Análise: Destiny

Destiny é um jogo que apesar de ser uma evolução, não se afasta o suficiente para ser algo tão diferente que destrói convenções estabelecidas. A história por exemplo, apesar de conseguir apresentar um plano de fundo bastante interessante, no que toca à narrativa é desinspirada e não é razão para continuar a jogar. As personagens não são minimamente distintas e interessantes e nenhuma delas fica na memória.

Apesar de ser relativamente fácil perceber o que vai acontecendo e ligar os acontecimentos, não chegamos a perceber o porquê das nossas ações e a evolução na história parece acontecer em pequenos saltos e não numa linha. A isto acrescenta-se o facto de numa progressão de jogo normal em Destiny não completarmos as missões da história de forma seguida, pois temos que evoluir através de PVP, missões secundárias e raids, perdendo um pouco do foco.

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Mas apesar das minhas criticas neste aspecto, este é dos poucos aspectos do jogo que irei criticar. Assim que começamos o jogo iremos ficar maravilhados com o aspecto. Na PS4, onde analisei o jogo, é um regalo para os olhos, não só graças ao bom grafismo, mas tudo o que o rodeia, especialmente a iluminação efeitos visuais e animações. Por cada zona pouco interessante e vazia há duas ou três que são uma maravilha de explorar.

Depois do impacto visual vem o som e a atmosfera e intensidade do jogo melhora ainda mais. A exploração torna-se mais misteriosa e o combate mais épico. A musica é óptima e adapta-se sempre à ocasião e as vozes são óptimas.

Destiny no seu estado atual é óptimo, mas é a promessa do que virá no futuro que é realmente “nextgen”. Destiny é um FPS num universo persistente com bastante conteúdo. Temos uma campanha de duração média que irá satisfazer os jogadores quando quiserem jogar a solo, apesar de poderem jogar todas essas missões em coop, temos missões realmente coop de todas as formas e feitios, para níveis baixos, médios, altos e mais do que isso e por fim temos o PVP que sem grandes inovações é sólido e divertido.

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Muitos irão ficar desiludidos pelo nível máximo ser apenas 20, mas assim que começarem a jogar vão ver que isso não é um problema. Assim que atingirem o nível 20, a evolução torna-se diferente, baseando-se não em experiência, mas em pontos de luz que fazem parte de uma das estatísticas das peças de armadura, sendo possível atingir um nível bem superior a 20.

Apesar de cada mapa não ser tão grande como poderia ser, podemos explorar uma área vasta da Terra, Marte, Venus e a Lua. Mesmo que cada uma dessas áreas não ser tão grande como muitos gostariam, com todos os planetas somados há muito para explorar. Infelizmente, grande parte destes cenários são hostis. Não há espaços para relaxar sem ser na torre dos guardiões, uma zona separada na Terra onde encontramos as lojas e outros guardiões.

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Aquele que eu consideraria o melhor aspecto de Destiny é a jogabilidade. Não me lembro de um jogo em que as armas sejam tão satisfatórias de usar. Todas elas têm um equilíbrio perfeito entre poder e usabilidade. As armas poderosas têm um grande recoil e portanto apresentam um risco quando o tiro falha. A quantidade de munições para estas armas mais poderosas, as heavy, que englobam metralhadoras pesadas e lança rockets, é muito mais limitada. Nos modos PVP por exemplo é apenas disponibilidade ocasionalmente e para o jogador que chegar mais rápido.

A IA durante grande parte do jogo é mediocre. Os inimigos parecem ser incapazes de flanquear e deixam que o jogador recupere atras de uma parede sem terem grande interesse em acabar com um inimigo quase a morrer. No que toca aos inimigos normais, a dificuldade acaba por vir dos números e de inimigos mais fortes, protegidos com escudos por exemplo.

No entanto os bosses podem ser realmente desafiantes. A IA parece melhorar um pouco e quantidade de dano que absorvem, juntamente aos inimigos normais que vão aparecendo no decorrer do combate, tornam estas batalhas bastante intensas. Os inimigos são variados e inspirados, com algumas raças e vários tipos de soldados em cada uma, no entanto não existem diferenças entre inimigos da mesma raça e classe.

Apesar da solides do jogo, acaba por saturar um pouco pois o jogador acaba por fazer exatamente o mesmo independentemente do objectivo e localização. Apesar de tudo é limitado aquilo que se pode fazer num FPS. Vamos ali e disparamos, vamos a outro sítio e disparamos contra algo diferente. A história não ajuda como já expliquei e as missões secundárias que podiam ajudar a explicar o bom lore que existe no jogo, baseiam-se em pequenos objectivos sem qualquer inspiração.

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Os modos competitivos não são muito inovadores, mas ajudam a prolongar a longevidade do jogo. Existem modos deathmatch em equipas, todos contra todos e com equipas mais pequenas 3vs3 que achei interessante, pois ajuda a criar rotinas e a ideia de ter uma equipa de três a trabalhar de forma coesa é interessante. Existem ainda modos com veículos e o modo de captura de zonas que é provavelmente o mais popular. Os mapas estão muito bem construídos, tirando partido de todas as classes.

A forma como podemos comprar equipamento lendário faz com que jogar estes modos seja mais apelativo. Temos que evoluir um nível crucible e adquirir pontos (limitados a 100 por semana) de forma a adquirir equipamento lendário, ou esperar que este calhe em loot, o que é raro.

 

Tiago Roque

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