Análise: Pequena Grande Vida

Pequena Grande Vida é o mais recente filme de Matt Damon e oferece mais do que tudo um conceito forte. Para resolver o problema do excesso de população uma equipa de cientistas está a estudar à anos uma forma de reduzir um ser humano para uma percentagem minúscula do seu tamanho actual. A descoberta é revolucionaria, mas apenas uma pequena percentagem da humanidade adere a ser encolhido. O maior atractivo para a transformação não é no entanto ajudar o planeta, mas sim a conversão monetária. Quando alguém aceita ser encolhido, todos os seus bens e dinheiro são convertidos para o equivalente nas cidades de pessoas pequenas, o que basicamente torna qualquer pessoa da classe média em milionário.

O filme está no seu melhor quando funciona como critica social à classe média e à forma como confunde a felicidade com riqueza. Infelizmente apenas o primeiro acto consegue esse efeito. Todo a primeira metade do filme é brilhante. A introdução às personagens, a forma como a relação de Paul e Audrey evolui do entusiasmo inicial e a desilusão que muda por completo o filme e a apresentação de todo um mundo novo e um conceito forte que funciona. No entanto à medida que o filme vai passando para um lado mais emocional que mistura na mesma o comentário social deixa de funcionar.

Nem todos nas cidades de pequenos humanos são ricos. Alguns humanos foram forçados a serem diminuídos, como a personagem de Hong Chau que foi encolhida na prisão e faz parte da comunidade pobre que é feita maioritariamente de latinos que parecem ter sido encolhidos na maioria para entrar facilmente nos EUA e subir na vida, mas a maioria acabou com problemas de saúde e vive agora pior. Novamente a critica continua a ser contra a classe media, uma vez que acompanhamos a vida de Paul e a forma como ele fez um sacrifício para subir na vida e acabou por ficar exactamente igual, mas há quem viva bem pior. Até aqui o filme mantém o interesse, no entanto mal acaba de nos mostrar tudo isto transforma-se num filme de viagem com as personagens a viajarem para a colónia original na Noruega, ficando vazio e sem ideias. A romance entre Paul e Ngoc é doce mas demasiado inocente e toda a narrativa após este ponto é inconsistente tornando um filme bom em algo sem identidade.

Isto tudo não quer dizer que o filme seja mau. No limite temos aqui meio filme razoável e meio filme excelente, mas depois temos também pequenas coisas que me foram distraindo e me foram afastando do filme. O CGI em todo o filme é pobre, ou simplesmente utilizado demasiado e da forma errada. Tudo no ecrã vai parecendo mais falso a cada cena e o CGI mais e mais reconhecível à medida que vamos tendo mais atenção à imagem. Outro problema é a interpretação de alguns actores no início do filme, algo que desaparece ao longo do filme. A personagem de Hong Chau tem também demasiado sotaque, sendo quase uma caricatura em alguns momentos e ajuda a prejudicar a segunda metade do filme. Mas há boas ideias em Pequena Grande Vida, especialmente quando serve como critica social e mesmo com o CGI relativamente fraco consegue ser um bom filme, especialmente na primeira metade.

Tiago Roque

Leave A Comment