Análise: La La Land

Claramente um favorito para os Óscares La La Land é sem duvida um filme diferente. Pela narrativa, interpretações e execução é um filme fantástico, mas graças à originalidade e também pela coragem do final torna-se memorável e um justo vencedor de algumas estatuetas.

Tanto Emma Stone como Ryan Gosling já conseguiram interpretações dignas de Óscares seja por Birdman do caso de Emma Stone ou Half Nelson no caso de Ryan Gosling, mas em ambos os casos esta é a sua melhor performance e consegue-se sentir o empenho e dedicação que ambos coloraram aqui, com ambos a além de serem actores a terem que interpretar as musicas deste musical e dançar, com a agravante que Ryan Gosling teve ainda que aprender todos os maneirismos de um pianista, ficando a ilusão bastante realista.

Enquanto filme La La Land tem mais pontos em comum com o cinema clássico que o inspirou do que com Blockbusters actuais, com ambos os actores a cantarem e dançarem lembrando por vezes cenas clássicas de Fred Astaire,apesar de não ser um filme de época, o enquadramento e fotografia fazem-no parecer quase um, lembrando os anos mais glamourosos de Hollywood.

Num filme deste género é também a qualidade das musicas que separam o bom do excelente e La La Land tem uma boa serie de musicas capazes de se aguentarem na Broadway durante anos. Mas aquilo que principalmente separa este filme da concorrência é o seu final. O distanciamento de um final feliz à Hollywood e dando-nos algo diferente, aquilo que não deixa de ser para muitos um final feliz mas que não é de todo um final normal à Hollywood.

Este final é aquilo que torna La La Land o filme que é, mas o melhor de La La Land é o lado pior do ser humano. A forma como abandona-mos sentimentos para nos sentir-mos realizados e o filme acaba por reflectir isso. Mostrando-nos antes do fim aquilo que poderia ter acontecido caso as duas personagens tivessem ficado juntas. O futuro seria semelhante se Sebastian simplesmente tivesse acompanhado Mia para Paris, mas o golpe de génio é o filme levar-nos para um lado, mostrar-nos o fim à Hollywood que todos queremos para logo a seguir o retirar e deixar-nos com a realidade e com a ausência de um final feliz. Tal como em Whiplash a problemática é que a criação artística implica uma dedicação quase exclusiva que não deixa espaço a grandes relações. Tem também o Jazz como ponto comum com Whiplash a presença do grande J.K. Simmons no papel do dono do restaurante onde Sebantian é despedido.

La La Land é um musical que apesar de ter a sua dose de magia está enraizado na realidade, onde as coisas nem sempre correm bem. Sebastian e Mia lutavam ambos por concretizar os seus sonhos, mas apenas se encontraram um ao outro, com ambos a encontrarem motivação no outro para finalmente ambos cumprirem os seus sonhos, mas no fundo foi também isso que causou a sua separação. A química entre Emma Stone e Ryan Gosling é inegável e La La Land consegue ser memorável em todas as suas vertentes.

Tiago Roque

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