Análise: Akiba’s Trip: Undead & Undressed

Akiba’s Trip: Undead & Undressed é a prova definitiva de que os RPGs japoneses são aqueles com ideias mais originais. Podem falhar em tudo o resto, e as ideias podem ser originais mas ridículas, mas a originalidade ninguém lhes pode negar. Ao olhar para as imagens do jogo é difícil perceber que o tema principal aqui são vampiros. Na realidade, este é um jogo em que vão ter que despir os inimigos, para os derrotar, uma premissa que, quando combinada com uma porção saudável de cultura oriental e música electrónica, é difícil resistir.

Os pontos a favor de Akiba’s Trip: Undead & Undressed, começam com a recriação fiel de Akihabara, o conhecido distrito da tecnologia em Tóquio, que é preenchido com ruas movimentadas e becos. O jogador assume o papel de um rapaz de 17 anos de à procura de um emprego, até que se transforma num personagem vampiresco conhecido como um “Synthister”. A partir daí, torna-se claro que nem tudo está bem na Akiba, com os rumores a espalharem-se que pode haver algumas criaturas à solta, o que como já sabemos é bem verdade.

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Com esta parte relativamente explicada não é preciso grande salto lógico para perceber que temos que tirar tirar as roupas aos inimigos para os expor ao sol que como todos sabemos não faz maravilhas à saúde das “sanguessugas”. Os “Synthisters” são capazes de ter uma vida diária normal, mas devem permanecer coberto com roupas, a fim de permanecer vivos. Como tal, a fim de derrotar esses inimigos, o jogador deve danificar suas vestes. Como também fazemos parte da mesma raça, também estamos sujeitos aos efeitos negativos do sol, e temos que garantir que permanecemos vestidos em todos os momentos. É um sistema ridículo que pega num pequeno pormenor destas criaturas míticas e cria todo um sistema de combate à sua volta.

O combate em si desenrola-se como um tradicional beat-’em-up, mas existem alguns elementos de RPG acionados para adicionar um pouco mais de profundidade tanto na jogabilidade como no personagem. Com todas as suas opções de ataque mapeados para os botões do comando, não há uma curva de aprendizado enorme, qualquer pessoa pode entrar e começar a descascar roupas, talvez seja das poucas ocasiões em que esta afirmação não tem um sentido perverso.

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Há muito mais no jogo do que isso, como um grupo extraordinariamente cliché de amigos. Este jogo é composto pelos suspeitos do costume, o inteligente, o menos inteligente, o interessado no amor, os amigos do sexo masculino, e, claro, o que está a chantagear a irmã mais nova. Há algumas vozes soberbas no jogo, tanto em japonês como Inglês e as personalidades são tão bem escrito que é possível perdoar o typecasting.

Fora do combate, a história varia um pouco conforme algumas opções de diálogo que vamos fazendo. Estas decisões não só afetam os relacionamentos, mas também irão adaptar o resultado da viagem final para Akiba. Infelizmente, o jogo é uma desilusão a nível técnico. Para começar, uma caminhada em torno Akiba é uma experiência agradável, até que a framerate começa a baixar e começa a roçar o injogável. Não ajuda também que o jogo leva uma eternidade para carregar cada vez que passamos de uma parte da cidade para outra. Viagens rápidas faz aliviar alguns destes problemas, mas há uma abundância de missões que são simples missões de busca, o que exige passar várias vezes de zona.

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Se conseguirem olhar através destes problemas, também não há muito o que fazer no mundo de Akiba que não envolve rasgar roupas ou à espera de um ecrã de carregamento. Ser um membro de um grupo de vigilância de bairro, podem aceitar missões de habitantes na cidade para fazer algum dinheiro extra, que pode ser trocados por itens adicionais para melhorar o personagem. Mas o local onde o jogo se passa é óptimo e o mais perto que muitos iremos ficar do mítico distrito japonês.

Tiago Roque

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