Análise Pokémon X/Y

Se existe alguma licença da Nintendo que não tenha sucesso, eu desconheço. Poucas companhias conseguem ter tantas licenças que conseguem sobreviver ao longo dos anos como a Nintendo consegue. A única que me vem a cabeça e mesmo pacman da Namco e mesmo essa já não e usada tão extensivamente como as mascotes da Nintendo. Pensem nos anos que se passaram desde o primeiro Mario ou Zelda por exemplo. Apesar de já existirem jogos e consolas antes da NES, esta foi uma das maiores responsáveis pelo sucesso da industria e Mario e Zelda existem desde o inicio.

Pokémon pode não remontar a mesma altura, mas marcou a primeira portátil da Nintendo e apesar das suas poucas incursões pelas consolas de sala, e na portabilidade que este tem os seus maiores sucessos e onde a Nintendo manteve o seu foco principal, lançando sempre a serie principal apenas na portátil activa da época. Dado o lançamento de Pokémon Black and White 2 no final de vida da Nintedo DS, os jogadores tiveram que esperar um pouco ate ver um verdadeiro Pokémon na 3DS.

Quando digo verdadeiro não quero ser demasiado critico com os jogos da licença que foram sendo lançados, como Pokémon Mystery Dungeon Gates to Infinity por exemplo, simplesmente nada consegue chegar à qualidade e popularidade dos jogos principais da serie. O coleccionismo é o verdadeiro vicio destes jogos e a cada nova versão temos mais para explorar, mais Pokémon  para capturar e agora ate novas evoluções para os Pokémon clássicos.

Depois da evolução vista nos últimos jogos para a DS, podíamos esperar um jogo completamente em 3D pela primeira vez na serie. Também já tínhamos alguma ideia da qualidade dos modelos das criaturas, uma vez que já tínhamos visto alguns deles em Gates to Infinity e as previsões mostraram-se correctas. X e Y têm um aspecto fenomenal. Estamos longe da vista top down que marca a serie desde o Gameboy original, com uma câmara a mover-se livremente no cenário, acompanhando a personagem.

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Os cenários e modelos das personagens coloridos que tínhamos visto em Gates to Infinty estão de volta, melhores ainda e trazem uma nova vida a Pokémon. Esta é alias a maior evolução de sempre na serie. As animações estão mais orgânicas e os cenários parecem recheados de vida. Isto nota-se particularmente nos combates, onde se deixaram de ver imagens estáticas dos Pokémon, onde pouco mais se via que uma imagem estática a mexer-se um pouco e os ataques se resumiam a uma barra a mover-se.

Agora existem ricas recriações das criaturas, muito próximas daquilo que vemos na serie de desenhos animados e existem boas animações e efeitos visuais sempre que atacamos ou somos atacados. X e Y faz um óptimo trabalho em lançar a serie para a frente ao mesmo tempo que mantém tudo familiar aos jogadores que acompanham a serie ao longo dos anos. É sem duvida uma série onde é preciso caminhar com cuidado no que toca a mudar a jogabilidade. Os jogadores gostam daquilo que sempre receberam e a Nintendo respeitou isso, assim como tem feito na grande maioria das licenças. Apesar de enquanto jogadores querermos sempre algo de novo, há uma certa nostalgia que tem que se manter e a Nintendo é mestre a fazê-lo. Nem sempre consegue evoluir muito entre jogos para manter esses elementos constantes, mas geralmente atinge esse equilíbrio, algo que conseguiu fazer aqui.

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A principal novidade são as MegaEvoluções dos Pokémon clássicos. Esta quarta evolução depende da versão do jogo que escolherem, X ou Y, e dá-nos algumas escolhas interessantes em termos de jogabilidade. Além disso existe agora uma nova forma de treinar os Pokémon . Se acompanham a serie sabem que os Pókemon precisam de lutar para poderem evoluir, uma desculpa para explicar porque e que fazer animais lutarem entre si não é tão mau quanto parece. O super training introduzido agora permite aumentar as estatísticas dos Pókemon mas nunca subindo o seu nível.

Outra novidade e a componente online. Seguindo a novidade dos últimos anos, a Nintendo optou por misturar a componente multijogador no modo principal do jogo. A Nintendo incentiva-nos a conhecer outros jogadores através das funcionalidades PSS, Player Search System, que nos permitem ter amizades, rivalidades e trocar Pokémon. Esta ultima e a melhor parte de tudo isto, pois no final de contas, o aspecto mais viciante da serie e poder coleccionar todos os Pokémon, ou pelo menos chegar perto disso, algo que é simplificado com este sistema e faz com que não exista realmente grande razão para adquirir as duas versões do jogo.

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Alguns Pokémon são exclusivos de cada uma das versões, mas como podemos trocar com outros jogadores sem estarmos sequer ao pé deles, não se torna tão necessário comprar as duas. Mesmo sem mudar radicalmente as mecânicas do jogo, a Nintendo consegue oferecer um jogo que é impossível não adorar. Pókemon tem um charme difícil de explicar que acompanha a serie desde o inicio e as novas funcionalidades apenas tornam o jogo mais acessível, mais actual e no fundo, melhor. O grafismo que a 3DS oferece traz a série para um novo patamar e a banda sonora está tão épica como sempre.

Se são fãs da serie nem precisam de ler esta analise, pois tenho a certeza que já estão a jogar Pokémon X ou Y, quanto aos restantes, não tentem lutar contra a tentação de experimentar um jogo da serie. Não há realmente razões para não gostar de Pokémon e apesar de ser apontada a um publico jovem há muito para todos gostarem aqui.

9.5/10

Tiago Roque

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