Análise: Friday the 13th

Friday the 13th e Jason são dos elementos do sub-género slasher do género cinematográfico de terror mais reconhecidos. Infelizmente no que toca a videojogos, as adaptações têm sido tudo menos perfeitas. Os poucos jogos baseados nos filmes têm sido horríveis, mas posso garantir que este novo esforço é pelo menos largamente superior. A mecânica de jogo é muito semelhante ao aqui analisado Dead by Daylight, e por consequência ao jogo que praticamente deu origem a este género, Evolve.

Tal como no jogo referido acima, os criadores do jogo conseguiram capturar a essência do assassino.Jogar como Jason é fantasticamente divertido. Obviamente dizer que é divertido andar pela floresta a matar jovens é apenas aceitável no contexto de um jogo e dizer que Friday the 13th é o jogo onde podem explorar as vossas tendências homicidas parece um bocado mal, mas o conceito está simplesmente bem conseguido. O problema é que ao contrário de Dead by Daylight , aqui não podemos escolher jogar como assassino. Além disso cada jogo tem muitos mais jogadores do que no jogo concorrente. Se DbD também fosse aleatório a probabilidade de jogar como assassino seria de 20%, no entanto em Friday the 13th é apenas 12.5%. Isto quer dizer que em teoria podem passar uma semana a jogar 8 horas por dia e nunca jogarem como Jason.

 

Além do problema de jogarmos pouco tempo como Jason, a jogabilidade enquanto sobrevivente é simplesmente aborrecida, especialmente se não estivermos a jogar com amigos que comuniquem bem. Jogar como Jason é talvez ainda mais divertido do que jogar como assassino em DbD. Não precisamos de arrastar os sobreviventes para um gancho e ficar à espera que a entidade os devore, aqui basta apanhá-los e assassiná-los de formas mais e mais satisfatórias à medida que vamos evoluindo e desbloqueando novas formas de assassínio. Mas ser sobrevivente é também largamente menos interessante do que em DbD. O objectivo aí é simples e facilmente conseguimos focar-nos na tarefa em questão, mas aqui temos que percorrer o mapa para encontrar itens específicos num mapa muito maior e com muito mais sítios para explorar.

Para sobreviver, os jogadores que não são Jason têm de escolher fugir de carro, barco ou ligar para a polícia. Cada um destes diferentes objectivos têm em comum uma série de itens que temos de encontrar no cenário. Seja de carro ou  barco, o jogador precisa de três itens. Por exemplo no carro precisa das chaves, bateria e combustível. Estes podem estar em qualquer lado e o jogador precisa de procurar em todas as casas e em todas as divisões por eles. Quando existe comunicação entre os jogadores tudo se torna mais simples porque quando alguém encontra um dos itens e não precisa dele pode sinalizar a outros que andem à procura dele e assim tornar a tarefa bem mais simples, mas são raros os momentos de comunicação entre jogadores.

Existe ainda a possibilidade de matar Jason, algo que exige uma série de passos que estão relacionados a acontecimentos dos filmes e que irão soar familiares aos fãs. No entanto para conseguir este feito a comunicação entre os jogadores tem que ser ainda maior, logo se não tiverem um grupo de amigos acho que é preferível ignorar esta possibilidade. Na maioria dos casos os jogadores irão procurar algum armamento que apenas lhe permite ganhar algum tempo para fugir de Jason e das suas habilidades sobrenaturais.

Em termos de conteúdo também não acho que esteja ao nível da concorrência. Existem algumas versões diferentes de Jason, cada uma com pontos fortes e fracos, mas no geral são a mesma personagem. A evolução das personagens também não está tão bem conseguida como a de DbD. Podemos evoluir Jason e os sobreviventes mas o sistema é um pouco mais limitado, mas consegue ser um pouco menos aleatório e isso joga a seu favor. A opção de cenários também é pouco curta. São apenas três mapas inspirados nos vários filmes. Os mapas são ligeiramente aleatórios para dificultar a tarefa dos sobreviventes e são bastante grandes, mas a variedade é curta.

 

Friday the 13th é sem duvida uma criação de fãs. A atenção ao detalhe e ao lore dos filmes é louvável, mas a execução podia ser melhor. A detecção de colisão por exemplo é fraca, os braços e cabeças dos outros jogadores atravessam as paredes ocasionalmente  e num dos jogos que fiz fui lançado por uma janela aberta e morri. O problema não foi morrer, porque fui lançado por Jason, mas não houve impacto suficiente na animação para causar a morte da personagem. Jogar como Jason é o ponto alto do jogo e pelo menos até a jogabilidade dos sobreviventes se tornar mais interessante ou o jogo nos deixar escolher, Dead by Daylight acaba por ser na minha opinião uma proposta superior.

 

Tiago Roque

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