Análise: Rogue One: Uma História Star Wars

O Despertar da Força foi um filme da série Star Wars fantástico. Depois da desilusão das duas primeiras prequelas pelo menos, voltarmos a ver caras conhecidas e finalmente o futuro das personagens que tornaram Star Wars aquilo que é hoje foi um dos pontos altos de 2015.

Rogue One por um lado não aborda nenhum tema novo. Todos sabíamos que os planos da Death Star tinham sido roubados por rebeldes mesmo que não soubéssemos bem como. Rogue One pouco mais nos mostra do que exatamente o como.

A primeira coisa que tenho a dizer sobre Rogue One é o quanto se parece como um filme das prequelas. O tom do filme pode vacilar aqui e ali, mas ver este filme assemelha-se à trilogia original mais do que qualquer outro. Existiu um esforço enorme para conseguir fazer-lo, com personagens de Revenge of the Sith a regressarem, outras até a regressarem dos mortos e depois toda uma estética e ambiente , que é realmente difícil de explicar, que transpira Star Wars.

A história segue Jyn Erso, começando na sua infância, quando é separada dos pais por causa do Império. O seu pai Galen Erso é um dos cientistas do Império, mas fugiu com a sua familia por razões ideológicas. Alguns anos mais tarde é descoberto, mas já tinha preparado a sua filha para essa possibilidade. Quando voltamos a focar-nos em Jyn já ela tem por volto de 25 anos. Com uma adolescência conturbada entre revolucionários encontramo-la numa prisão do Império, sendo resgatada por forças da resistencia que pretendem encontrar Saw Gerrera um amigo revolucionário que tomou conta dela quando era criança e contactar ou eliminar o seu pai. Contar mais do isto seria demasiado spoiler para um filme Star Wars.

A história pode não trazer grandes surpresas. Todos sabíamos já que o roubo dos planos tinha que ser um sucesso, mas o tom do filme é bem mais negro do que aquilo que eu estava à espera, especialmente porque os direitos pertencem à Disney. Conhecendo a forma como a Disney tenta agradar ao maior publico possível e como tenta sempre capitalizar no máximo de licenças e personagens possíveis, Rogue One foi surpreendente.

Rogue One é também surpreendente noutro aspecto. Este é talvez o primeiro filme a realmente trazer um actor, ou pelo menos o seu aspecto fisico e outras aparências, de volta dos mortos. Sendo este um filme que cronologicamente encaixa exatamente no inicio de A New Hope, todas as personagens importantes desse filme já o eram no universo Star Wars neste momento da história. O principal destaque vai para Tarkin interpretado por Peter Cushing. A personagem icónica de um grande actor está assim de volta em forma de tributo. Infelizmente a tecnologia ainda não permite que não se note a diferença entre um actor real e um CGI. Todos os restantes personagens tratam Tarkin como qualquer outro, havendo conversas directas entre Tarkin e Orson Krennic, o principal vilão. Apesar de apreciar o gesto e ter sido uma enorme surpresa acaba por ser uma distração sempre que aparece, mas é com experimentação que se atinge perfeição e ainda bem que se tomou este passo.

Apesar de o resultado final ser realmente bom, o facto de a diferença ser tão notória, é difícil de saber qual a opinião de alguém que veja este filme sem conhecer os restantes ou já não se lembre bem da trilogia original por exemplo. Quem não conheça a personagem ou o actor não perceber o porquê de esta personagem em particular ser CGI. Mas este é sem duvida um filme para os fãs. A quantidade de easter eggs é tanta que só pode ser um filme virado para os fãs e esses vão perceber porque Tarkin é CGI.

O elenco de Rogue One está recheado de talento, mas não posso dizer que todas as personagens sejam memoráveis. Excepto a personagem de Donnie Yen, Chirrut Îmwe, que tem bastante carisma e irá certamente ficar na memória, todas as outras são personagens com quem não criei grande ligação durante o decorrer do filme. Não que sejam más personagens, sem motivação e planas, simplesmente não há tempo para criar uma ligação. Por outro lado não fiquei convencido com Felicity Jones e Mads Mikkelsen. Talvez não tenha ficado convencido com as personagens em si, mas também não acredito que ambos tenham dado o melhor de si. Mads Mikkelsen por exemplo fez um trabalho bem melhor em Doutor Estranho.

Também não sei até que ponto o plano de lançamentos da Disney não irá diminuir o valor da marca Star Wars. Cada lançamento da serie sempre foi um evento e aquilo que não sabíamos andava sempre envolto numa névoa de mistério que tornava o universo da serie tao mais interessante. Mas agora, temos filmes planeados para os próximos 5 anos, perdendo-se a imaginação e ganhando-se explicação para todos os pequenos e grandes eventos da familia Skywalker e da galáxia muito muito distante à muito muito tempo.

Tiago Roque

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