Análise Splinter Cell: Blacklist

Porque é que alguns jogos não se mantêm fieis a uma imagem que criaram é algo que não consigo exactamente compreender. Sei que a acção é mais popular que a acção furtiva, mas se o objectivo era cativar esse publico não se deveria ter optado logo por esse caminho? Talvez agora que se tem fãs leais se queira ir buscar alguns fãs de outro género, ou talvez exista outro objectivo qualquer em fazer de Splinter Cell um jogo onde ser furtivo já não é muito importante. Mas dito isto, Splinter Cell: Blacklist é um mau jogo? Não, não de todo.

Por muito que os fãs de jogos furtivos digam que não, a acção furtiva pura é um pouco aborrecida e é o equilíbrio entre evitar inimigos e combates abertos que tornam um jogo memorável, Assassin’s Creed que o diga. Conviction provou isso para a série Splinter Cell que conseguiu voltar à carga com Blacklist que volta a trazer o Sam Fisher mais virado para a acção que marcou o jogo anterior. A história em Blacklist diz respeito a uma série de ataques terroristas que põe em causa os EUA. Cabe então a Sam Fisher e a sua equipa, Fourth Echelon eliminar o grupo terrorista, conhecido por The  Engineers antes que estes consigam concretizar os seus planos.

A base de operações da Fourth Echelon é o Paladin , um grande avião militar com instalações suficientes para deixar qualquer base dos super vilões de um 007 com vergonha.  É a partir do mapa do mundo táctico da Paladin admiravelmente bem integrado que o jogador irá aceder a tudo o que o jogo tem para oferecer. Tal como os jogos anteriores no habituaram além da campanha principal e excepcional existem ainda missões secundárias, multiplayer e um óptimo Coop.

Apesar do foco na acção, este continua a ser um jogo de acção furtiva, apesar de esta já não ser propriamente obrigatória. Durante as missões o jogador é recompensado com pontos e dinheiro, dependendo a quantidade da forma como jogam num de três estilos. Se conseguirem completar a missão sem alertarem e eliminarem um único inimigo irão receber a maior recompensa. Se eliminarem alguns inimigos , mas ainda assim conseguirem passar indetectaveis vão ganhar menos pontos e se fizerem todo o caminho eliminando tudo o que aparecer irão ganhar o menor numero de pontos.

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Quando há uma mistura adequada entre esses três estilos de jogo Blacklist é uma alegria absoluta de jogar. Há uma enorme variedade de soluções para utilizar e assim conseguirmos jogar à nossa maneira, apesar de o jogo praticamente nos pedir para sermos furtivos. Os problemas surgem quando a escolha do estilo de jogo é retirada ao jogador. É óptimo quando se pensa em executar uma missão de uma forma que se adapta ao nosso estilo de jogo, mas quando o jogo nos obriga a jogar de forma diferente, perde-se muita da diversão seja essa obrigação ser furtivo ou não.

O design de som é absolutamente fantástico e a banda sonora é soberba, oscilando suavemente entre musica electronica que reflecte a tensão do jogo a musicas bem mais pesadas refletindo a acção no ecrã perfeitamente. Visualmente, o jogo também oscila, mas desta vez de qualidade. Enquanto que algumas zonas estão brilhantemente criadas e bem conseguidas, outras apresentam texturas pobres e paredes invisíveis. Consistência é algo que parece não existir neste aspecto.

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Quando completarem a campanha existe ainda muito conteúdo que fazem valer o dinheiro que gastaram em Blacklist. Se tiverem alguns amigos com uma cópia do jogo, o coop é genial, aproveitando a desculpa da Fourth Echelon para criar uma série de situações óptimas para pensar em equipa e que podem criar óptimos momentos com alguns amigos, especialmente quando as coisas começam a correr para o torto.

Os gadgets que vão comprando com o dinheiro que ganham após cada missão podem ser actualizados para melhor conseguirem jogar Blacklist no vosso estilo de jogo. Os jogadores furtivos irão tentar adquirir melhorias que os façam fazer menos barulho por exemplo, enquanto que os outros irão aumentar os danos das suas armas.

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O maior problema de Blacklist e da série em geral é na sua identidade, que está nesta altura bastante posta em causa. Splinter Cell continua a ser um jogo de acção furtiva, mas parece queres ser algo mais ou um pouco de tudo, o que irá chatear fãs dos dois lados. Os fãs de jogos de acção irão achar que é demasiado parado para um shooter e os fãs de jogos furtivos irão chegar à conclusão que podem facilmente resolver tudo com uma abordagem bem mais agressiva.

Mas as mudanças não fazem de Splinter Cell um jogo pior, mas também não o tornam melhor, apenas diferente. Se aquilo que se tornou irá agradar a mais ou menos jogadores que aquilo que a Ubisoft tinha antes é algo que apenas o tempo pode responder. Enquanto jogador adorei o tempo que passei em Blacklist, mas reconheço que este não é o mesmo Splinter Cell que joguei à dez anos. Se ultrapassarem isso e olharem para o novo Splinter Cell por aquilo que ele é hoje irão ver a sua qualidade e chegar à conclusão que vale bem a pena.

8.5/10

Tiago Roque

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