Análise Europa Universalis IV

A Paradox faz sem duvida alguma bons jogos de estratégia, mas também não parece ter qualquer problema em não se preocupar minimamente com os jogadores inexperientes. Há uns esforço aqui e ali e como os jogos são de uma qualidade acima da média nós vamos desculpando, mas a realidade é que estes continuam a ser jogos quase injogáveis para a maioria dos jogadores.

Europa Universalis IV, tal como Crusader Kings 2 coloca o jogador ao comando de uma nação inteira, tornando-o responsável por tudo desde guerras a comércio e religião. A complexidade é enorme, mas a liberdade que o jogo nos proporciona é equivalente. Nada nos obriga a jogar como aconteceu na história. Podem começar com Portugal e em vez de tentarem explorar os mares, podem tentar criar um império conquistado pela força da espada. Não é fácil, mas Europa Universalis IV torna todos esses caminhos possíveis, no entanto o realismo do jogo é grande e conquistar a europa com um pequeno país através de uma conquista directa é praticamente impossível.

Europa Universalis IV vem com um tutorial bastante completo, ou pelo menos bem mais completo que aquilo a que estamos habituados. O tutorial está um pouco mais interactivo também, mas continua a ser basicamente um texto enorme que ninguém tem realmente vontade de ler. Compreendo que a complexidade seja demasiado grande para explicar com um tutorial parecido ao outros jogos, mas continuo a acreditar que existe uma forma melhor de introduzir o jogador, mas eu também não sei qual é.

A Paradox acrescentou também algumas dicas ao sistema de dicas , que podem ser usados ​​para descobrir o que os menus fazem. Não é perfeito , às vezes pode ser difícil encontrar a informação exacta que estamos à procura mas é mais um passo na direcção certa, mas se olhar para a minha experiência pessoal posso ver o quão difícil deve ser pegar em Europa Universalis IV pela primeira vez. Depois de ter jogado bastantes horas de Crusader Kings 2 não foi fácil relembrar tudo, por isso deve ser ainda pior aprender tudo de novo.

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O comércio é o aspecto mais confuso de Europa Universalis IV. Existem vários centros de comércio pré -determinados , a partir dos quais o jogador pode vender e comprar mercadorias no entanto é preciso negociar e obedecer às leis de cada país. Aquilo que compramos e vendemos tem também uma série de impactos no mercado global e local que são difíceis de prever e tudo se torna pior porque as consequências demoram demasiado tempo a notar.

Dependendo de como governarem o vosso país, podem investir em vários tipos diferentes tecnologia. A principal atracão em jogos de grande estratégia da Paradox é ser capaz de mudar a história. Como já referi podem optar por qualquer tipo de estratégia e a forma de o conseguirem está interligada às diferentes tecnologias que desenvolvem. Se forem por um caminho à Napoleão convém desenvolver tudo voltado para o poder militar por exemplo.

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A estratégia geral continua a ser a mesma, especialmente no que diz respeito às conquistas militares. Irão ter que tentar manipular os vassalos e países vizinhos para conseguirem aliados para conquistarem novas áreas. Enviar algumas unidades para desestabilizar uma zona em conflito e ajudar rebeldes por exemplo, ou simplesmente fabricar uma causa para os nossos exércitos possam marchar em território alheio. Os nossos vassalos não gostam de nos entregar nos seus guerreiros e os mantimentos começam a ser escassos quando os conflitos se arrastam, o que por sua vez causa o aparecimento de grupos rebeldes.

Os caminhos são imensos e é apenas pena que tenham que jogar dezenas de horas para conseguirem fazer o que querem maior parte do tempo. Não existem realmente  limitações sobre o que o jogador pode conseguir , e cada campanha vai contar um conto dramaticamente diferente. Há tanto a ter em que causa que realmente se torna fácil desculpar a Paradox por não conseguir criar um tutorial apelativo mas que seja tão abrangente como o texto que existe agora.

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Graficamente a diferença não é grande relativamente a Crusader Kings 2, mas existem novos pormenores que valem a pena como por exemplo as estações que alteram agora o terreno de jogo. Mas fora o grafismo há novidades em termos técnicos. Aquilo que notei mais foi a diminuição dos tempos de carregamento que em Crusader Kings 2 eram demasiado grandes para o meu gosto e que agora são bem mais rápidos.

A Paradox continua a caminhar na direcção certa e cada vez consegue cativar mais jogadores, mantendo a sua complexidade. É um trabalho difícil mas que a Paradox aos poucos consegue ir fazendo. Quanto aos fãs dos seus jogos não há muito a fazer, pois a qualidade continua lá, no entanto para estes não existem muitas novidades a não ser um upgrade geral dos jogos anteriores, o que dada a sua qualidade é o suficiente para justificar a compra.

9/10

Tiago Roque

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