Análise: The Solus Project

Poucos devem ser aqueles que se lembram de The Ball, um misto de jogo de ação na primeira pessoa com um jogo de puzzles lançado há algum tempo já e que mostrou algum potencial e ideias originais apesar das limitações que advinham do orçamento. Apesar de à primeira vista nada ter em comum, The Solus Project é a sua sequela espiritual.

Os jogadores que saltaram mais cedo para o VR estão à espera de experiências profundas com mundos ricos e contam boas histórias  e mais do que tudo experiências imersivas. A primeira coisa que se torna aparente em The Solus Project é a atmosfera. Desoladora, sinistra e pouco convidativa, o jogo tem como palco um planeta alienígena sobre o qual o jogador se encontra abandonado. Os primeiros elementos de jogabilidade tornam-se evidentes à medida que o jogador precisa de encontrar comida, água e abrigo. Isso requer algo que se torna cada vez mais essencial para a experiência de jogar The Solus Project, a exploração.

O jogador basicamente começa a explorar o planeta, descobrindo os remanescentes de uma misteriosa civilização alienígena, explorando extensos túneis e encontrando artefatos que melhoram as suas estatísticas e tornam a sobrevivência mais fácil. Como resultado, os elementos de crafting e sobrevivência tornam-se menos relevantes, até que acabam sendo mais uma distrairão irritante. A falta de qualquer tipo de mapa significa que esses vastos túneis se tornam um labirinto e todo esse aspecto do jogo acaba por se tornar bem mais uma altura de frustração do que de bons momentos. As ruínas alienígenas revelam gradualmente a história. Há pouco diálogo, então quase tudo é revelado através da observação, algo que pode também não ser muito apelativo a todos os jogadores mas que resulta muito bem, especialmente num jogo principalmente pensado para VR.

É também nesta altura que  The Solus Project gira um pouco a sua temática para o terror. O ambiente assustador presente desde o início aumenta e  embora não haja combate real, e pouquíssimos jump scares assustadores a percepção de que a civilização alienígena pode não estar tão morta quanto pensávamos e as ruínas claustrofóbicas  aproximam-se do jogador à medida que este tenta resolva os puzzles do jogo, algo onde The Solus Project se revela bem próximo de The Ball.

Os pontos fortes de The Solus Project estão sobretudo na sua atmosfera, no entanto o jogo acaba por revelar alguns problemas sobretudo na procura de uma identidade. O jogo oferece muita coisa, desde a sobrevivência a puzzles e survival horror, acabando por se perder nas suas próprias ideias e não assumindo uma identidade sólida. Os elementos de sobrevivência presentes desde o início são largamente descartados a meio do caminho mas continuam a existir apesar de inúteis, algo que é o exemplo perfeito da inconsistência que referi. A falta de tutorial e mapa também pode causar frustrações consideráveis e interromper a imersão. No entanto The Solus Project acaba por oferecer mais de bom do que de mau e irá certamente agradar ao publico VR que ainda não tem muito melhor nesse mercado.

Tiago Roque

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