Análise Reus

Os “God games” existem no PC há muito tempo. Existem muitos exemplo deste tipo de jogos, sendo dois deles da autoria de Peter Molyneux, Populous e Black & White, mas recentemente é um género que não tem aparecido muito. Reus veio trazer aos amantes do género um ótimo jogo que não vai deixar ninguém com saudades dos clássicos de Molyneux.

Reus é simplesmente belo, com um grafismo 2D que em resoluções altas consegue ser dos jogos 2D mais belos atualmente na Steam. Se todos os jogos 2D escalassem assim não me importava de não voltar a jogar um jogo em 3D. O mundo é apresentado numa visão sidescroll de um mundo circular, numa espécie de mini-planeta cortado ao meio e com alguns deuses a povoar a superfície. Esses deuses, representam o oceano, floresta, pântano e montanha e são o aspecto mais importante do jogo, tanto em termos de como chamam à atenção pelo bom detalhe e animação mas também porque eles estão absolutamente ligados à terraformação e vida do planeta.

Eles podem invocar mares e florestas,  flora e fauna, minerais e montanhas, o que nos permite criar o nosso mundo. Podem mudar a qualquer altura de deus para fazer outra coisa qualquer ou até fazer várias coisas ao mesmo tempo, porque apesar de serem deuses, são um pouco lentos quando têm por exemplo que criar um oceano do outro lado do mundo. Enquanto jogadores podem girar o planeta e fazer zoom in e out para manterem um olhar em tudo o que mandaram os deus criar. O objectivo principal é mandar os gigantes semear o planeta, num sistema que é dividido em segmentos de tamanho igual, com recursos de origem animal, vegetal ou mineral o que acaba por criar vida.

Antes de poderem plantar qualquer coisa, precisam de terraformar um pouco, transformando cerca de 10% da superfície do planeta em oceano, floresta, pântano ou deserto, cada um dos quais vai fazer crescer diferentes espécies de plantas e animais, que por sua vez têm efeitos diferentes sobre o que mais pode ser criado. O aspecto terraformação é muito breve e envolve apenas uma camada sutil de estratégia que permite depois desbloquear poderes mais avançados para os deuses gigantes.

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Depois de terem alguns seres humanos e aldeias, alguns alimentos básicos, riqueza e tecnologia a ser gerados pelas plantas, minerais e animais colocados nas proximidades começa realmente o  jogo.  Cada fonte de alimentos, tecnologia ou riqueza é capaz de se juntar beneficamente a outro recurso desde que estejam próximos o suficiente.  Além disso, os deuses podem lançar feitiços na maior parte dos recursos, o que irá aumentar a sua produção. Alguns desses poderes fazem com que possam por exemplo transformar um recurso em outro. Uma vez que a transformação aconteceu, o recurso torna-se capaz de uma simbiose diferente e os deuses podem lançar seus feitiços sobre eles novamente perpetuando esse ciclo de transformação.

Isto cria um sistema de puzzle em que temos de criar o tipo de recurso necessário para o sitio correto. Infelizmente este é também o aspecto menos conseguido do jogo. Os recursos parecem ter pouco impacto na vida do planeta e para deuses gigantes, a unica coisa que realmente parecem fazer é aumentar alguns numero na estatística dos recursos. Além disso, aparecem no jogo alguns micro-desafios para ajudar a construir aldeias e outras estruturas especiais, tais como escolas e celeiros, cada um dos quais exige uma certa quantidade de certos recursos e isso é basicamente o objectivo de todo o trabalho relativo aos recursos

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Reus é simplesmente magnífico em aspectos visuais e sonoros, e a impressionante presença dos deuses é um prazer, mas algumas pequenas mecânicas parecem mais trabalho que diversão e isso é um defeito para qualquer jogo. O esquema por niveis é também na minha opinião um pouco desajustado em comparação ao modo freeplay. No entanto todos os defeitos de Reus são pequenos quando comparados à sua qualidade geral. Mesmo com algumas mecânicas trabalhosas é um jogo divertido que pode ocupar-nos horas que não serão desperdiçadas de forma alguma. Se querem sentir-se como um super deus, Reus é para vocês.

8/10 

Tiago Roque

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