Análise Crysis 3

A Crytek tem maravilhado o mundo com o grafismo dos seus jogos desde o lançamento do primeiro Far Cry. Nem sempre os restantes aspectos do jogo acompanham o grafismo. Apesar de não serem propriamente medianos os jogos são apenas muito bons, o que contrasta com o grafismo excelente.

Crysis é provavelmente a jóia da coroa em termos de grafismo no PC. Poucos jogos conseguem rivalizar ainda com o primeiro jogo e agora com o lançamento do terceiro a Crytek continua a surpreender. Infelizmente um jogo é tão mais que grafismo e nos restantes aspectos Crysis 3, tal como os anteriores nunca atinge o seu real potencial.

Na realidade é uma trilogia que tinha tudo para dar certo. O fato dá um carisma à personagem ao nível de Master Chief, o grafismo é de alto nível, a jogabilidade é competente, mas há sempre algo que falta para que Crysis realmente se destaque em relação aos outros jogos. Num mercado saturado de FPSs, este é um género muito mais competitivo que outros e Crysis não se consegue realmente impor de uma forma que todos gostaríamos.

A campanha de Crysis 3 continua os eventos do segundo jogo, mais de 20 anos depois e segue agora Prophet, que apesar de já existir nos outros jogos, apenas agora é a personagem jogável principal. Os aliens foram derrotados e os seus recursos tomados pela empresa militar CELL. A contestar o seu domínio global está um pequeno grupo de rebeldes e Prophet é provavelmente a única esperança que este tem de ter sucesso.

Vinte anos é muito tempo e ao contrário do que estão a pensar Prophet não está velho, tendo estado numa câmara criogenica da CELL, sendo depois libertado por uma cara conhecida, Psycho do primeiro jogo. Esta é uma das vantagens de ter jogado os outros jogos da série. Apesar de não ser realmente essencial é sempre mais divertido indo conhecendo algumas personagens dos jogos anteriores.

O mundo está diferente e depois de fugirem Prophet e Psycho vão encontrar-se numa Nova Iorque diferente, em que a selva voltou a tomar conta do ambiente. Esta é a conclusão da série, portanto seria de muito mau gosto estragar-vos muito mais da história.


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Crysis 3 não revoluciona a série, seguindo os mesmos moldes, o que infelizmente significa que alguns dos erros do passado continuam presentes. A história continua fraca e algo previsível e parece nem haver história para todo o jogo, acabando por existirem sequências da história bastante forçadas.

Felizmente o aspecto técnico é tão de alto nível que mesmo uma história fraca é entregue de uma forma brilhante. A aposta da Crysis em melhor captura de movimentos e filmagem facial está à mostra e todas as cutscenes estão super realistas. O foco na perda do facto de Psycho para mostrar a sua fraqueza é bem conseguida e dá um ar um pouco mais humano à história, que infelizmente nunca atinge o seu real potencial.

Apesar de atingir todo o seu potencial no PC, nas consolas é na mesma um jogo soberbo. Obviamente tudo é reduzido em relação ao PC, mas quando comparado aos outros jogos das consolas, especialmente a outros FPSs como Call of Duty dificilmente algum desses se consegue comparar.

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Tal como já referi o problema de Crysis é realmente todo o restante. A IA é fraca e não há realmente muitas formas de abordar o combate. Crysis sempre se distanciou dos outros jogos do género graças ao Nanosuit. Com ele podem correr mais rápido  serem mais fortes e até tornarem-se invisíveis. Relativamente ao fato não existe realmente nada de novo, continuando a ser basicamente igual. Novo é o arco que assumiu bastante protagonismo tanto nos trailers como nas imagens de promoção do jogo.

Este arco especial consegue ter algumas das propriedades do facto. Podem por exemplo disparar enquanto estão camuflados sem deixarem de o estar, ao contrário do que acontece com o outro armamento. Outra novidade é o facto de poderem utilizar o armamento dos Ceph, apesar de não o poderem guardar com o uma arma normal.

E isto é o que podem esperar do singleplayer de Crysis. Nada de surpreendente mas bastante competente em toda a sua realização, algo normal da série o que implica que o jogo nunca atinge realmente um patamar superior que facilmente poderia atingir. Tal como nos anteriores há ainda modos multi-jogador competitivos até 12 jogadores nas consolas ou 16 no PC. Podem contar com os modos habituais da série e com um novo, Hunter que coloca dois jogadores permanentemente camuflados e com arcos.

Crysis 3 é um excelente FPS com um grafismo brilhante e bons valores de produção. Quando comparado com outras propostas ainda fica um pouco para trás em aspectos como a narrativa. O potencial estava lá mas a Crytek ainda o conseguiu atingir.

8.5/10

Tiago Roque

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