Análise: City of Brass

O género roguelike tornou-se um dos mais usuais da indústria  com nomes como Spelunky e um dos meus jogos favortios, The Binding of Isaac a definir as principais regras do género. Uma característica que liga os principais jogos do género é o facto de serem todos 2D, com elementos retro, uma jogabilidade simples e no geral poucos elementos dos jogos atuais, mas City of Brass promete uma experiência bem mais refinada e atual. City of Brass é um  Roguelike 3D  na primeira pessoa que se inspira nos visuais árabes para moldar um mundo cheio de perigos e desonestidade. Equipado com um chicote e uma espada, o jogador explorara uma cidade gerada aleatoriamente habitada por vários inimigos e armadilhas com o objectivo principal de apenas chegar ao final de cada labirinto.

O chicote é a mecânica que define o jogo e permite que o jogador faça duas coisas diferentes. Em primeiro lugar, pode usar o chicote para atordoar um inimigo, o que lhe permite fechar a brecha e atacar com sua espada. Devido à quantidade de adversários que podem estar a perseguir o jogador a qualquer momento, isto torna-se  importante pois permite que o jogador impeça que qualquer inimigo chegue perto demais. Em segundo lugar, o chicote pode ser usado para puxar os rivais na nossa direcção e é aqui que as armadilhas se tornam uma vantagem.  Em vez de evitá-las, enganar um inimigo e lançar-lo numa armadilha é altamente satisfatório.

Os principais combatentes que o jogador encontra assumem a forma de esqueletos, cada um equipado com as suas próprias espadas, escudos e arcos. Nos níveis posteriores introduzem-se génios malignos que atiram bolas de fogo mas, geralmente é um exército de esqueletos que enfrentamos. Estes são bons inimigos mas depois de enfrentar o mesmo modelo de personagem pela centésima vez, as coisas começam a ficar um pouco desinteressantes. Dada a variedade que a mitologia árabe tem para oferecer é realmente uma oportunidade perdida que tudo tenha ficado por esqueletos e génios.

Embora existam alguns que optaram por se alinhar com os esqueletos, há outros génios dispostos a ajudar o jogador com itens e regalias que podemos encontrar em cada nível e, usando as moedas que colectamos para comprar  mercadorias. O jogador pode comprar um pouco de saúde ou pagar para que todas as armadilhas do nível atual sejam desativadas por exemplo. Com ainda mais vantagens, os génios podem oferecer ajuda. Os génios são uma adição bem-vinda ao jogo, pois ajudam a misturar as coisas com bónus aleatórios que o farão desejar que um certo privilégio apareça quando mais precisamos. Este elemento de aleatoriedade é comum no género e para dizer a verdade está bem implementado aqui.

City of Brass traz consigo os sistemas e armadilhas do género, mas também alguns ajustes e mudanças agradáveis. O jogo é estruturado em torno de uma sequência de 13 níveis, que depois são divididos em grupos de três, com um boss conhecido como Gatekeeper no final de cada um. Se o jogador morrer antes de chegar ao boss será mandado de volta para o começo do jogo. No entanto, se  conseguir vencê-lo e continuar progredindo, o próximo respawn após uma morte o levará ao sitio onde morreu o Gatekeeper anterior. Através de portais colocados no início do jogo, o jogador pode saltar um certo número de níveis se quiser apenas progredir. Para os melhores jogadores há a opção de ignorar esses portais e começar o jogo novamente desde o início.

Outro mecanismo que beneficia os jogadores são as bênçãos e fardos que são selecionados no início de um jogo e que são modificadores que podem tornar a experiência mais fácil ou ainda mais difícil. O jogador pode aumentar a sua saúde, diminuir a quantidade de inimigos e desabilitar completamente armadilhas, aumentar a velocidade de movimento do inimigo e todo um rol de outras coisas. É um pequeno recurso que permite dimensionar e ajustar o desafio à medida que o jogador se torna melhor no jogo e acabam por tornar o jogo bem mais acessível que outros do género.

Infelizmente, o final do jogo deixa um pouco a desejar e do início até ao final dura provavelmente cerca de duas horas. Esta é a duração normal de um roguelike mas dado que City of Brass tem alguma componente narrativa podia ser um pouco mais longo. Há uma classificação persistente em todas as etapas, o que permite alguma competição online, mas no geral este é um jogo que depois de completado e dominado dificilmente oferece mais do que o que o jogador recebe nas primeiras horas.

Tiago Roque

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