Análise Metal Gear Rising: Revengeance

Metal Gear é uma das minhas séries de jogos favorita desde que apareceu pela primeira vez na PlayStation original. Desde que tem Solid à frente do nome que não perdi nenhum dos jogos que saiu. O sucesso foi devido em grande parte à sua história cada vez mais complicada e que tem cativado uma geração de fãs, mas também a personagens de enorme profundidade, especialmente Solid Snake que se tornou num ícone da industria.  Foi com muita apreensão que esses mesmos fãs receberam a revelação de Metal Gear Rising, especialmente depois de esta ter sido na E3 da Xbox e não da PS3.

Originalmente anunciado em 2009, como Metal Gear Solid: Rising, o jogo foi um desafio para a Kojima Productions, com Hideo Kojima eventualmente a culpar a inexperiência da sua equipa em jogos de acção e que o jogo teria sido cancelado por essa razão. Felizmente a  Platinum Games cujos jogos incluem  Bayonetta e que o resto do catálogo é recheado de outros grandes jogos de acção entrou em cena e Metal Gear Rising, agora também Revengeance, voltou a estar em desenvolvimento, vendo agora em Fevereiro de 2013 a luz do dia.

E ainda bem porque Metal Gear Rising: Revengeance é simplesmente espectacular  gostem ou não de acção, lutas contra bosses loucos e uma boa dose de design japonês é realmente difícil imaginar um jogo melhor naquilo que quer ser como este. Obviamente se forem como eu vão encontrar alguma dificuldade em se adaptarem a um Metal Gear em que conseguem enfrentar enormes inimigos com uma espada e não com a cautela de Snake. São dois pólos completamente opostos do género de acção.

Basicamente e bastante resumido o jogador controla uma personagem chamada Raiden, um cyborg bastante conhecido na série basicamente por ninguém gostar dele em Metal Gear Solid 2 e toda a gente gostar dele em Metal Gear Solid 4. Visto na terceira pessoa, o objectivo é cortar outros ciborgues e todos os tipos de máquinas que vão aparecendo com a nossa espada.  O jogador pode fazer isso pelo encadeamento de combos entre ataques leves e pesados, bem como o bloqueio e evitando sempre que necessário ataques inimigos e finalmente após derrotar centenas de inimigos e bosses do outro mundo chegar ao fim do jogo, sem modos co-op ou multiplayer a complicar as coisas. O ecrã fica cheio de acção à medida que avançam pelos níveis graças à sua acção electrizante e a adrenalina vai crescendo. Infelizmente quando já conseguem largar o jogo ele acaba subitamente, deixando um sentimento difícil de explicar. Sem duvida que sentimos que o jogo é curto mas também que é um experiência super condensada que se fosse arrastada por mais alguns minutos poderia perder efeito. Mas veremos isso em maior detalhe a seguir.

A narrativa é a de um herói da sua vingança e inocência assim como o mal extremo que existe no seu mundo e não o deixa descansar. Há uma grande quantidade de referências a Metal Gear Solid (mau era senão existissem), sendo a história a seguir à de Metal Gear Solid 4. É uma surpresa agradável, uma vez que pessoalmente pensei que o foco na acção e a mão da Platinum Games iria prejudicar o elemento narrativo de Metal Gear e felizmente não foi o caso. A jogabilidade é tanto deliciosa como desafiadora,  até mesmo na dificuldade mais fácil, tendo a Platinum Games encontrado uma equilíbrio que é muito bem vindo. Sim é desafiante mas não se torna frustrante e isso é muito importante. Uma mecânica chave é a capacidade de abrandar o tempo e cortar um inimigo parado em centenas de pedaços com o analógico num número aparentemente infinito de direcções. Não é essencial, mas tal como todo o restante jogo é simplesmente espectacular e dá-nos aquele momento “over the top” a que a Platinum nos habituou. A nossa espada desliza nos inimigos como manteiga e é sem duvida um momento único que não vão ver tão cedo noutro jogo. Têm também a possibilidade de expandir as vossas habilidades conforme progridem, e têm a capacidade de equipar as combinações de habilidades que melhor respondem às vossas técnicas. Em termos de progressão não é nada que não tenhamos visto noutros jogos, mas a execução é feita sem qualquer falha. Os inimigos normais são divertidos e desafiadores sim, mas o que fica na memoria são os combates contra os bosses e esses são os verdadeiros desafios. São estas batalhas as que nos mantêm a jogar e nos farão voltar a jogar vezes e vezes sem conta.

Os bosses em Revengeance são surpreendentes. Cada um é único e memorável. Das armas bizarras que eles usam até à maneira em que eles desafiam as nossas habilidades, ou mesmo a forma como eles falam enquanto estamos a lutar contra eles aumentando o sentimento de justiça feita com os conseguimos vencer. Alguns podem fazer-nos repensar o nosso orgulho como jogadores, mas tudo muda para um “IN YOUR FACE” quando os conseguem vencer. A dificuldade vai aumentando e o ultimo boss desafia realmente o nosso orgulho enquanto jogadores, mas isso só torna a vitoria ainda mais saborosa. Uma mecânica comum no jogo, e algo que raramente é visto em outros jogos, é a interrupção do jogo para avançar a história. Essas sequências realmente ajudam o jogo a aproximar-se da experiência normal de MGS, especialmente de MGS4, de filme de acção interactivo. Detalhes sobre a história poderiam estragar completamente a experiência por isso vou manter as coisas bastante vagas. Vou apenas dizer que nota-se que a Platinum mostrou tanto respeito pelo franchise como Hideo Kojima mostrou ao longo dos anos. Lembram-se por exemplo dos detalhes que não poderiam ser revelados no lançamento de MGS4? Cuidados semelhantes foram tidos agora. Apesar de achar difícil voltar ao ritmo bastante mais lento dos outros Metal Gear e sempre que tiver que lutar contra um boss como Solid Snake ou Big Boss vou ficar com a ideia que Raiden o cortava todo em alguns segundos.

Tal como já referi no inicio, algo que os jogadores provavelmente vão ter alguma dificuldade em aceitar é a duração do jogo. É bastante curto. Excluindo segundos e terceiros playthroughs que não duvido que vão existir em praticamente todos os jogadores, porque o jogo é fantástico, o meu tempo de conclusão foi perto de quatro horas realmente a jogar e talvez 6 horas se contarmos tudo o resto. Pessoalmente gosto de campanhas relativamente pequenas que não nos dão espaço para respirar e é uma das razões porque gostei tanto de Revengeance, mas sei que muitos pensam o contrário, mesmo que tenham de sacrificar alguma adrenalina por alguns momentos mortos. Quando terminarem o jogo é bastante improvável que tenham desbloqueado todas as armas ou adquirido todas as actualizações disponíveis, o que é um grande incentivo para passar tudo de novo com uma maior dificuldade. Há ainda desbloqueáveis como notas, missões VR e pontuações para melhorar, mas a verdade é que o maior incentivo que vão ter para jogar novamente é a diversão. Metal Gear Rising: Revengeance é espectacular e isso é mais do que razão para o jogarem mais do que uma vez, especialmente porque até nem demora muito a fazê-lo. É uma experiência curta mas com acção muito condensada que não para desde o inicio até ao fim do jogo em que podem finalmente respirar fundo.

O aspecto do jogo é normalmente excelente sendo que apenas em algumas áreas nota alguns elementos datados. O detalhe em algumas sequências é um pouco carente, e alguns ambientes poderiam estar um pouco mais polidos. São pequenos pormenores, e nada de ficar muito preocupado, mas que se notam e devem ser focadas numa análise. Outra coisa que provavelmente vão notar é a banda sonora divinal. O jogo além de ter bom aspecto tem um som incrível, com sons de metal e rock pesados com um destaque particular e que ajudam a criar o ambiente. Se gostarem do género melhor ainda e é mais uma razão para gostarem ainda mais de Metal Gear Rising. É curto e os visuais têm um soluço aqui e ali sim, mas não há jogos perfeitos como é óbvio, mas se gostam de bastante acção e uma história dramática completamente “over the top”, então Metal Gear Rising: Revengeance é o vosso jogo do ano.

PC

A versão PC de Metal Gear Rising: Revengeance tem todos os pontes fortes e fracos das versões das consolas, com alguns pontos superiores. O principal problema da versão PC é o facto de os controlos rato e teclado não serem ideais. Apesar de ser uma versão PC irão precisar realmente de um comando para tirar proveito do melhor que o jogo tem para oferecer, como o da Xbox 360. A nível gráfico à algumas melhorias visíveis, correndo a 1080p com anti-aliasing e filtros nas texturas que não existiam nas versões das consolas. Isto não faz com que seja uma grande diferença e podia aproveitar melhor o hardware superior do PC, mas nota-se que houve um esforço, especialmente se pensarmos em outras adaptações da Konami que deixaram muito a desejar.

Mas o que melhor vem da versão PC é a relação qualidade preço, uma vez que além de sair a um preço reduzido, traz todos os DLCs lançados até ao momento, tendo eu muitas duvidas que venham a existir mais. Isto é óptimo pois o único problema relevante do jogo é a longevidade. Agora além das 4-5 horas da campanha têm acesso aos 3 DLCs. VR Missions que trazem 30 novas missões de realidade virtual. Jetstream, o primeiro DLC que expande a história e que conta como Sam se junta ao grupo Desperado. Este DLC traz consigo um novo desafio, sendo substancialmente mais difícil que a campanha graças aos melhoramentos na IA que tornam os inimigos mais agressivos e rápidos. Por fim Blade Wolf é o ultimo DLC que conta a história do robô que conhecemos a meio da história, o LQ-84i, antes de conhecer Raiden. A história é contada através de flashbacks, com LQ-84i a contar a história a Sunny.

Não existe nenhum jogo actualmente no PC a fazer exactamente o mesmo que Metal Gear Rising: Revengeance e os que fazem algo semelhante nenhum tem a qualidade deste. Portanto se são amantes do género esta é uma proposta difícil de recusar, mesmo que o port pudesse ter tido melhor trabalhado.

9.5/10

Tiago Roque

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