Análise: Antigraviator

Existem géneros que estão completamente saturados. FPSs, RPGs, MOBAs entre outros existem aos montes, mas se me pedirem para numerar um jogo de corridas futuristas a verdade é que pouco mais me irá ocorrer do que Wipeout, portanto foi com alguma surpresa e entusiasmo que recebi Antigraviator, um jogo em tudo semelhante ao Wipeout, com a principal particularidade não ser um exclusivo PlayStation e poder ser jogado no PC.

Quem conhece o género sabe que existem dois pontos que têm que ser quase perfeitos, uma sensação de velocidade soberba e controlos o mais perfeito que se pode conseguir. Sem estes dois elementos na perfeição não há muito que possa salvar um jogo do género e Antigraviator acerta nesses dois elementos. Mesmo que tudo o resto fosse mau, apenas por acertar onde tinha que acertar os criadores merecem já um aplauso. A sensação de velocidade está perfeita e isso não seria possível de atingir sem um esquema de cores fantástico, bom grafismo e uma componente técnico muito forte. A jogabilidade é também cuidada e manobrar a nave a altíssimas velocidades é fácil. Não fácil no sentido de o jogo ser fácil, mas sim fácil no sentido de conseguirmos com que a nave faça o que nós queremos. Dominar as pistas e conseguir boas pontuações é uma coisa completamente diferente.

Antigraviator não tem limite de velocidade, portanto com um pouco de treino e memória das pistas é realmente fácil atingir velocidades altíssimas que por sua vez nos obrigam a reflexos quase perfeitos em instantes. As pistas estão carregadas de pontos de boost instantâneos e acumulativos que podemos depois utilizar quando necessário. O tempo de recarregamento destes pontos também é bastante rápido, dando para a maioria das naves em jogo, o que torna as corridas frenéticas e caóticas, pelo menos até ao ponto em que as primeiros quatro ou cinco naves ganham alguma vantagem.

Ao contrário de Wipeout onde temos uma mecânica de armas parecida com um jogo de karts, em Antigraviator temos uma mecânica de armadilhas que na minha opinião é o pior aspecto do jogo. Sei que os criadores tinham alguma necessidade de criar algo que fosse um pouco diferente do que já existe e apesar de não ser bem o mesmo sistema, o jogo Split/Second utiliza uma mecânica com algumas ideias parecidas com bons resultados, mas Antigraviator é um jogo de percursos com várias voltas e quando uma armadilha é utilizada por um jogador os restantes ficam privados de qualquer hipótese de contra-atacar até à volta seguinte. Além disso o uso das armadilhas é limitado e o efeito também. No fundo é uma ideia interessante mas que parece ter sido introduzida a correr e não muito elaborada.

Um aspecto forte de Angraviator por outro lado é a customização. Os jogadores podem alterar a cor das naves e trocar algumas partes que permitem pequenas modificações de velocidade ou manobrabilidade por exemplo. Em termos de conteúdo, Antigraviator conta com quinze pistas que podem ser percorridas de modo inverso também. Estas pistas estão espalhadas por cinco mundos diferentes que têm cada um uma temática diferente, o que traz bastante variedade de conteúdo ao jogo.

Antigraviator acaba por ser um bom jogo, com muita variedade visual e que além de ser apelativo visualmente, se joga realmente bem. Nem todas as ideias funcionam da melhor forma é verdade, mas as armadilhas são uma pequena parte de um  jogo realmente bom que os fãs do género vão adorar.

Tiago Roque

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