Análise: Pillars of Eternity 2: Deadfire

Não há falta de escolhas  em Pillars of Eternity 2: Deadfire. A sequela do excelente RPG Pillars of Eternity e que desta vez é centrada em piratas. Algumas das escolhas do jogo anteriores voltam para causar estragos ou vantagens, graças à possibilidade de importar o jogo guardado do jogo anterior. Os jogadores que apenas agora se juntam ou não tenham um save anterior podem escrever a sua própria história antes de começar a aventura.

Há uma enorme quantidade de conhecimento e atividades para absorver em Deadfire e felizmente o jogo faz um trabalho muito bom a apresentar tudo, trabalho esse que é em tudo superior ao que foi feito no primeiro Pillars. A perspectiva top down é complementada com modelos 3D maiores e mais detalhados para os membros do grupo. Cada linha de diálogo é totalmente expressa e com uma boa actuação, sendo o trabalho de voz a razão pela qual a escrita de Deadfire parece bem melhor do que a do original., mas o facto de o enredo ser menos sombrio também ajuda. O jogo anterior centrou-se numa praga de crianças nascidas sem almas e uma sangrenta cruzada, Deadfire é mais mais heróico e épico com uma demanda por tesouro e mares para explorar.

Ainda há momentos sérios e arrepiantes no  jogo mas há uma sensação de aventura distinta desta vez, comparado à jornada sombria do primeiro Pillars. O combate foi também renovado em Deadfire, mesmo que não seja especialmente diferente do primeiro jogo. O jogador comanda magos e assassinos em tempo real a partir de uma perspectiva isométrica. Classes diferentes têm habilidades diferentes, mas as restrições sobre essas habilidades são distribuídas uniformemente entre as personagens. Os sacerdotes só podem lançar um par de magias do mesmo nível por batalha mas recebem esses lançamentos de volta no final de cada encontro em vez de apenas quando o grupo descansa, como no original.

Os Chanters geram o equivalente a mana, emitindo buffs passivos e debuffs. Essas ações úteis recompensam Chanters com lançamentos de feitiços efetivamente ilimitados que podem paralisar os inimigos ou invocar dragões para lutar. É uma coisa poderosa. Os Ciphers por outro lado causam dano bónus com cada ataque básico. Quando o fazem, geram MP para habilidades que desorientam, dominam e explodem os inimigos. A desvantagem é que ambas as classes demoram algum tempo a preparar-se, embora isso não pareça muito prejudicial na maior parte do tempo. O aumento de nível também oferece pontos para gastar em habilidades fora de combate, como a diplomacia. E os pontos de cada membro do grupo normalmente contam para verificações de tais habilidades.

O jogador pode definir a dificuldade de Deadfire, o que ajuda a tornar o jogo bastante equilibrado tendo em conta a preferência pessoal do jogador. O cenário é um lugar fascinante e se o tema piratas for um dos vossos favoritos, como é o meu caso, a realidade é que não há jogos sobre piratas suficientes no mercado. O cenário tropical também oferece um bom pano de fundo para a intriga cultural, com as diversas tribos presentes no mundo do jogo. Deadfire não tem um medidor de moralidade para as suas decisões. Em vez disso, possui escalas de reputação para diferentes personagens e grupos. Uma personagem do jogador pode ser conhecida como gentil ou implacável, um amigo de uma fação e inimigo de outra e por aí fora.

Os combates marítimos é outra nova adição de Deadfire e o pior aspecto do jogo. As batalhas desenrolam-se inteiramente em turnos em um menu quase sem recursos. Ao contrário do combate padrão, não há nada que indique as chances de sucesso, por isso é difícil avaliar qual das opções é a melhor em cada momento. Deadfire resolveu um problema do seu antecessor de loot excessivo, mantendo o funcionamento mas adicionando um novo nível de profundidade nessa ideia, com todo o equipamento de nível médio que se recolhe de navios capturados a ser apenas uma pilhagem para vender no próximo porto. É um sistema muito mais ativo e satisfatório do que ganhar dinheiro passivamente. O dinheiro que se ganha vendendo tralha inútil pode ser usado em equipamentos com características únicas. sendo importante para complementar a força cada vez maior do grupo.

Cada centímetro de Deadfire está recheado de surpresas. É um mundo gigante que funciona e está vivo. A jogabilidade é também excelente, com a excepção do combate marítimo e o jogo é um passo em frente relativamente ao seu antecessor.

Tiago Roque

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