Análise: Fell Seal: Arbiter’s Mark

Final Fantasy Tactics é um clássico do género RPG tático e continua a ser um dos melhores jogos desse género ainda atualmente, graças aos seus gráficos brilhantes e coloridos e uma boa história. Ao contrário dos jRPGs tradicionais da saga principal de Final Fantasy, Tactics nunca recebeu grande continuação e a realidade é que o género não tem recebido propriamente grandes clássicos e é por essa razão que a equipa por trás de Fell Seal meteu mãos à obra e nos trouxe um dos melhores exemplos do género. Fell Seal: Arbiter’s Mark conta uma história que começa séculos antes da história principal, onde um grupo de heróis derrotou um antigo mal que tentava destruir o mundo, não podia haver um jogo de fantasia sem um grande mau vilão a querer destruir o mundo. Para evitar que tal ameaça subisse novamente, os heróis formaram o conselho dos Imortais. Apesar de o Conselho Imortal ser poderoso, é em número reduzido e como tal, recrutou mercenários para policiar as terras de Teora. Muitos anos depois, um capitão chamado Kyrie percebe que algo está errado no mundo e com os seus recursos irá começar a explorar o mundo para perceber porque este se está a tornar um lugar perigoso e violento.

A narrativa é contada com cenas dentro do motor entre missões e faz um bom trabalho a contar uma história interessante e cheia de reviravoltas. As missões estão intrinsecamente ligadas às personagens e tudo faz realmente sentido. O combate começa quando Kyrie entra em um nó no mapa do mundo superior. As batalhas são baseadas em turnos, com a maioria dos mapas permitindo que um máximo de seis unidades participem. As unidades podem mover-se e atacar em qualquer ordem e ter habilidades especiais que podem usar dependendo da classe de personagem. Mais do que a maioria dos outros jogos deste género, o posicionamento dos personagens é vital. Se estão a pensar num jogo em que podem subir de nível as personagens e podem depois atacar sem se preocuparem em posicionamento e assim podem procurar noutro sitio, porque se abordarem um inimigo da forma errada e com a personagem errada vão ser completamente aniquilados. O jogo utiliza um sistema em que as unidades que “morrem” numa batalha ficam “feridas” e até serem curadas vão ter estatísticas abaixo do seu normal.

Grande parte do tempo do jogador será gasto em gerenciamento de tropas. Novas unidades podem ser recrutadas em qualquer cidade e podem começar em qualquer classe que o jogador tenha desbloqueado. Com 20 tipos diferentes, o jogador tem muito a considerar, e dentro de cada classe existe uma árvore de diferentes habilidades para aprender. Todos os itens de fantasia padrão que se esperaria estão aqui, assim como alguns outros bastante originais. A classe de um personagem determina o equipamento que ele pode usar, e armas e armaduras serão, com frequência, embaralhadas de unidade para unidade à medida que as suas habilidades mudam. O gerenciamento de equipamentos é um pouco complicado e a parte do jogo menos conseguida, pelo menos em termos de ser intuitiva, porque mantém a complexidade dos restantes aspectos do jogo.

As unidades inimigas são inteligentes e muitas vezes com as mesmas habilidades e habilidades do jogador. A IA protege as suas unidades e flancos, usa itens e sabe tão bem as suas fraquezas como o jogo. Enquanto a campanha tem uma curva de dificuldade geralmente suave, alguns picos ocorrem quando o inimigo ganha acesso a novas classes e habilidades de personagem. É aqui que o jogo complica, mas também é aqui que somos forçados a explorar o jogo. O jogo praticamente obriga-nos a explicar novas unidades e novas soluções e isso torna-nos realmente bons ao mesmo tempo que nos sentimos desafiados.

A arte e a música de Fell Seal: Arbiter’s Mark são dois aspectos em que o jogo realmente mostra a paixão da equipa por este projecto. Os retratos das personagens são lindamente realizados e o mundo isométrico é claro e legível, com sprites cheios de personalidade, e a banda sonora de fantasia épica encaixa-se perfeitamente com o mundo. As animações são simples mas são também mais do que suficientes para o que jogo exige. Fell Seal: Arbiter’s Mark apresenta uma campanha considerável, com 40 mapas feitos à mão, juntamente com uma masmorra de final de jogo opcional. Tudo junto os jogadores podem contar com 30 horas de jogo, tirando ou pondo algumas horas dependendo da facilidade com que passem os picos de dificuldade da campanha.

Se são fãs do género este é uma das melhores propostas de sempre deste subgénero dos RPGs.

Tiago Roque

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