Análise Knock Knock

Daquilo que conheço dos criadores de Knock Knock, os seus jogos são bastante surrealistas. O seu catálogo inclui The Void, um jogo conhecido que nos impressiona por várias razões e que nunca chegamos a perceber a 100%. Knoc Knock é lançado no mês perfeito, pois este é o mês para jogar jogos de terror ou pelo menos essa temática, mesmo que não sejam assustadores. Tal como The Void, não é fácil saber exactamente o que é Knock Knock. É um jogo misterioso tanto na sua temática como na sua própria descrição. Não é bem um survival horror, mas está também longe de ser uma aventura.

O jogo começa com um comentário que o jogo foi construído de acordo com uma série de misteriosos instruções enviadas para o estúdio do jogo. As instruções insistiam em que certas coisas teriam que estar presentes no jogo, mas que o próprio jogo em si poderia ser da forma que os criadores quisessem. É uma história típica de halloween e somos convidados a jogar no escuro, sozinhos. Como a maioria dos jogadores gosta de apanhar um susto, mas até um certo ponto, poucos irão seguir estas instruções.

Há então uma introdução em banda desenhada, um pouco confusa, não deixando perceber o que se passa realmente no jogo. O jogador deambula pela casa fazer as coisas, enquanto vão  ouvindo ruídos , e apanhando alguns sustos. A musica e outros efeitos sonoros são soberbos e o grafismo é também agradável. Mas aquilo que promete sempre algo mais, acaba por se resumir à medida que avançamos no jogo a uma lista limitada de acções e mecânicas que são repetidas até à exaustão e tornam o jogo demasiado repetitivo.

A maior parte do tempo de jogo é gasto rastejando lentamente através de uma grande casa vazia e escura a ligar lâmpadas e pegar em relógios. Quando apanham um relógio , o tempo chega mais perto do amanhecer. Quando a madrugada chega, o nível termina e  passamos para o próximo. Além de alguns segmentos em banda desenhada dinâmicos esparsos que dão alguma ideia de história , cada nível é quase exactamente o mesmo que o último a não ser um pouco maior. Isto é um sistema bastante limitado.

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A ameaça do jogo vem na forma dos “convidados” . Aparentemente, estas criaturas da noite , que tomam das formas mais estranhas que podem imaginar , são atraídos para a  casa pela luz. Eles escavam através das paredes, entram na casa e andam à nossa procura. Nessa altura temos que nos esconder e esperar que eles não nos encontrem. Se não o fizerem , então desaparecem , se o fizerem, então perdemos algum do tempo que andamos a recolher. Infelizmente este sistema tem algumas falhas e por vezes somos descobertos sem razões e em outras em que devíamos ser descobertos não o somos.

Não há objectos suficientes para nos esconder-mos atrás , por isso às vezes torna-se impossível fazer algo e em outras ocasiões simplesmente não temos tempo para reagir. O jogo parece também não fazer um bom trabalho a ser consistente. A melhor estratégia acaba por ser a de recolher o máximo de relógios possíveis no menor curto espaço de tempo e nem sequer ligar aos convidados. Obviamente seremos descobertos e perderemos tempo, mas aquele que ganhamos é mais do que suficiente para irmos avançando sem preocupações.

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Se tiverem paciência para chegar ao final do jogo, a desilusão confirma-se e no final não existe realmente um verdadeiro mistério para descobrir, apesar das grandes promessas durante grande parte do jogo e no final os aspectos positivos acabam por ser os sustos iniciais e o som, pois mesmo o grafismo perde um pouco da piada no decorrer do jogo graças à falta de diversidade dos níveis. No geral, este realmente não é um jogo que possa recomendar sem condições.

Durante as primeiras sessões de jogo Knock Knock promete um mistério, promete sustos e uma jogabilidade interessante, mas nenhum desses aspectos se mantém forte até ao final. O mistério não existe, a técnica usada para nos assustar é sempre a mesma o que torna tudo previsível e a jogabilidade é sempre a mesma do inicio ao fim.

6.5/10

Tiago Roque

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