Análise: Aragami

Aragami é um novo olhar sobre o gênero stealth, um género que na sua forma mais pura tem caído em termos de popularidade e que não tem tido a atenção realística que devia em jogos furtivos como Dishonored por exemplo. Séries como Metal Gear Solid e Thief são exemplos deste gênero que quando é bem implementado consegue ser muito diferente ao que jogamos normalmente e oferecer uma abordagem à ação que devia ter lugar em quase todos os jogos de ação na sua forma mais aprimorada e nunca como um sistema secundário que é vista como uma alterativa chata.

Aragami é um espírito sombrio encarnado da vida após a morte, convocado pela Princesa Yamiko por causa de um vingança não cumprida na vida. Ele deve salvá-la das garras do clã Kaiho, um exército de luz que derrubou a imperatriz e o povo Nisshoku e cabe ao jogador encontrar talismãs associados a Yamiko que os Kaiho se espalharam pelas terras, e reunindo-os onde ela está aprisionada. No entanto, esta não é a sua história típica de resgate à princesa porque o jogo é consciente de si mesmo. Há uma história rica para explorar com flashbacks da vida anterior de Aragami e do passado de Yamiko, apesar de a história avançar sempre com abuso de exposição. Apesar disso a profundidade é surpreendente e se investirem na história vão ter grande retorno.

Ao longo do caminho o jogador viaja por florestas tranquilas e ruas urbanas até chegar à cidade de Kyuryu, onde Yamiko está presa. Isso proporciona cenários onde dezenas de inimigos patrulham o cenário e os quais temos de evitar cuidadosamente nas sombras. No entanto, as sombras não são apenas uma escolha óbvia para o personagem aproveitar mas sim uma necessidade para usar as suas habilidades sombrias. Isso é indicado por uma implementação de informações de interface que não mostra apenas as habilidade equipadas com boas ilustrações mas também linhas brancas que drenam se o jogador usar movimentos baseados em sombra. Ser descoberto implica não só ser exposto, mas também significa ficar privado das habilidades, o que nos obriga a avaliar asabordagens para todas as áreas.

Existem seis habilidades divididas entre pacifistas e assassinas e ao recolher pergaminhos o jogador desbloqueia pontos de habilidade que podem ser distribuídos nas habilidades. Alternativas mais violentas incluem por exemplo o lançamento de um kunai ou convocar um dragão atrás de alguém que instantaneamente arrasta o seu corpo para os reinos da escuridão. Esses movimentos são essenciais e evoluir cada um permite completar os níveis e lidar com os inimigos. Além disso a jogabilidade do jogo torna-se cada vez mais satisfatória à medida que vamos conhecendo as habilidades e fazendo combinações entre elas. O objectivo real do jogo é a furtividade e seja qual for a abordagem o jogo recompensa o jogador e desde que não sejamos detetados não existe uma grande diferença entre eliminar todos os inimigos ou evitar cada um deles.

Apesar de tudo o que faz bem, o jogo tem problemas com algumas áreas, principalmente a inteligência artificial, não porque os inimigos sejam burros mas porque são inconsistentes e por vezes conseguem detetar o jogador sem este lhe dar espaço para isso. Apesar dessas queixas, Aragami ainda tem muito a seu favor. O estilo de arte e a musica são dois aspectos técnicos onde o jogo atinge patamares muito elevados. Depois de mais de 10 horas de jogo chegamos ao fim da história, existindo ainda um modo multijogador que não acrescenta muito à experiência. Aragami é um jogo bastante completo e complexo que irá agradar a todos os fãs de ação furtiva.

Tiago Roque

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