Análise: Hard West

Hard West poderia ser descrito como um XCOM com cowboys, mas isso não lhe faz justiça. Apesar de ser semelhante, nota-se um verdadeiro esforço em fazer algo diferente. Hard West também não oferece a mesma experiência de jogo no que toca às repercussões da evolução das personagens. Enquanto que noutros jogos do género o objectivo acaba por ser a criação de um grupo forte que nos acompanha do início ao fim da campanha, em Hard West acaba por resumir muito mais ao sucesso ou insucesso de cada combate.

O jogo encontra-se dividido em cenários, cada um deles com personagens e cenários diferentes. Apesar de termos de completar os cenários para desbloquear os seguintes, todos eles encontram-se relativamente bem encapsulados em arcos narrativos. Todo o progresso das personagens é também perdido ao completar um cenário. Apesar de todos eles fazerem parte de uma narrativa envolvente, se conseguirem uma arma muito forte num dos cenários, mesmo que o seguinte mantenha essa personagem não irão manter o nível e arsenal dessa personagem.
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Em termos de temática, este é também um jogo muito diferente de XCOM, misturando o oeste americano cheio de cowboys, revolveres e carabinas com demónios e oculto. Esta mistura tem resultados variados e podia ser muito melhor aproveitada. O jogo mal explora o ambiente do faroeste quando introduz os elementos de fantasia, para depois nem sequer utilizar essa temática para algo não atmosférico ou narrativo.

Narrativamente falando, este elemento de Hard West funciona. A personagem que faz um acordo com o diabo para ter a sua vingança, os demónios que dominam a exploração do ouro e tudo num ambiente pouco habitual nos videojogos tornam Hard West num jogo com uma atmosfera bastante única. Nota-se que há um grande esforço em criar esta atmosfera, mas depois entramos no jogo. Vemos os demónios com os seus cornos e auras vermelhas, o cenário a mudar para se tornar infernal, mas depois tudo se resume ao mesmo combate de armas contra armas. Acaba por não fazer grande sentido.

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No que toca ao desenrolar do jogo as comparações com XCOM são merecidas. É um jogo de estratégia por turnos, mas com muitos elementos RPG. Temos também um sistema de cobertura e morte permanente que dependendo das definições pode implicar a repetição da batalha em que nos encontramos ou até do cenário completo. O jogador e a IA dividem os turnos a tentar eliminar-se um ao outro, existindo obviamente alguns objetivos extra.

Ocasionalmente temos de libertar alguns aliados ou encontrar armamento. Alguns destes funcionam como desafios, como por exemplo tentar completar a batalha sem ser detectado pelo inimigo. Antes da batalha propriamente dita temos a navegação no cenário. Aqui podemos visitar várias localizações sem se iniciar nenhum combate. O objectivo aqui é como um livro interactivo. Visitar localização X, ler algumas frases, escolher uma de várias opções e depois receber A, B ou C. Escolham matar todos os reféns de um banco e podem ser feridos e começar a próxima batalha com menos 2 de vida por exemplo.

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Nesta fase do jogo o principal objetivo é melhorar a personagem e o grupo em si, ganhando dinheiro para melhorar o arsenal por exemplo. Ocasionalmente as nossas ações vão trazer mais companhia para o nosso grupo. Estes são elementos não essenciais, ou seja, caso morram em batalha não irão falhar a batalha ou cenário.

Antes de iniciar o combate podemos verificar tudo em termos de armamento e habilidades. As personagens não têm habilidades próprias, existindo cartas que podemos atribuir às várias personagens e que vamos adquirindo no jogo. É aqui que vem a grande maioria dos elementos demoníacos, apesar de a maioria ser apenas algo do género de ganhar 1 ou 2 de vida por turno.

Hard West é um bom jogo, mas não é interessante o suficiente para longos períodos de jogo, apesar da originalidade do tema, a história é pouco original e as personagens têm a profundidade de uma colher de chá. É um jogo que vive da qualidade do combate que até essa varia de cenário para cenário, havendo até alguns combates aborrecidos. Mas se são fãs de XCOM ou Jagged Alliance este é uma boa proposta, com um tema diferente e algumas ideias originais em termos de mecânicas de jogo.

Tiago Roque

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