Análise The Banner Saga

The Banner Saga é um RPG táctico baseado em turnos de que já aqui falei por ser um dos primeiros jogos de sucesso a começar no Kickstarter. Jogadores são empurradas para um mundo Viking implacável e forçado a tomar decisões que determinam personagens e disponibilidade do equipamento, assim como a moral do grupo. Depois da nossa antevisão já tínhamos chegado à conclusão que The Banner Saga era um jogo fantástico, mas como ainda não tínhamos acesso ao resto do jogo não podíamos saber se a qualidade se mantinha durante toda a campanha.

O combate é bastante táctico e tentar resolver tudo com força bruta não é uma opção viável, e mesmo no inicio do jogo alguns dos combates são realmente desafiantes apenas desculpando um ou dois erros no máximo. Com dezenas de decisões a tomar durante todo encontro além posicionamento e ataque, aqui simplesmente eliminar um inimigo pode nem ser a melhor decisão. Devido ao sistema de que The Banner Saga utiliza, os inimigos podem ser mais úteis a gastar turnos enquanto estão aleijados e fracos do que simplesmente mortos.

À medida que as personagens vão evoluindo, torna-se crucial equilibrar as estatísticas base e a “força de vontade”. Durante o combate temos que nos preocupar com outros recursos como a armadura, habilidades especiais e potencial de quebrar a armadura. Há também uma série de personagens diferentes, com várias funções diferentes que se assemelham às classes que estamos habituados como tanques, ataque à distancia e outros guerreiros. Algumas destas personagens ocupam mais do que um quadrado e são responsáveis pela única falha gráfica de The Banner Saga. Algumas personagens são um pouco grandes demais e tapam por completo as unidades que ficam por trás.

A história é bem escrita e interessante mas entra em conflito com a progressão das personagens. Investir numa personagem pode ser um grande risco, mas necessário. Os pontos que utilizamos para subir de nível as personagens são os mesmos que utilizamos para comprar equipamento e armamento. Investir demasiado numa personagem que por razões da narrativa irá desaparecer pode ser um duro golpe, mas que não termos forma de antever.

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Grande parte da jogabilidade resume-se a viajar entre as várias cidades do jogo, com várias paragens pelo meio em que podemos interagir de alguma forma com o jogo. Neste aspecto o jogo é muito semelhante a clássicos como The Oregon Trail. Nestas paragens normalmente temos apenas que responder a algumas perguntas como se devemos comer bagas com um aspecto suspeito ou roubar alguns agricultores porque estamos a ficar sem mantimentos. Algumas destas escolhas afectam a história e podem retirar ou adicionar personagem ao nosso grupo. É importante pensar em quem enviar e quem proteger para tentar ao máximo manter as personagens mais fortes.

Estas opções são especialmente penalizadoras para quem não gosta de ler texto. The Banner Saga tem uma enorme quantidade de texto e como nunca sabemos o que as nossas opções irão fazer convém estar sempre atento. Algumas destas paragens não são apenas texto e há alguns combates pelo meio. Estes combates não fazem parte das batalhas da história e são importantes para recolher itens e moedas. Estas batalhas são opcionais mas não recomendo de todo que passem à frente de nenhuma. Pode acontecer terem que fugir de algum combate por serem demasiado difíceis mas fugir a demasiados torna o nosso grupo demasiado fraco.

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Os jogadores menos habituados a este género devem começar por uma dificuldade baixa. Podemos chegar a um ponto no jogo em que não conseguimos avançar mais pelo acumular de más decisões durante e fora do combate. Assim que uma das personagens sofre demasiado dano em combate tem que recuperar durante alguns dias, gastando recursos. Em dificuldades mais altas torna-se bastante difícil avançar e ter que recomeçar o jogo demasiadas vezes não é de todo divertido.

Se se lembram da nossa antevisão sabem que o que mais elogiei foi o grafismo. A minha opinião mantém-se, mas esta qualidade vem com um preço. A falta de variedade começa-se a notar quando vemos que maior parte dos inimigos começa-se a repetir e o numero de inimigos é capaz de ter menos variedade que os aliados. A profundidade da jogabilidade é incrível e apesar de algumas falhas é uma das melhores propostas do género. São cerca de 15 horas de jogo com partes aborrecidas mas na maioria de qualidade.

8.5/10

Tiago Roque

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