Análise SimCity

O novo SimCity teve um lançamento conturbado, com os servidores da EA a não aguentarem a quantidade de jogadores que além de terem dificuldade em aceder ao jogo tiveram problemas com os seus saves, que resultou em algumas horas de jogo completamente perdidas. Durante alguns dias ficou no ar a sensação de que este “reboot” da série poderia ser um fracasso, um pouco como os últimos jogos da série o foram.

No entanto temos o prazer de anunciar que isso não é a realidade e quem comprou o jogo antes de dia 21, até teve a surpresa de receber um jogo gratuitamente no serviço Origin da EA. Eu pessoalmente não me importei minimamente de receber uma cópia do Battlefield 3, especialmente depois de ver que SimCity começava a funcionar bastante bem e estava na altura de ver o jogo além dos seus problemas.

Os veteranos de SimCity podem ficar confusos com o porquê de os servidores a EA condicionarem tanto a experiência de jogo. Isso deve-se ao facto de a EA ter optado por um sistema semelhante ao de Diablo III que obriga a uma ligação permanente aos servidores, para jogar aquilo que é na globalidade uma experiência singleplayer. Sim há uma boa dose de elementos que só são possíveis graças a esta ligação permanente, mas no geral tudo poderia ser feito com um sistema mais próximo do tradicional.

Depois de entrarem no jogo irão notar algumas semelhanças com um jogos sociais do Facebook, pelo menos eu notei. Depois de completarem um Tutorial relativamente curto mas que consegue mostrar o suficiente para que todos consigam criar e gerir a sua primeira cidade, podem escolher entrar numa zona já existente e povoada por outros jogadores ou criar uma nova. Esta nova zona pode ser publica ou privada. Este sistema permite que jogadores da mesma zona possam interagir entre si, fazendo desde uma simples visita às cidades vizinhas até trocas de materiais e serviços.

Podem controlar mais do que uma cidade no mesmo território, controlando as trocas comerciais entre cada cidade por exemplo. Se por um lado o aspecto social é interessante a verdade é que passado algum tempo queremos simplesmente voltar a controlar tudo, ter uma região apenas nossa onde podemos ter várias cidades. Além disso é simplesmente mais seguro, já chegam as preocupações que temos com as nossas cidades, quanto mais se tivermos que nos preocupar com outros jogadores com más intenções.

Se a vossa cidade produzir petróleo por exemplo podem exporta-lo para as cidades vizinhas e comprar por exemplo serviços médicos. Se por um lado existem estas semelhanças com Farmville por exemplo, o jogo em si deita fora qualquer semelhança a algo mais casual. Se algum jogador casual pegar em SimCity irá passar  um mau bocado. Sim há um tutorial que ajuda bastante, mas o jogo tem uma complexidade escondida dentro de si que pode assustar bastantes jogadores.

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É simulação de alto nível, com um detalhe impressionante e uma infinidade de variáveis. Devido a essa dificuldade é que tenho de dar os parabéns à Maxis pelo trabalho feito na interface do jogo. Comparando com Crusader Kings II por exemplo que apesar de não ter grande semelhança em termos de jogo em si é comparável em termos de complexidade, no entanto em SimCity nunca sentimos que estamos perdidos, enquanto que isso pode acontecer muitas vezes no jogo da Paradox.

Há uma diferença enormes entre complexidade e dificuldade. Se por um lado SimCity oferece aos jogadores um sistema complexo de mercado ao estilo bolsa, baseado no principio da oferta e procura, tudo isso é feito de forma simples. Não precisam de percorrer uma imensidade de menus ou escolher uma série de opções demasiado complexas. Tudo pode ser feito através de poucos cliques. Por exemplo, o tipo de estradas é algo fundamental para o crescimento da cidade. À medida que se melhora as estradas, aumenta também a densidade populacional dessa área, com a construção de grandes prédios e arranha-céus a substituir pequenos prédios e vivendas.

Se novamente isso é fundamental, a verdade é que tudo isso pode ser feito através de um clique, novamente mostrando a diferença entre complexidade dos conceitos e a simplicidade com que conseguimos fazer o que queremos. Até um empréstimo em que temos que saber o valor, juros, mensalidade e valor final a pagar é super simples de fazer. No entanto têm que pensar em tudo o resto, se vão utilizar o empréstimo para comprar um edifício caro devem lembrar-se que vão ter que pagar a mensalidade do empréstimo assim como a manutenção desse edifício.

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Existe uma imensidade de variáveis a ter em conta em SimCity. Não é o típico jogo em que podemos dizer facilmente que para cada mil habitantes precisamos de uma clínica por exemplo. Há uma série de factores que alteram completamente este pensamento. A qualidade da água por exemplo aumenta bastante o numero de doentes numa cidade. A industria e equipamentos sanitários mais baratos por exemplo aumentam a poluição das terras e do ar, o faz com que sejam necessárias mais clínicas. Esta lógica é aplicada em praticamente tudo em SimCity, desde a saúde até à segurança.

Durante o tempo que joguei para esta análise fiz duas cidades, uma com bastante industria e sem grandes preocupações e acabei por ter que construir cerca de cinco clínicas que mesmo assim tinham dificuldades em cuidar de todos os doentes. Depois de algumas horas comecei a ter dificuldades no orçamento e acabei por começar uma nova cidade. Nesta nova cidade optei por uma filosofia mais green com apenas uma zona bastante reduzida de industria e com centrais eólicas e solares para a produção de energia. Além disso tentei actualizar rapidamente o tratamento de lixo e esgoto e plantar árvores para minimizar a poluição. O resultado foi uma experiência completamente diferente. Depois da cidade tem praticamente o triplo dos habitantes ainda mantinha uma necessidade para apenas a clínica que tinha construído logo no inicio.

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Infelizmente nem tudo isto é previsível. Há enorme quantidade de catástrofes que simplesmente podem acontecer e que nos fazem puxar os cabelos. Ter que recuperar de uma catástrofe é das situações mais difíceis, quando tudo o que preparamos simplesmente deixa de funcionar e o caos passa a reinar a nossa cidade. Uma das razões que me fez abandonar a primeira cidade foi um ataque de zombies, que durante uma noite transformou uma cidade que apesar de não funcionar bem ia tendo lucro positivo e tinha maior parte dos edifícios vitais, numa cidade praticamente destruída com dezenas de edifícios em ruínas. Apenas com uma série de empréstimos  e impostos a 15% foi possível aguentar a cidade.

É completamente impossível falar de tudo o que existe em SimCity, é um daqueles jogos que daqui a alguns anos ainda vai haver muitos jogadores a dizer, “não fazia ideia que dava para fazer isto”. Além disso é um dos jogos mais viciantes de que tenho memória, em apenas dois dias já tinha acumulado mais de 16 horas de jogo. O grafismo é soberbo com um detalhe incrível e a componente sonora não lhe fica atrás com os sons de uma metrópole bastante bem conseguidos. Naturalmente tal como muitos jogadores não defendo esta nova tendência de obrigar os jogadores a estarem online para um jogo singleplayer mas pessoalmente não tive qualquer problema com os servidores e tenho a certeza que irá ser assim que vai continuar.

9/10

Tiago Roque

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