Análise Rise of the Triad

Muito mudou no género FPS deste o lançamento de Wolfenstein 3D ou Doom. Muitos dizem que são mais fáceis, eu diria que são mais lineares. Se explorar o mapa à procura de segredos é melhor ou pior do sistema actual linear, é algo que deve ser respondido por cada um e a outra critica recorrente que diz que todas as armas são iguais, bem, também não sei até que ponto é possível tornar várias armas realmente diferentes  num jogo sem o tornar demasiado simulação e menos arcada. Rise of the Triad , o original, foi inicialmente concebido para ser uma continuação de Wolfenstein, mas quando a meio do desenvolvimento, os criadores abandonaram essa ideia nasceu um dos FPS mais populares de sempre.

É claro que ao longo do tempo, consideramos Doom como sendo o melhor FPS clássico, mas isso não impediu uma equipa apaixonada de recriar Rise of the Triad e trazer-lo para o nosso século, a era de Call of Duty e Battlefield, com a sua super velocidade, e o melhor em termos gráficos que esta era tem para oferecer. E enquanto muitos reboots de jogos de vinte anos de idade são horríveis por causa da união entre as ideias antigas e as actuais, criando jogos que tanto querem agradar aos antigos fãs como aos novos, Rise of the Triad não tem qualquer intenção de se inspirar nos jogos recentes, optando por seguir tudo o que marcou o original.

Rise of the Triad conta a história de um jovem que se torna desiludido com as razões do seu país ter ido para guerra . Há uma história muito básica, mas que não importa muito realmente e ninguém estava realmente à espera que assim não fosse. O jogador joga como uma das cinco personagens com diferentes quantidades de velocidade e resistência e vão avançar pelos mapas a uma velocidade muito maior que nos jogos actuais, sendo o exemplo mais próximo Painkiller. É um jogo difícil que carece de regeneração da vida, mas tem um pequeno pormenores que o caracteriza. As armas que usam balas têm munição infinita, no entanto as que usam explosivos vão ter munições, podendo o jogador carregar apenas uma de cada ao mesmo tempo.

A verdade é que o jogo não parece querer que o jogador use realmente as armas de munição normal e é apenas quando começam a usar os muitos lançadores de rockets, a encontrar os segredos dos níveis e avançar rapidamente é que conseguem ver o potencial do jogo . Quem nunca jogou um FPS “old school” irá ter mais dificuldades a se conseguir adaptar a este tipo de jogabilidade e mesmo quem tem memórias de jogos antigos como Doom ou Quake pode ter dificuldade a relembrar-se, porque os FPS actuais simplesmente já não funcionam desta forma.

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Mesmo na dificuldade normal  Rise of the Triad pode ser demasiado difícil para muitos, especialmente porque muitos jogadores já não estão habituados a explorar as áreas do jogo à procura de tesouros e neste caso isso é essencial, pois apenas assim podem encontrar as armas mais poderosas que precisam para certas situações. Esse é um aspecto que muitos defendem e que tem realmente algumas vantagens em relação aos jogos actuais, mas que na minha opinião não é uma solução para todos os FPSs como os militares.

Esses aspectos inspirados nos jogos clássicos é aceitável, no entanto há claros problemas em  Rise of the Triad, especialmente técnicos. A framerate é muito instável e desce para valores difíceis de perceber que prejudicam realmente um jogo deste género dada a velocidade da jogabilidade, especialmente se estiverem a jogar online. Outro dos problemas do jogo é a falta de uma opção de quicksave. Mesmo sendo este um jogo em tudo semelhante a jogos como Doom, os sistemas de save foram aqueles que melhor evoluíram ao longo dos anos e para melhor, não havendo qualquer razão para optar por um sistema de checkpoints limitados, a não ser para aumentar artificialmente a dificuldade e isso é algo que condeno sempre que encontro num jogo.

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Apesar de algumas escolhas duvidosas e algumas questões técnicas, esta nova versão de um FPS clássico traz alguns elementos esquecidos e uma nova vida ao género. Mesmo se não cresceram a jogar esses jogos, eu acho que ainda assim vão apreciar o tipo de acção que Rise of the Triad proporciona. Tendo em conta também o preço reduzido e a quantidade de conteúdo que este oferece não vejo muitas razões para não jogarem  Rise of the Triad.

7.5/10

Tiago Roque

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