Análise: Assassin’s Creed

A reputação de filmes baseados em video jogos não é a melhor e merecidamente. A maioria deles simplesmente sào maus filmes, enquanto que outros podiam ter lançados no pico da sua popularidade. Assassin’s Creed e Warcraft são exemplos disso. Os dois já estiveram melhores em termos de popularidade, portanto o filme poderia ter saido à alguns anos.

Mas o problema de Assassin’s Creed não é ter siado com atraso, é a qualidade medíocre de todo o filme. Quem nunca jogou um jogo da serie vai achar o filme mau, mas quem jogou vai simplesmente odiar. A narrativa é uma experiência de minimalismo e as linhas de diálogo parecem ter sido pensadas para não cansar muito as cordas vocais dos actores.

Todo o filme se baseia na ideia de mostrar em vez de dizer e esse é o seu maior problema e talvez uma virtude, uma pobre virtude mas uma virtude se pensarmos que maior partes dos filmes adaptados de videojogos tem saturado quem o está a ver com lore. Mas não deixa de ser um problema para quem quer ver um bom filme e não um preludio para o próximo caso exista. Os estúdios parecem esquecer-se que para uma sequela existir o primeiro tem que ser minimamente bom.

Mas comecemos pelo principio. A ideia geral é que o filme faz parte do mesmo universo dos videojogos e que ambos partilham algumas personagens. Quando pensamos sobre uma cena do filme em especial em que aparecem personagens dos jogos não faz muito sentido mas muito neste filme não faz sentido.

O filme começa com Aguilar, interpretado por Michael Fassbender, a fazer o juramento de Assassino no século 15 em Espanha, mas rapidamente avançamos para o século 20 para descobrir que os pais do descendente de Aguilar também eram assassinos e estavam a ser perseguidos pelos Templários na atualidade e que para não serem capturados o pai assassina a mãe e pede ao filho para fugir. Quando voltamos ao descendente ,Cal, também ele interpretado por Fassbender como seria de esperar, já se passara, mais 30 anos e encontramos-lo numa prisão a ser executado.

Obviamente acaba por não ser executado sendo em vez disso transportado para um edifício da Abstergo onde tem um Animus à sua espera. É essencialmente aqui que o filme começa a piorar. Primeiro o Animus presente no filme não faz qualquer sentido em termos práticos, apesar de escondido lá atrás estar um Animus 2.0. Apesar de ser válido o argumento que no cinema funciona melhor este Animus do que o dos jogos e que esse talvez colasse demasia este filme ao Matrix a realidade é que se simplesmente passassem mais tempo no passado tudo isto seria resolvido.

A primeira cena do filme é talvez completamente desnecessário e apela apenas aos fãs dos jogos. Os jogadores irão perceber o porquê do corte do dedo mas para os restantes não faz sentido e nunca é explicado. Isto é valido para outros elementos do filme. A própria maçã nunca é explicada devidamente. Assassin’s Creed com todas as suas qualidades e defeitos sempre fez uma coisa muito bem, misturar história real com ficção, mas o seu filme não o consegue fazer. Toda a história no passado além de pouco interessante resume-se a umas poucas cenas de ação. Não passa de Fassbender a fazer cosplay a fazer parkour numa Espanha medieval que também parece ter deixado a cor nos jogos.

Vamos falar de cor. Os jogos da série sempre nos apresentaram estas cidades vibrantes, recriações vivas do passado, com personagens interessantes e ambientes coloridos. O filme apresenta-nos uma Espanha onde parece que está sempre fumo. Personagens no passado que podiam ser bem exploradas são remetidas para um quase silencio que não dá espaço para qualquer tipo de desenvolvimento das personagens.

Tiago Roque

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