Análise: South Park: The Stick of Truth

É um RPG que irá agradar tanto a fãs do género, como a fãs do série como a grande maioria dos jogadores. A aventura dura cerca de 12 horas, o que pode ser pouco para um RPG, mas que mantém a qualidade durante esse tempo. O humor é constante e variado, mas que irá sem duvida apelar mais aos fãs da série do que aos restantes jogadores, no entanto, não posso deixar de recomendá-lo a todos em geral. Mas se são fãs da série irão realmente adorar Stick of Truth. Tem uma qualidade enorme, que não deve nada à qualidade da série.

Todos os cenários estão recheados de pequenas referencias à série que os fãs irão reconhecer facilmente. Outro aspecto impressionante é o grafismo. Seja em que plataforma for irão ver um aspecto visual que parece quase idêntico ao da série. Praticamente não existem menus, aparecendo apenas durante o combate e sempre que são precisos, como para abrir uma porta ou caixa. Existe uma quantidade enorme de conteúdo para ir buscar inspiração, pois South Park conta já com 17 temporadas e Stick of Truth é quase como um filme interativo.

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É bem provavelmente o mais perto disso que irá um dia acontecer. Outro aspecto que ajuda a manter uma qualidade altíssima em Stick of Truth é o facto de Matt Stone e Trey Parker, os criadores da série, terem um papel importante na criação do jogo. Tudo foi pensado por eles, desde a história à jogabilidade tudo foi pelo menos aprovado por eles. É pelo seu papel no processo de criação que praticamente não vemos diferenças entre o jogo e a série. Muitas vezes quando jogamos algo baseado numa série ou filme podemos ver que a história, personagens e até os cenários parecem pobres ou deslocados no produto original, mas aqui podemos ver que ambos remam na mesma direção.

Tal como já referi, o grafismo é quase igual ao da série, imitando o estilo característico de figuras 2D recortadas. É realmente impressionante a semelhança. No que toca ao jogo em si, é um RPG com quatro classes. Fighter, Mage, Thief e Jew. Logo aqui podemos encontrar o humor tão característico de South Park, com o judeu a ser uma classe. As primeiras três classes são auto-explanatórias. Um lutador, mago e ladrão fazem o mesmo que em praticamente todos os outros RPGs. Sendo assim, resta o judeu que é uma classe avançada que aumenta de dano quando menos HP tem, algo que certamente pode ser entendido como uma piada.

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A jogabilidade é sem duvida mais simples e menos profunda que a maior parte dos RPGs atuais, mas não vejo isso como um ponto negativo. Não acho que uma maior complexidade iria ajudar a tornar o jogo melhor. Ele já é fantástico como é. Podem sentir que o combate se torna um pouco repetitivo com o tempo. Pouco mais temos que um ataque corpo a corpo, um à distancia, colocar a personagem em modo defensivo, alguns itens e habilidades. Todos os ataques precisam que se carregue numa tecla no momento certo para que a eficácia seja maior, mas tudo isso acaba por saber a pouco. Felizmente quando se começarem a sentir assim é sinal que o jogo está a acabar e eu acho que o mercado precisa de mais jogos assim. Nem todos os jogos precisam de ser altamente complexos.

Alguns podem ser mais acessíveis, regenerando a vida depois de um combate por exemplo como Stick of Truth faz. Existem muitas quests secundarias, personagens para conhecer e para adicionar como amigos na “rede social” que funciona como menu principal. Aqui podemos ver as quests, mapas e personagens que vamos conhecendo. O único problema que tenho com este menu é o facto de não nos ajudar realmente a ir até onde temos que ir. Adicionar amigos traz alguns bónus que nos mantêm motivados para os continuar a adicionar, para explorar o jogo e encontrar mais personagens.

Como o jogo não nos ajuda realmente a encontrar o caminho é importante ir procurando e falando com as personagens para encontrar o caminho. O facto de o mapa ser difícil de navegar é o único problema que encontro em South Park que pode irritar os jogadores. Tudo o resto é quase como pegar no de melhor os RPGs têm e eliminar quase tudo o que pode causar alguma frustração.

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Mesmo os debuffs que vamos apanhando como a arder ou envenenado desaparecem depois de um combate, havendo apenas um permanente e que serve apenas para razões de humor e deixo para vocês descobrirem. As armas e equipamentos têm um factor humorístico bem maior que utilitário. Por vezes continuei a usar uma arma ou armadura porque era simplesmente cómica mesmo que tivesse algo no meu inventário mais forte.

A customização da personagem é também hilariante e existe uma quantidade de opções enorme tanto em forma como em cor. Podemos realmente criar uma personagem com que nos identifiquemos.

Tiago Roque

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