Análise: Three Fourths Home: Extended Edition

Three Fourths Home: Extended Edition não tem muito de Extended, podendo ser acabado em menos de duas horas mesmo com o conteúdo extra. No entanto não posso dizer que tivesse jogado este jogo se esta edição não existisse e fosse lançada na Switch. Chamar jogo a Three Fourth Home por outro lado é um exagero considerável, uma vez que pouco mais é do que uma aventura interactiva que pouco mais tem do que um ecrã na história principal e outro no preludio que dá o nome de Extended a esta edição.

O “jogo” começa com uma pequena viagem de carro. A nossa personagem sobre quem nada sabemos começa uma viagem de carro num ambiente ventoso. A seguir começa um telefone que irá demorar todo o jogo, sendo esse telefone o próprio jogo. O jogador tem como único papel acelerar o carro e escolher linhas de diálogo. Enquanto que o segundo traz algum retorno, acelerar o carro pouco mais faz do que obrigar o jogador a carregar num botão permanentemente.

Three Fourths Home é portanto a sua história. Não há nada mais além disso. A história que o jogo conta poderia ser contada em qualquer media e nem sequer me parece que este seja o melhor. Não há nada além de texto e qualquer tipo de elogio que eu pudesse dar a outros aspectos do jogo são aqui quase impossíveis. O grafismo minimalista e a direcção de arte têm as suas virtudes mas Three Fourths Home está tão despido de elementos de jogo que é realmente difícil analisá-lo como isso. Apesar disso consigo encaixá-lo numa categoria em que está longe de ser o melhor exemplo, competindo com jogos como The Last Day of June ou Everybody’s Gone to the Rapture e perdendo em todos os aspectos.

A história em si é críptica, não oferecendo qualquer fim e com significados escondidos em metáforas das suas personagens. As personagens por si e que conhecemos apenas através de diálogo também são tudo menos consistentes. Ben, o irmão da personagem principal, por exemplo aparenta ser uma criança que tem gosto pela escrita, mas quando mostra um dos seus trabalhos, esse é de uma maturidade muito superior aquilo que uma criança escreveria, por muito dotada que fosse.

No fundo Three Fourths Home parece ter boas ideias, mas que precisariam de muito mais para sobressair. Uma curta metragem de animação, um jogo com melhor orçamento ou até uma novela gráfica seriam medias muito superiores para contar esta história que no seu formato actual parece deixar apenas promessas.

Tiago Roque

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