelier Meruru consegue aproximar-se bastante do visual de um anime, com um grafismo em cellshading bastante próximo do normal da animação japonesa. Apesar de ainda se notar que é um jogo, a barreira entre anime e jogo está cada vez mais fina e mais cedo ou mais tarde acabará por ser quebrada e Atelier Meruru é mais uma prova neste sentido. Não há muitas cutscenes presentes, sendo que a grande parte é feita com o próprio engine do jogo e o resto da história é contacta com texto e imagens estáticas, com vozes na integra em inglês pelo que se o vosso inglês for bom não terão necessidade de ler, até porque os actores responsáveis pelas vozes fizeram um trabalho notável. Tal como já dei a entender no inicio desta análise, Atelier Meruru tem uma forte componente de história e doses imensas de leitura. Se não gostam destes elementos num jogo estão a olhar para o lado errado. Pessoalmente aprecio uma boa história, desde que os restantes aspectos do jogo me mantenham o interesse em saber mais. Como princesa o nosso povo procura em Meruru a resposta para os seus problemas, assim é com visitas à taberna que podemos aceitar estes pedidos e mostrar os resultados. Estes pedidos são as quests, no entanto estas não fazem parte da história, sendo a “main quest” dada no castelo e tem como objectivo principal aumentar a população do nosso pequeno reino. Um medidor da população está sempre presente, tal como um medidor da nossa popularidade que deve ser boa para podermos melhorar o reino. Por muito boa que uma história seja, se a jogabilidade tornar a experiência impossível de ser apreciada não há grandes hipóteses que o jogador mantenha o interesse.

Felizmente Atelier Meruru consegue manter o jogador interessado, oferecendo uma jogabilidade interessante, num mundo apelativo, cativando-nos de várias formas. O combate é rápido, não havendo muitas batalhas que demorem eternidades e é também bastante acessível, com habilidades e itens fáceis de utilizar sem grande curva de aprendizagem mas não é linear o suficiente para que baste carregar X até acabar. Meruru não dá apenas nome ao jogo, além de personagem principal na história é também personagem principal no combate, sendo possível utilizar as outras duas personagens presentes no combate para a defender, pois como princesa a sua sobrevivência é crucial. Mantendo o combate desafiante rapidamente notamos a necessidade e importância de um dos aspectos fundamentais desta trilogia, a alquimia.

A alquimia não é um elemento apenas presente na história de Atelier Meruru, é uma parte fundamental da sua essência, estratégia de combate e jogabilidade. Ao contrário de outros RPGs onde a “tralha” que apanhamos poucas vezes tem utilidade e acabamos por vender na loja ou trocar por itens em coleccionadores, aqui toda esta “tralha” é útil para a criação de itens que Meruru pode utilizar, sendo apenas ela a poder fazê-lo. Durante a nossa aventura vamos aprendendo novas receitas que criam itens para todo o propósito possível. Desde explosivos a tartes com poderes curativos há uma gama imensa de itens que Meruru pode sintetizar.

A alquimia é onde irão passar algum tempo, desde a coleccionar os ingredientes até à criação dos itens que querem são alguns passos que demoram tempo mas bastante recompensadores, pois algumas receitas serão a vossa grande fonte de dano, tornando Meruru uma personagem bastante poderosa. A recolha é uma das fases a que se irão habituar nas zonas de combate. Com um inventario limitado terão de começar a descobrir o que é ou não importante. Apesar de o armário que têm na zona de trabalho ser enorme, o inventário é pequeno e gastam tempo a voltar atrás para armazenar os itens. Além disso abandonar uma área faz com que todos os monstros façam “respawn”, o que pode obrigar a recomeçar uma quest.

Pessoalmente adorei Atelier Meruru e os dez finais possíveis são um grande atractivo para eu voltar a Arland nos próximos tempos. É muito fácil gostar do mundo de Meruru e de adorar as personagens que o povoam. O combate não é muito profundo mas usar os poderosos itens que nos deram tanto trabalho para sintetizar é um elemento apenas presente nesta trilogia e que adiciona uma nova dimensão ao combate, uma fase de preparação digamos que é bastante gratificante e faz de Atelier Meruru originalmente e tecnicamente brilhante tanto pelas suas mecânicas como pela sua história e grafismo.

 

Tiago Roque

Leave A Comment