Análise Fire Emblem: Awakening

Escusam de puxar para baixo para verem a nota final, pois digo já. Há muito tempo que não dava um 10, mas é impossível não o dar a Fire Emblem: Awakening. Existem jogos muito bons em que eu apesar de reconhecer a sua qualidade não consigo jogar muito mais que  a história principal, no entanto outros agarram-me de tal forma que é difícil encontrar a altura certa para os largar.

Não me lembro de muitos jogos recentemente a terem o mesmo efeito. Talvez o primeiro Disgaea e mais recentemente Persona 4 o tenham tido mas Fire Emblem: Awakening foi sem duvida um dos jogos mais viciantes que joguei e vou continuar a jogar nos últimos e próximos tempos.

Não é um jogo sem defeitos obviamente, mas nenhum deles prejudica de qualquer forma o potencial do jogo, todo ele recheado de mecânicas inteligentes e pequenas inovações num design e formula clássicos. Se já alguma vez jogaram um jogo da série conhecem o conceito de morte permanente que marcam estes jogos, assim como as mecânicas de jogo que estão praticamente intactas.

Um das principais novidades de Awakening é a opção de desligar a morte permanente logo no inicio do jogo. Este modo é supostamente para os jogadores que nunca jogaram nenhum dos jogos da série, mas pode ser vantajoso para todos os jogadores, especialmente aqueles que não se querem preocupar sempre em manter todas as unidades vivas, aqueles que nunca gostaram desse sistema nos jogos anteriores ou aqueles que sabem que este sistema traz consigo algumas falhas na continuidade da história e não quer também pensar nisso.

Apesar de as personagens poderem morrer, na realidade nós devemos fazer tudo ao nosso alcance para que isso não aconteça como é óbvio, portanto a diferença acaba por ser escolher entre um modo em que isso não acontece de todo ou fazer constantemente reset à consola e recarregar um jogo anterior.

Ao contrário de muitos jogos em que dispomos de uma série de unidades todas iguais que servem por vezes como “carne para canhão”, basicamente todos os RTS do mercado, em Fire Emblem todas as unidades ao nosso dispor são parte integrante da história e é suposto ganharmos alguma afinidade com estas personagens e não deixa-las morrer. Por essa razão é que jogar o modo Clássico é bastante melhor, pois não queremos realmente andar a fazer reset constante à consola e repetir alguns minutos do jogo, mas o perigo de perder uma personagem faz com que cada cenário seja um combate muito mais intenso do que jogando no novo modo.

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Awakening traz também algumas inovações no que toca às relações entre as personagens. Se alguma vez jogaram por exemplo Disgaea conhecem com certeza o sistema em que se colocarem duas unidades adjacentes estas se ajudam umas às outras, atacando simultaneamente. Aqui existe um sistema semelhante, mas que além do auxilio em combate altera a relação entre essas personagens fora do combate. Assim, personagens que lutam constantemente juntas irão ter uma relação muito mais próxima  do que as que têm com outras personagens do outro lado do cenário a lutar sozinhas ou com outro companheiro.

É um sistema interessante que torna ainda mais importante a sobrevivência das personagens, pois além de diminuir a nossa força de combate em numero, afecta também as relações com as personagens que continuem vivas. Além disso todo o sistema assenta em algo que já por si deveria ser uma necessidade em todo o bom jogador de Fire Emblem, o bom posicionamento. Desta forma resta concluir que este é um sistema bastante mais gratificante e complexo que o de Disgaea por exemplo. Aqui além dos ocasionais duplos ataques as personagens relacionam-se entre si e podem mesmo desenvolver relações mais profundas e até casar.

Nenhuma destas novas mecânicas no entanto afecta todo o restante que tem tanta ou mais qualidade que cada um destes inteligentes sistemas. O grafismo é óptimo e cada personagem 3D é acompanhada por óptimos desenhos 2D que ganham vida nas várias cutcenes que vão aparecendo pelo meio do jogo.

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O combate em si é bastante semelhante aos restantes jogos da série. Os quadrados azuis marcam os sítios para onde se podem mover e os vermelhos os que podem atacar e podem também seleccionar unidades inimigas para saberem um pouco mais de informação sobre elas. Assim que desencadeiam um ataque o cenário passa para uma animação do combate em que o jogador pouco mais pode fazer do que abrandar ou acelerar a animação.

O sistema de classes é também óptimo. Assim que atingem o nível 10 podem utilizar itens raros para promover a classe de uma personagem ou altera-la por completo. Obviamente altera-la não tem tantas vantagens como promover uma vez que a alteração traz alguns pontos negativos juntamente com os positivos, no entanto por vezes é necessário. Apesar do inicio do jogo ser relativamente acessível, rapidamente mostra a sua crueldade, especialmente quando os terrenos começam a ter efeitos adversos nas nossas unidades, deixando-as vulneráveis, algo que é rapidamente aproveitado pelo inimigo.

Há uma boa quantidade de dificuldades que conseguem abranger praticamente todos os tipos de jogadores. Veteranos devem optar por Lunatic ou Hard, sendo Lunatic talvexz indicado para quem está a jogar pela segunda vez pois é realmente difícil. Aqueles que jogam pela primeira vez um jogo da série então devem optar por Normal pois continua a oferecer um bom desafio, especialmente porque nunca jogaram um jogo da série.

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Além da história principal existem ainda muitas missões secundárias que nos ocupam bastante tempo. Há centenas de jogos para consolas caseiras que não nos oferecem nem metade do conteúdo e tempo de jogo que Fire Emblem: Awakening nos oferece. Cada missão secundária tem uma história própria sem ligação à principal do jogo e são uma boa distracção para quebrar um pouco o ritmo.

Fire Emblem: Awakening é sem duvida o jogo que mais recomendo na 3DS. Tem as suas falhas mas quem é que se vai realmente preocupar com elas? Tem conteúdo para horas e horas de jogo, sistemas originais e fantásticos, uma óptima história e personagens que até podem realmente morrer se não tivermos cuidado, o que pode mudar bastante a história. Graficamente é óptimo e apesar de o som não ter direito a vozes na integra, há uma série de frases destacadas com direito a vozes que são perfeitamente suficientes para termos noção do carácter de cada uma. Simplesmente brilhante.

10/10

Tiago Roque

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