Análise: Knack 2

Knack 2 não foi propriamente o jogo melhor recebido do lançamento da PS4. Na altura do seu lançamento dei-lhe um 7 em 10, podem ler a análise aqui. Hoje talvez lhe desse um pouco menos, mas na altura gostei principalmente da simplicidade. Knack é um jogo que não tenta ser muito mais do que um simples platformer de ação de um estilo muito semelhante a muitos jogos do género que saíram na altura da PS2, sem nunca complicar as suas mecânicas ao longo do género, criando uma experiência de jogo sem grandes curvas de aprendizagem e zonas frustrantes. Isto como é óbvio não foi apreciado pela maioria dos jogadores e quando aliado a uma personagem sem grande carisma tudo se complicou e Knack acabou por ser um flop de vendas, ou pelo menos assim a internet nos fez acreditar.

Foi portanto com grande surpresa que vemos Knack regressar e pessoalmente, ainda bem que assim fez. Deixei-me primeiro deixar uma coisa bem explicita. Knack 2 é superior ao seu antecessor em todos os aspectos. A simplicidade que eu gostei no primeiro continua relativamente presente. Há uma árvore de evolução da personagem que acrescenta alguma profundidade à jogabilidade assim como algumas mecânicas novas, mas o jogo faz um papel tão bom de nos relembrar de como tudo funciona que se torna até demasiado babysitting para o jogador. Mas no fundo continua a ser um jogo bastante simples e linear. E não há nada de errado com alguma linearidade, nem tudo tem que ser altamente imersivo e com múltiplas formas de abordagem. Há experiências que devem ser simples e fáceis de entrar e gastar algumas horas.

Tudo o resto que se podia criticar no primeiro foi corrigido ou melhorado nesta sequela. Knack continua a não ser uma personagem tão carismática como Jak ou Ratchet mas não deixa de ter a sua piada. Continuo sem perceber bem porquê é que a sua personalidade parece mudar ligeiramente com o seu tamanho. Se bem se lembram Knack pode aumentar de tamanho recolhendo pequenos artefactos espalhados pelo mapa e ao clique de um botão largar tudo e tornar-se bastante pequeno. Em termos de mecânica de jogo não tenho grandes criticas a fazer, simplesmente funciona, mas a sua personalidade devia ser a mesma e não ser adorável quando pequeno e uma ameaça equivalente ao Hulk quando recolhe alguns artefactos. Mas, adiante.

Se existe um problema nesta mecânica é que entra um pouco em conflito com a linearidade do jogo. Gostava de por vezes recolher mais artefactos e sentir-me mais poderoso do que devia ou o oposto, mas o jogo garante e obriga que somos sempre do tamanho exacto para cada situação. É uma critica que eu já tinha no primeiro jogo e que continuo a sentir isso mas em menos quantidade. Os companheiros humanos que fazem parte da história também estão sub aproveitados. O modo coop por exemplo poderia usar um humano e variar a jogabilidade de forma instantânea entre o super poderoso Knack e um humano, mas eu ficaria já satisfeito com um papel mais activo destas personagens, pois na grande maioria dos casos é que estas estão apenas em plano de fundo e parecem quase desaparecer e voltam a aparecer mais à frente no cenário vindos de uma qualquer atalho.

A história é um aspecto que também não teve grande melhoria aparente. Tecnicamente Knack 2 é solido. A jogabilidade é polida e pessoalmente não me lembro de um jogo de plataformas em que o controlo da personagem fosse tão preciso como em Knack 2. O combate também é surpreendentemente bom. Não está obviamente ao nível de um Arkham mas num registo mais simples para um publico mais jovem é realmente bom. Todas as áreas técnicas se destacam, não fosse o responsável máximo do jogo um dos arquitectos da PS4.

Knack 2 é substancialmente melhor que o primeiro jogo. Melhora em quase todos os aspectos, apesar de em alguns as melhorias sejam diminutas. A história continua a ser um ponto fraco e apesar de a linearidade não ser um problema nesta caso, acho que um  pouco de mais atenção ao detalhe tornaria logo o jogo melhor. A jogabilidade é bastante sólida e as sequenciais de platformer são do melhor que a PS4 tem para oferecer. A árvore de evoluções traz alguma profundidade bem vinda ao jogo que até aumenta a probabilidade de eu repetir o jogo. Knack 2 traz ainda consigo um bom modo coop que é uma grande experiência para os pais com filhos ou até para amigos jovens ou irmãos. Mas aquilo que Knack continua a não ter é carisma. Knack é apesar de tudo uma personagem aborrecida e essa era a minha maior critica ao jogo anterior e tenho pena que seja das poucas a não ter qualquer melhoria nesta sequela.

Tiago Roque

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