Análise Dead Space 3

Os jogos de terror têm perdido a popularidade nos últimos anos. Aparentemente os jogadores já não querem ser assustados, mas Dead Space contra todas as sentencias tornou-se uma série bastante importante. Dead Space tornou-se uma das melhores licenças da EA e uma das melhores novas IPs desta geração, assim como uma das minhas favoritas. A Visceral Games fez um trabalho impecável em revigorar um género que estava moribundo depois de jogos como Resident Evil terem passado a focar a acção e não o terror. Dead Space 2 foi construído sobre as ideias criativas originais, adicionando novos locais interessantes e inimigos. O terceiro jogo tem o maior orçamento da série, dando aos jogadores um pacote mais completo no geral, mas alguns fãs podem ficar com a ideia que Dead Space 3 fugiu demasiado da premissa original da série.

A acção tem um destaque maior e Dead Space 3 não é tão assustador como os capítulos anteriores, mas continua a ser o jogo de acção mais assustador desta geração. Outros jogos podem ser muito mais assustadores, mas a falta de acção pode desmotivar alguns jogadores. Dead Space consegue neste capitulo encontrar um equilibro próximo da perfeição que valoriza a acção mas consegue continuar super assustador. A história tal como nos jogos anteriores segue Isaac Clarke e as suas aventuras de sobrevivência contra os Necromorphs, Unitologists e outros. A ficção em torno da série Dead Space tem sido sempre mais interessante do que as narrativas encontradas dentro dos jogos e Dead Space 3 continua essa tradição, com Isaac de volta com sua ex-namorada Ellie a viajar para um planeta gelado remoto e de alguma forma colocar um fim aos Marcadores de uma vez por todas.

A ficção é ainda mais fantástica que o terror. Se o terror não vos fascinou nos primeiros jogos então a ficção irá fazê-lo. É dos jogos que consegue replicar um universo Sci-Fi melhor, conseguindo deixar o fantástico terror para segundo plano. Há uma infinidade de novos personagens, nenhum dos quais se destaca o suficiente e o diálogo perde o interesse bastante cedo.

O jogo contem 19 capítulos e bastantes momentos de puro brilhantismo, misturados com os tradicionais corredores estreitos com os tons escuros habituais que nos arrepiam a espinha. É uma viagem irregular e isso é o que prejudica mais o seu resultado final, com momentos fantásticos que são duramente justapostos com momentos banais que resultam numa expressão de “meh”. Grande parte da experiência não fica à altura das fantásticas caminhadas espaciais, ou os momentos iniciais do planeta congelado que marca a primeira parte do jogo. Além dos 19 capítulos, há missões paralelas que podem optar por fazer ao longo do caminho. Nem todos elas são óbvias, por isso é bom a Visceral ter deixado uma opção para voltar para qualquer capítulo após a sua conclusão. Não são obrigatórias mas   dão-nos mais algumas horas para desfrutar de Dead Space 3, sendo que este por si só não é um jogo curto.

Um jogo normal demorará 15 a 20 horas, dependendo da vossa facilidade de passar o jogo sem perder tempo e somem umas adicionais três a cinco horas para a parte cooperativa do jogo que veio substituir a componente competitiva. Retirar o modo competitivo online a favor do co-op foi uma grande jogada por parte da Visceral, e que irá premiar os jogadores que participarem neste tipo de jogos, pois irão sem duvida ter uma experiência muito melhor. A questão é, será que a tensão da campanha singleplayer se mantém no co-op? É verdade que a ansiedade parece ser menor no início, mas foi feito um grande trabalho de escalar o jogo quando um segundo jogador entra à mistura. Há ramificações nas missões que não estão disponíveis quando jogam a solo, e estas dão lugar a algumas das melhores peças da história. Há novo diálogo também adicionado, com John Carver, o parceiro de Isaac que com um passado negro trás uma nova dimensão à narrativa, e descobrir esse passado vale perfeitamente o tempo e o esforço que passam no modo co-op. Infelizmente, têm que fazer isso com outro jogador e só dessa forma têm acesso a toda esta parte do jogo, mas isso só é um problema se realmente não tiverem com quem jogar.

A Atmosfera permanece o ponto mais forte de Dead Space 3, e continua a ser acompanhada por uma série de variáveis. Para começar, há um conjunto de peças que são genuinamente interessantes. Provavelmente a parte com maior impacto, porém, é o design de som.  Sempre achei que um filme ou jogo era tão assustador quanto o som o deixava ser. Por alguma razão ver um filme de terror sem som corta a tensão por mais de metade. O som em Dead Space e é cheio de tensão. Composto por Jason Graves e James Hannigan, os efeitos de som são angustiantes e ajudam a marcar a atmosfera de terror espacial de Dead Space. Os gritos vindos dos Necromorphs são no mínimo medonhos e são uma das principais razões para que Dead Space 3 seja um dos jogos mais assustadores desta geração. combate continua a ser bastante bom, apesar de algumas inovações na minha opinião prejudicarem mais o jogo do que ajudam. Na superfície, este é um shooter na terceira pessoa, agora completo com um sistema de cobertura.

Isaac agora pode agachar-se atrás de objectos e tem uma infinidade de armas à mão com que pode destruir inimigos membro a membro, literalmente. As mecânicas de “cover shooter”  não eram necessárias em Dead Space e pessoalmente gostava mais da jogabilidade dos antigos, mas por outro lado conheço quem tenha gostado da transição, portanto penso que seja uma questão de gosto pessoal. Isaac também tem ainda poderes de telecinésia com que pode pegar em objectos e até mesmo usá-los para empalhar os inimigos. Apesar dos instrumentos à disposição de Isaac e da adição de uma mecânica de cobertura, Dead Space  3 não conseguiu amplificar a tensão. Não há nada mais intenso do que ser encurralado por Necromorphs, com uma arma na mão vazia e isso acontece menos neste jogo devido ao maior foco na acção. O sistema de upgrades está de volta, permitindo ao jogador equipar o seu fato com mais armadura, ter mais pontos de vida entre outras coisas.

Combinem isso com o sistema de crafting de armas introduzido , e podem ver as possibilidades. Isaac agora recolhe peças para elaborar novas armas, e a recolha de materiais torna-se a sua próprio meta. Podem até encontrar bots que irão recolher recursos por vocês enquanto estão a progredir no jogo. Também é importante notar que podem simplesmente comprar o que precisarem com dinheiro real. Se gostam de atalhos esta é uma solução rápida para acederem a todos os equipamentos e armas que quiserem. É uma solução que vai aparecendo cada vez mais nos videojogos (lembram-se de Forza Horizon??) e que pessoalmente não sei se gosto. Se por um lado não afecta de todo a minha experiência pois é uma componente singleplayer, acho que é dinheiro barato que antes vinha na forma de cheats gratuitos.

Um dos maiores problemas é a abundância de momentos claustrofóbicos, recorrendo corredores escuros entregando emoções baratas que funcionam por um tempo, mas o seu abuso faz com que perca o efeito pretendido. Quem jogou os anteriores por esta altura já ganhou “calo” destes momentos e não tem metade da reacção que tinha antes. Existem também alguns segmentos de veículos tediosos e frustrante que não enriquecem o jogo. O sistema de save também não é perfeito consistindo em vários postos de controlo, mas o progresso não é salvo com frequência suficiente.  Apesar de não ser executado no motor Frostbite 2, este jogo ainda tem momentos visuais que são simplesmente deslumbrantes.

A iluminação desempenha um grande papel. Talvez não seja tão impressionante como poderia ser, mas continua a ser um dos jogos mais deslumbrantes nas consolas. Dead Space 3 é um jogo fantástico, mas que os jogadores devem entrar e ficar com os olhos abertos. A série tem evoluído além de simplesmente ser um título de terror, e tem agora um foco na acção maior, algo que aconteceu com outros títulos do género. A paixão e o nível de cuidados que a Visceral tem sempre apresentado ainda está aqui. Se não jogaram os jogos anteriores não recomendo que comecem por aqui. Ele encerra a trilogia muito bem, e continua a ser um dos melhores IPs a sair esta geração. Não sei se vão existir mais jogos na série, mas pessoalmente espero que sim.

Pontuação: 8.8/10

Minimum System Requirements:

CPU: 2.8 GHz processor or equivalent
RAM: 1 GB RAM (XP), 2 GB RAM (Vista or Windows 7)
VGA: NVIDIA GeForce 6800 or better (7300, 7600 GS, and 8500 are below minimum system requirements)
ATI X1600 Pro or better (X1300, X1300 Pro and HD2400 are below minimum system requirements)
256MB Video Card and Shader Model 3.0 required* The latest version of DirectX 9.0
DX: DirectX 9.0
OS: WINDOWS XP (SP3), Vista (SP1) or WINDOWS 7
http://gamesystemrequirements.com/
HDD: At least 10GB of hard drive space for installation, plus additional space for saved games.


Tiago Roque

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