Análise: The Last of Us Parte II

A Naughty Dog é atualmente um dos estúdios mais consagrados da industria, e sinceramente se tivesse que escolher um outro que conta neste momento com o mesmo nível de pressão para o seu próximo lançamento, só me consigo lembrar da CD Projekt Red que depois de lançar The Witcher 3 tem de conseguir igualar o hype em qualidade quando finalmente lançar Cyberpunk 2077. Se melhorar sobre o primeiro Uncharted era difícil mas não impossível, conseguir fazer melhor do que o Uncharted 2 tornou-se uma tarefa quase impossível dentro do universo Uncharted, mas o primeiro The Last of Us conseguiu ser tão bom ou melhor. The Last of Us tornou-se aliás o melhor jogo da PS3 e durante algum tempo até um dos melhores da PS4, sendo a pressão gigante para não errar nesta segunda parte.

Quando deixá-mos Joel e Ellie no primeiro jogo ficou muita coisa no ar. Ellie queria realmente salvar a humanidade com a sua imunidade, independentemente do que isso significasse para a sua saúde. Joel por outro lado apegou-se de tal forma a Ellie que como um pai fez tudo para a salvar quando descobriu que desenvolver uma cura para a humanidade através de Ellie ia resultar na sua morte. A última missão do jogo era a de salvar Ellie do grupo dos pirilampos e o que se passou depois apenas podíamos supor. Depois desse desfecho apenas tivemos acesso a um pequeno DLC que explorava um pouco mais do mundo mas principalmente a sexualidade de Ellie, que volta a ter um papel central aqui.

Esta segunda parte da história começa com Joel a contar a história a uma nova personagem e depois somos introduzidos à vida das duas personagem em Jackson, uma cidade que conseguiu crescer neste mundo apocalíptico de The Last of Us, com muros altos, eletricidade e muita entreajuda entre todos. Existem postos avançados para deteção de ameaças, tanto humanas como de infetados e no geral Jackson parece realmente o melhor sitio para se estar. Até num mundo sem infectados me parece um sítio bastante acolhedor. No entanto sabemos que as coisas não vão continuar assim para sempre e começamos a perceber a direção da história, esta é uma história de vingança. The Last of Us Parte II também não tem uma história previsível, estando recheado de reviavoltas e momentos em que não podemos deixar de ficar presos ao ecrã. Ellie cresceu entre os dois jogos, o primeiro jogo mostrou parte da mudança entre uma jovem relativamente frágil e uma sobrevivente, mas na segunda parte Ellie pode chegar ao ponto de afastar muitos jogadores.

A relação entre Joel e Ellie continua a ficar mais forte, mesmo depois de tudo o que se passou. Ellie perdeu o seu optimismo e Joel sofre imenso com o segredo e com a escolha que fez por Ellie e como isso pode ter condenado o mundo. Mas mesmo sem laços de sangue Joel e Ellie são família e para acentuar isso o jogo mostra ainda cenas do passado que aumentam este sentimento que recebemos de proximidade entre os dois. Por muito boa que seja a jogabilidade e a apresentação, é a história que é o principal fator para jogar The Last of Us. Podem dizer que é quase um filme, mas este é o expoente máximo do entretenimento interactivo enquanto arte, em que a jogabilidade é essencial, mas é essencial para conseguir contar bem uma história.

The Last of Us poderia facilmente ser um filme, mas apenas atinge o patamar que atinge por ser um jogo. Quando um inimigo humano morre e os seus companheiros gritam pelo nome dele, não foi a personagem do filme que lhe deu um tiro, foi o jogador e essa ligação pessoal aos acontecimentos é o que torna este meio diferente mesmo quando conta a mesma história.  O mundo de The Last of Us também se transformou entre os dois jogos. Não foi apenas o que se passou com a decisão de Joel, foram também os poderes políticos das fações dos jogos que mudaram. Tréguas passaram a guerra aberta e o mundo está mais perigoso do que nunca. A infeção não parou também, mas agora mais do que nunca são também os humanos o perigo.

No que toca à jogabilidade o mundo também está mais aberto. Isso não torna The Last of Us Parte II num jogo de mundo aberto, mas cada área é maior e com mais para explorar, com muitos Easter Eggs e notas que expandem o mundo além de itens realmente importantes para a nossa sobrevivênte num mundo perigoso. The Last of Us Parte II cria a ilusão de um mundo maior do qual fazemos realmente parte, com cutscenes a correrem em certas zonas e que parecem opcionais, até porque não há necessidade nenhuma de passarmos em alguns destes sítios. Infelizmente o jogo quebra um pouco esta ilusão quando nos impede de voltar a visitar zonas anteriores por exemplo. A jogabilidade em si não mudou em praticamente nada. The Last of Us Parte II joga-se exatamente da mesma forma que o jogo anterior, simplesmente o combate está mais fluido e polido que no jogo anterior.

A apresentação do jogo como seria de esperar é simplesmente de tirar o fôlego, com ambientes fenomenais seja em 4k ou não e este será certamente um jogo que eventualmente saltará para a PS5 e apenas vai ficar mais bonito com tempo. As personagens estão mais vivas do que nunca, as animações realistas mais naturais ainda e simplesmente poderia ficar aqui dois ou três parágrafos a gabar o jogo, encontrando sinónimos que podem ser resumidos ao mesmo, o jogo é visualmente incrivel.

The Last of Us Parte II é completamente obrigatório para quem jogou o jogo anterior. Não existe propriamente nada no mercado exatamente como este jogo da Naughty Dog e pessoalmente não encontro uma razão para não gostar desta saga. As personagens são fantásticas e a história madura do primeiro jogo torna-se mais negra agora. É um jogo forte com uma história que não abranda nos socos que nos dá e a jogabilidade e apresentação são de topo. Não está em causa se são jogadores que gostam de X ou Y. Se gostam de videojogos vão gostar de The Last of Us Parte II.

Tiago Roque

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