Análise Brave The Video Game

O papel de converter uma licença para um jogo é normalmente uma tarefa ingrata, especialmente quando se tratam de licenças de filmes. É muito raro encontrarmos uma adaptação que consigo olhar olhos nos olhos os restantes jogos. Isto deve-se a vários factores, normalmente os tempos de produção muito curtos e a pressão de ter que lançar o jogo na mesma altura do filme e a pouca liberdade criativa que os estúdios podem ter.

Assim o normal é o aparecimento de jogos bastante simples que seguem de uma forma muito linear os acontecimentos dos filmes e com as suas componentes bastante pobres, seja a nível do gameplay ou visual. Brave encontra-se nesta categoria, apesar de poder proporcionar um ou dois momentos de curta diversão é um jogo que é a própria definição de mediocridade.

O jogo de Brave não segue a história do filme, sendo uma espécie de companheiro do filme. Aqui a heroína e princesa Merida tem que livrar a floresta do malvado urso Mordu, contando apenas com o seu arco e uma espada e com a ajuda da sua mãe e pequenos irmãos, que foram transformados em ursos por um erro de Merida.

O grafismo é pobre, não irão encontrar uma floresta cheia de vida e  paisagens vibrantes. As animações são simples e tudo piora quando começamos a reparar na fraca diversidade dos cenários. Do inicio ao fim do jogo irão passar pela mesma floresta e região gelada uma infinidade de vezes. Pelo menos os jogadores da Xbox 360 podem contar com um grafismo um pouco melhor do que na PS3, algo a que estes jogadores já se vieram a habituar nos títulos multiplataforma.

Há pequenas diferenças subtis mas no fundo há um cenário de floresta no qual se passam todos os níveis. Estes nível também não minimamente diversificados, não existem objetivos originais ou sequer diferentes entre cada um dos níveis. Cada um segue a sequencia de plataformas, combate, plataformas até chegar ao fim. O combate é normalmente pouco intenso com poucos inimigos até chegarmos perto de umas rochas onde depois de eliminarmos todos os inimigos podemos usar para comprar melhoramentos para Merida.

Alguns dos combates mais intensos ficam ao cargo da mãe de Merida. Nestas alturas o jogo assume-se mais como brawler em que cada tecla é um ataque diferente, em vez de usarem o analógico direito para apontar e disparar setas. Apesar de existirem mais inimigos que o normal, estas zonas são ainda mais fáceis do que o resto do jogo, primeiro porque a mãe de Merida consegue eliminar praticamente todos os inimigos com um ataque e depois porque os inimigos largam bastantes poções durante o combate.

Nota-se que houve algum esforço para dar alguma profundidade a Brave, nada de muito profundo mas pelo menos existe algo mais que apontar e disparar. Enquanto vão destruindo todos os perigos da floresta vão apanhando moedas que podem usar depois para melhorar as capacidades de Merida.

Os primeiros níveis servem também para nos habituarmos à mecânica de “charms” , onde em cada um dos primeiros quatro níveis vamos recolhendo um dos quatro “charms”, floresta, fogo, vento e gelo. Além da sua utilidade contra um tipo de inimigo esterespecífico, um golem de gelo é vulnerável a ataques de fogo por exemplo, é ainda necessário utilizar os ataques certos para aceder a certas plataformas no mapa, como por exemplo usar flechas de gelo para congelar partes de um rio para o podermos atravessar.

Por esta altura já devem estar a ver as pequenas falhas de Brave, que quando são todas somadas já fazem deste um jogo medíocre, no entanto há ainda mais falhas. Não há como negar que Brave The Video Game é um jogo para um publico bastante jovem. Tem mecânicas simples demais para maior parte o achar interessante. A jogabilidade é divertida mas sem desafio não é interessante para grande parte dos jogadores.

A dificuldade é praticamente inexistente, se caírem de um penhasco por exemplo não irão para o checkpoint anterior, irão ser repostos exatamente ao lado do sitio onde caíram perdendo apenas um pouco de vida. Tudo isto mostra que de Brave é um jogo feito a pensar num publico muito jovem, no entanto comete uma falha crucial ao não ser dobrado. Quando todos os jogos começam a ser lançados localizados para o território português é difícil de perceber o porquê deste não o ser, especialmente quando tem como publico alvo jogadores que não têm grandes conhecimentos de línguas estrangeiras.

Além do curto modo estória existe um pequeno modo de tiro ao alvo que no caso da PS3 utiliza o Move e na Xbox  360 o Kinect. Este modo consegue ser ainda inferior ao resto do jogo, recheado de problemas difíceis de compreender. Na PS3 por exemplo para disparar é preciso fazer o movimento de retirar uma flecha primeiro, o que até aqui tudo bem, o problema é que para utilizar os menus é necessário fazer exatamente o mesmo movimento. No Kinect estes problemas mantêm-se e a navegação dos menus torna-se difícil com a mira a saltar no ecrã, tendo ainda como desvantagem o facto de termos que estar de pé, pois a posição das pernas é importante. O funcionamento é o tradicional, apontam com uma mão e disparam com outra, no entanto esta simples jogabilidade não funciona como deveria e a mira salta demasiado para que a experiência seja boa.

Além disso o modo resume-se a uma mira no meio do ecrã e alguns alvos, não existindo sequer uma vista na terceira pessoa como no resto do jogo. É difícil de caracterizar esta parte do jogo sem ser como simplesmente pobre e parece ter sido adicionada meio à pressa como um extra pouco pensado. Apesar de o jogo vir marcado como “Better with Kinect” a verdade é que apenas este pequeno e pobre modo de jogo é compatível com o sensor.

No fundo Brave não é um mau jogo, apesar do grafismo pobre, o combate é divertido e a mecânica de “charms” e os upgrades dão-lhe alguma profundidade. No entanto apesar de não fazer nada de realmente mal, também não é bom em praticamente nada, é um jogo sem alma que irá ser divertido para crianças e pouco mais. Se possuírem as PS3 e Xbox 360 é uma escolha um pouco difícil uma vez que apesar do melhor grafismo na Xbox, o modo secundário funciona melhor com o Move, no entanto este modo de jogo é bastante pobre.

Pontuação: 6/10

Minimum WINDOWS System Requirements

* OS: Windows XP SP3, Vista or Windows 7
* CPU: Intel Pentium 4 or AMD Athlon 64 3500+ 3 GHz
* RAM: 2 GB
* HDD: 3 GB free disk space
* Graphics: 256 MB Graphics Memory with Shaders 3.0
* Sound Card: DirectX 9 Compatible
* DirectX: Version 9

Supported Graphics Cards:
NVIDIA Geforce 8400 or ATI Radeon 2900 or higher
Onboard (built-in) integrated chipsets are not supported

Minimum MAC System Requirements

OS: Mac OS X 10.6.8 Snow Leopard or higher
CPU: Intel Core 2 Duo Processor
Hard Disk: 2.5 GB Hard Disk space
RAM: 2GB+ RAM
Video Card: AMD HD2600 / Nvidia 9600GT / Intel HD3000 with at least 256 MB VRAM or higher. Other Intel integrated chips not supported.

This game will not run on PowerPC (G3/G4/G5) based Mac systems (PowerMac)

Tiago Roque

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