Análise: Venom

Venom tem estado em desenvolvimento à muito tempo, talvez até antes de a Sony pensar em criar o seu próprio universo de filmes Marvel e ainda antes de ter feito um acordo com a Disney para partilhar os direitos do Homem-Aranha. Infelizmente esse tempo nota-se no resultado final, que parece ser um filme que poderia facilmente ter sido lançado à vários anos e mesmo em termos de imagem e design de cenário podia muito bem fazer parte dos anteriores filmes do aranha, The Amazing Spider-man. O propósito deste universo da Sony é difícil de perceber, especialmente depois da reacção que o esforço conjunto da Sony e Marvel teve, mas o lucro falaram mais alto e mesmo depois dos últimos esforços a solo da Sony terem sido falhanços, Venom chega aos cinemas e os planos para o futuro são enormes.

Sem poder contar com o Homem-Aranha, a história de Venom é bastante diferente daquela que conhecemos. A companhia The Life Foundation faz parte da sua pesquisa no espaço e aí consegue recolher vários espécimes que pretende trazer para a Terra para estudar, mas o regresso corre mal e a nave é destruída na reentrada, com a The Life Foundation a conseguir resgatar todos os espécimes excepto um, Riot. Eddie Brock é um jornalista como na história que conhecemos mas a forma como é “infectado” por Venom é um pouco diferente. Depois de ter arruinado a sua vida numa reportagem sobre Carlton Drake, o CEO da The Life Foundation, Eddie tenta redimir-se e mostrar que tinha razão invadindo os laboratórios da empresa e é aí infectado. O resto da história fica para descobrirem a ver o filme, mas a história em si é fraca e infelizmente também o resto do filme.

Indo pelas várias componentes podemos começar pela actuação. Tom Hardy é um excelente actor e que raramente consegue brilhar nos seus papeis, estando tantas vezes atrás de uma máscara que acaba por ser um desperdício do seu enorme talento. Tom Hardy é também o ponto mais forte do filme e no que toca a actuações é infelizmente o único que se destaca. Todos os restantes actores e actrizes apenas conseguem fazer o que o guião lhes permite e aqueles que encaixam nas personagem para que foram escolhidos, raramente têm tempo de ecrã suficiente. Digo isto também porque a maioria não encaixa de todo nos papeis em que estão, com o maior destaque e erro ser Riz Ahmed enquanto Carlton Drake.

A realização também deixa bastante a desejar. O tom do filme anda por todo o lado sendo menos agressivo do que deveria ser e bem mais cómico do que devia e nunca saber exactamente em que momento ser o quê. Venom poderia ser um filme objectivamente melhor se fosse rated R e apesar de nem sempre isso ser o caso, a violência excessiva ia beneficiar em muito este filme. Todas as cenas em que Venom arranca a cabeça de alguém e a camara simplesmente corta para a reação de alguém apenas tornam a montagem e realização parecer ainda pior do que é e acreditem que o facto de praticamente todas as cenas do filme serem de noite já prejudica o filme em demasia. Não tenho nada contra cenas de acção nocturnas mas, Venom é preto e preto num cenário escuro não funciona.

Nos aspectos ainda mais técnicos temos que falar do CGI e banda sonora. A banda sonora foi apenas mais uma desilusão no filme, com temas que nunca me pareceram encaixar com o filme. Além de ser um fã de metal, se havia um filme em que esse estilo funcionaria era aqui e na grande maioria a banda sonora é indicada para um filme que não é o que estamos a ver. O CGI é outro aspecto técnico que nunca atinge as marcas desejadas. Algumas cenas são realmente boas, mas são raras e na grande maioria o CGI tem mau aspecto e explica porque razão o filme é tão escuro, simplesmente não havia confiança suficiente no CGI.

Apesar destes problemas, Venom sofre principalmente de problemas de enredo. Existem demasiadas inconsistências e saltos de lógica para que a história seja pelo menos mais credível que os cenários ou o CGI. A forma como Venom passa de irracional e monstruosa criatura do espaço para cómico companheiro de Eddie não faz qualquer sentido por exemplo e esse é o culminar de outro punhado de más opções. É com muita pena minha que Venom reapareça neste estado no cinema, especialmente porque sei que com mais calma e abertura da parte da Sony o resultado teria sido muito, mas muito, melhor.

Tiago Roque

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