Análise: Dead by Daylight

Dead by Daylight é um jogo de sobrevivência de terror multijogador online que coloca um jogador no papel de assassino e quatro outros no papel de sobreviventes. Em termos de mecânicas de jogo este é talvez o jogo com o conceito mais original a ser lançado recentemente, naquilo que é uma evolução natural da ideia base do jogo Evolve. Além de Dead by Daylight apenas Friday the 13th, recentemente lançado e que também irá ser aqui analisado, utiliza o mesmo conceito. O conceito de caçador e presa é uma ideia refrescante que se junta aos restantes MOBAs e Shooters que dominam o mercado, trazendo algo de genuinamente diferente.

Sem qualquer tipo de modo história, Dead by Daylight é completamente baseado num modo multijogador online mas conta com alguns modos de tutorial que são realmente úteis apesar de obtusos. Estes modos ensinam-nos tudo o que precisamos de saber mas não há nada como pegar no jogo e aprender. Jogar como sobrevivente é completamente diferente de jogar como assassino. Enquanto que um tem toda uma invencibilidade a ser favor, os outros tiram partido da agilidade e furtividade. Enquanto sobrevivente não têm acesso a qualquer tipo de armas, no entanto têm a ajuda de alguns itens que ajudam a fugir ou salvar companheiros. Os objectivos dos dois são também bastante diferentes. Os sobreviventes têm que primeiro activar uma série de geradores espalhados pelo mapa que activam um portão que dá para a saída. O assassino tem por sua vez que impedir tudo isto. O seu objectivo é explorar o mapa e caçar todos os sobreviventes. Os passos a seguir enquanto assassino são um pouco mais complexos apesar de tudo. Ele tem que encontrar os sobreviventes que se encontram espalhados pelo mapa, conseguir acertar-lhes com pelo menos dois ataques para que estes vão ao chão, pois o primeiro apenas os deixa a cambalear um pouco, e depois levar-los às costas até uma das garras espalhadas pelo mapa onde os tem de pendurar. Para que isto conte como um sacrifício, cada adversário tem de ficar um longo tempo pendurado enquanto é consumido pela entidade que é invocada.

É o assassino que acaba por ser o trabalho mais estratégico. O jogador neste papel não tem muita mobilidade, não podendo saltar ou correr por exemplo. Cada ataque que difere também tem que ser bem certeiro pois a seguir a cada ataque com o sem sucesso terá de esperar alguns segundos até se poder mover novamente, portanto é preciso fazer com que os ataques contem realmente ou o sobrevivente consegue facilmente fugir. Os sobreviventes além da agilidade superior e itens como a lanterna que ajudam ao cegar temporariamente o assassino ajudam a fugir ou a salvar um companheiro, têm a ajuda do própria cenário. Saltar por janelas ou empurrar pedaços de madeira espalhados pelo mapa são estratégias que normalmente acabam numa fuga de sucesso. O assassino acaba por ter mais sucesso num sacrifício se simplesmente ficar à espera que os restantes jogadores venham salvar o jogador a ser sacrificado, no entanto se a equipa souber realmente jogar em conjunto facilmente salva o outro jogador.

No que toca a ser um jogador de terror podemos dizer que no inicio o jogo é realmente aterrador. O som ambiente é arrepiante e ver um assassino sobrenatural a aparecer de repente pode ter um efeito assustador. No entanto à medida que vamos jogando este efeito acaba por ir desaparecendo, especialmente quando jogamos muito tempo enquanto assassino e vamos reconhecendo as suas limitações. Um jogador mais experiente que sabe exactamente as limitações do assassino pode explorar todas elas e não dar qualquer tipo de hipótese, mantendo a distancia e ir marcando a sua posição para que os restantes jogadores possam ir aos geradores. Esta limitação do assassino acaba por ser o verdadeiro calcanhar de Aquiles do jogo. Enquanto jogado com uma equipa que conhece o jogo mas não aprofundou as suas limitações o jogo é divertido, bastante divertido até, quando jogado contra sobreviventes que sabem o que estão a fazer o jogo torna-se bastante difícil e frustrante, ficando o jogador no papel de assassino limitado a ganhar pontos com perseguições e outras pequenas formas de pontuar.

Disponíveis estão também uma boa quantidade de personagens sejam elas sobreviventes ou assassinos, mas o destaque vai obviamente para os assassinos que são conhecidos de todos. O jogo além de ser a versão jogável de um qualquer slasher, tem também uma boa quantidade desses slashers mais conhecidos, com a óbvia excepção Jason que está presente no seu próprio jogo. Dead by Daylight tem ainda um bom sistema de progressão que vai buscar algumas ideias roguelite com uma árvore de evolução com um factor forte de aleatoriedade. Sempre que o jogador sobe de nível com uma personagem pode gastar os seus pontos numa série de melhorias que podem depois ir sendo utilizadas. Para aproveitar este sistema ao máximo o jogador tem também de subir até certos níveis para poder utilizar mais itens. Subir de nível é relativamente rápido e quando se consegue completar um dos objectivos diários, que também são acessíveis, temos um verdadeiro boost de pontos que nos permite tornar o nosso assassino uma verdadeiro máquina de matança e tornar o jogo mais equilibrado quando jogamos contra sobreviventes experientes. Este bónus diário refere-se normalmente a um assassino especifico ou a um sobrevivente, pelo que ajuda o jogador a ir explorando várias personagens, pois cada uma tem uma evolução em separado.

Tiago Roque

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