Análise: Pixel Ripped 1989

Pixel Ripped 1989 é um jogo VR simplesmente impressionante. É um jogo de origem brasileira e é basicamente um projecto de Ana Ribeiro. Felizmente o estúdio ARVORE ajudou bastante e aquilo que foi um desenvolvimento lento desde 2014, com pequenas atualizações, disparou e o jogo viu a luz do dia. Este é um jogo que os amantes de jogos retro irão simplesmente adorar e um que apesar de poder funcionar bem como um jogo normal apenas atinge o patamar que atinge por ser em realidade virtual.

O objectivo do jogo é salvar o mundo real de um inimigo vindo do mundo digital. Quem leu ou viu o filme Ready Player One tem algo parecido aqui, com muitas referências a jogos clássicos a terem o centro do palco. O jogador joga como Nicola, uma gamer da era dos 8 bit. Enquanto joga na sua consola um goblin maléfico chamado Cyblin Lord arranjou forma de causar estragos tanto dentro do jogo como fora dele. O facto de o jogo ter uma história é como que a cereja no topo do bolo já que se simplesmente ficassemos neste mundo virutal a jogar jogos inspirados na era 8bit já me dava por contente. Felizmente existe a história, o que mantém o jogo fressco mesmo depois do efeito da novidade jogabilidade passar.

Os criadores além de encherem de Pixel Ripped 1989 de carisma e conteúdo, também tiveram o cuidado de realmente criar uma experiência de jogo diferente e que tira partido da tecnologia VR em vez de apenas ser melhorada por ela. Como já referi, se o jogo apenas nos deixasse jogar consolas antigas num mundo inspirado no final dos anos 80 eu já acharia a ideia excelente, mas Pixel Ripped 1989 é mais do que isso, é um jogo dentro de um jogo em que além de jogarmos alguns jogos 2D temos de ter atenção ao que se passa no mundo “real” do jogo. Pixel Ripped 1989 está essencialmente dividido em quatro níveis e por exemplo, no primeiro jogamos numa sala de aula e as vidas do jogo não são perdidas quando perdemos no jogo, mas sim quando o professor vem mandar vir conosco à nossa secretária, sendo preciso ir criando distrações.

Esta mecânica de misturar o mundo dos videojogos que Nicola joga e o seu mundo é algo que Pixel Ripped 1989 mantém durante a tolidade do jogo. Apesar dos seus aspectos positivos Pixel Ripped 1989 acaba no entanto por parecer uma experiência. É um jogo curto que conseguimos completar em pouco mais de duas horas, sendo que os criadores tentaram aumentar este tempo da maneira mais antiga possível, aumentando a dificuldade.

Isto não é mau de todo e sinceramente enquadra-se bastante no tema. Quem viveu nesta altura sabe perfeitamente que a única razão dos jogos da época serem tão difíceis é porque a maioria podia ser acabada em menos de uma hora quando se dominava o jogo. Pensem em Super Mario Bros. por exemplo em que em um quarto de hora podemos chegar ao fim. Pixel Ripped 1989 não segue exatamente a mesma lógica, mas não deixa de ser bastante dificil. Felizmente não cheguei a sentir que o jogo fosse frustrante. Mesmo tendo em conta a dificuldade dificilmente irão desistir do jogo ou demorar mais do que o dobro da longevidade mínima do jogo para chegar ao fim.

Talvez devido à sua duração muitos não vejam em Pixel Ripped 1989 mais do que uma pequena experiência nostálgica e não estejam minimamente inclinados em gastar dinheiro nisso e apesar de todas as virtudes do jogo não posso contrariar muito essa ideia. Apesar de não ter dúvidas que o jogo funciona muito melhor em VR do que se não o fosse, também acho que é um pouco limitado na sua implementação. É um jogo em que podemos ficar sentados durante a sua totalidade, estando limitado a um angulo de visão necessário de apenas 180º. Mas também não posso negar que o jogo tem ideias muitos boas e a grande maioria foi concretizada com sucesso.

É um jogo que vive principalmente de nostalgia, mas quem olha para a era NES e SNES com saudade é isso que procura aqui. O jogo mistura realidade com fição, com os jogos saltarem de geração quando usamos umas moedas e os inimigos virtuais a saltarem fora da consola. É um jogo recheado de imaginação que irá certamente agradar a quem tiver o hardware necessário para o jogar e já deu origem a uma sequela, Pixel Ripped 1995.

Tiago Roque

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