Análise: Razer Phone

Uma nova geração de Smartphones começa a aparecer, apesar de ninguém parecer ter pedido por ela e neste momento também não parecer fazer muito sentido. Os jogos para mobile são ainda uma sombra do que são para outras plataformas e o mercado em si é um mercado que os verdadeiros jogadores não levam muito a sério. Pouco importados com isso estão a Razer e a Asus que lançaram e anunciaram respectivamente verdadeiras bombas de performance.

Apesar de ser um aparelho simplesmente fenomenal no que toca à performance não há algo que salte logo à vista no Razer Phone. Outros Smartphones como o primeiro iPhone foram revolucionários e isso notava-se logo à primeira vista, mas o Razer Phone é revolucionário de uma forma bem mais subtil, estando a revolução contida quase toda no seu interior apenas com uma excepção, o ecrã. Mal ligamos pela primeira vez o Razer Phone notamos que algo é diferente. Não são bem as cores e a resolução também parece ser semelhante à que já vimos noutros dispositivos, mas quando começamos a utilizar realmente o dispositivo vemos qual é a diferença. O Razer Phone traz consigo uma brutalidade de ecrã capaz de 120Hz que é responsável pela suavidade de utilização que não tem par, nem mesmo com no recentemente anunciado ROG.

Mas em outros aspectos o Razer Phone não parece um dispositivo que custa cerca de 800€. O design, a duração da bateria e especialmente a câmera não estão a par com o iPhone mais recente ou o Samsung Galaxy. Mas quando estamos nesta gama de preços não estamos obviamente a falar de uma câmerarealmente má, simplesmente é inferior à concorrência na mesma medida que estes são inferiores se compararmos o ecrã e performance. O design por outro lado acaba por ser subjectiva. Não posso dizer que o design do Razer me tenha impressionado assim que o retirei da caixa. É um design sólido e simples que não arrisca, mas que também o torna um pouco aborrecido de olhar. Mas a câmera é o seu pior aspecto. O aplicativo da câmera do Razer Phone demora a responder e as fotos em pouca luz são claramente fracas. Sem estabilização ótica de imagem que é já um padrão na maioria dos telefones neste gama de preços, são muitas as fotos inutilizáveis.

O software da Razer também torna o blues tão azul e verde tão verde que céu claro e grama recém-aparada parecem ter sido filmados com um filtro Instagram super saturado, e o recurso HDR da câmera está tão quebrado que eu recomendo que você o retenha completamente. Demora mais de um segundo para processar cada imagem, bloqueando-o para fora da câmera a cada vez, e os resultados sempre ficam pior com HDR do que sem.

E, embora o zoom óptico funcione, é hostil para o usuário: basta pinçar para aplicar zoom no local exato para ativar a segunda câmera, e o telefone não informa onde ele está. Eu tive que literalmente colocar o dedo na frente de uma câmera e zoom até que meu dedo apareceu na imagem. É importante, porque há uma tremenda diferença de qualidade quando você consegue o zoom corretamente:

O Razer Phone foi pensado para os jogadores. É isso que a marca diz nas suas promoções e as especificações do dispositivo mostram isso mesmo. Além disso, o aplicativo Game Booster da Razer permite que o utilizador defina a velocidade máxima de clock do processador e a taxa de atualização do ecrã para cada app criando uma jogabilidade mais suave e até mesmo corrigindo bordas irregulares com o antialiasing. A maioria dos jogos recentes funciona com os 120Hz apesar de isso não ser verdade para todos os jogos.

No entanto o Razer Phone sofre do mesmo problema que todos os dispositivos deste género irão sofrer. O mercado de jogos para Smartphones, seja em que loja for, começa apenas agora a receber algumas experiências premium que se assemelham ao que podemos encontrar no PC ou consolas, sendo a grande maioria dos jogos que habitam tanto a Play Store como a App Store experiências largamente inferiores. Além disso os criadores precisam de nivelar estes jogos e são poucos aqueles que realmente aproveitam as capacidades máximas do Razer Phone. Isto não quer no entanto dizer que o Razer Phone seja um mau investimento. Mesmo que nenhum jogo tirasse partido do poder do dispositivo, a estabilidade e rapidez que ele oferece é uma enorme mais valia.

Um aspecto em que o Razer Phone me impressionou verdadeiramente foi na qualidade som que oferece. As colunas dos Smartphones do mercado são geralmente terríveis. Pequenas, estridentes, distorcidas e fracas são o normal em quase todos eles. Além disso são terrivelmente fáceis de abafar acidentalmente com a mão. O Razer Phone é a exceção à regra com um par de alto-falantes estéreo que oferecem um som alto, claro e acima de tudo de uma profundidade de som que me impressionou. Esta excelente qualidade som por outro lado vem com o problema de ser o aspecto que mais contribui para o tamanho do dispositivo e para o design que lhe dá um aspecto datado na minha humilde opinião.

Mas se nem sempre é o smartphone mais bonito de se olhar, segurar é uma coisa completamente diferente. O Razer Phone tornou-se um dos smartphones mais confortáveis que usei. É um smartphone altamente leve, acho que qualquer um pegue num vai ter a mesma surpresa que eu tive. Tendo em conta o que tem dentro e a robustez que aparenta, o peso quase que não combina com o que os nossos olhos vêm. Além disso a posição dos poucos botões e sensores que tem é simplesmente ideal. O leitor de impressões digitais na lateral é dos mais rápidos que usei e a posição é a mais natural, bem mais natural que atrás e até na parte inferior do ecrã. Os botões de volume por outro lado podem não agradar a todos devido ao seu tamanho minúsculo, no entanto para quem houve musica o numero de cliques acidentais no volume é quase nulo aqui.

Tiago Roque

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