Análise: Pixel Ripped 1995

Pixel Ripped 1995 é a sequela de Pixel Ripped 1989, a análise que saiu ontem aqui no ComboCaster, e segue basicamente a mesma linha desse jogo, construindo em cima do que fez de Pixel Ripped 1989 tão bom e intensificando a nostalgia ainda mais. Nostalgia é aquilo que existe aos montes tanto em Pixel Ripped 1989 como Pixel Ripped 1995. Podemos não ter referências do mundo real como uma Nintendo Entertainment System real ou uma Mega Drive, mas temos consolas inspiradas nelas, da mesma forma que não temos Mario, Sonic ou Mega Man mas outras personagens. Tal como Pixel Ripped 1989 este é um exclusivo VR e ganha muito com isso no que toca à imersão. Pixel Ripped 1995 coloca o jogador noutra época, mas mais do que isso cria todo um mundo de fantasia onde os jogos e personagens invadem a realidade, criando uma experiência fantástica de um jogo dentro de um jogo.

Tal como em Pixel Ripped 1989 existe uma personagem virtual maligna que ganha a habilidade de invadir o mundo real, cabendo desta vez a Dot, uma personagem de um jogo, de salvar o mundo e para o fazer invade o corpo de David, um miudo jogador do mundo real. As coisas parecem funcionar um pouco ao contrário de Pixel Ripped 1989, mas a história é essencialmente a mesma, simplesmente numa época um pouco mais avançada. Havia algo em ficar a jogar no quarto na era das 8 e 16 bits que se perdeu no tempo, mas esse sentimento irá certamente ser o mesmo que as futuras gerações irão sentir sobre jogar Fortnite, simplesmente Pixel Ripped 1995 apela a uma geração em específico.

Tal como em Pixel Ripped 1989 o jogo funciona em duas camadas, em que o jogador por vezes está simplesmente a jogar na TV do quarto de David, noutras o jogo invade a realidade. Por vezes o que fazemos no jogo influência a realidade, como por exemplo num dos níveis em que jogamos um jogo parecido com o Castlevania da NES e em que sempre que passamos por cima de uma espécie de tábuas a nossa mãe entra no quarto e manda-nos para a cama. É um nível de simulação divertido e que nos remete para a nossa infância, numa altura em que nos nossos pais não ligavam nenhuma aos jogos e achavam que era algo que iamos deixar de fazer na nossa vida adulta.

Em termos de dificuldade, Pixel Ripped 1995 é bem mais fácil do que Pixel Ripped 1989, mas também há mais variedade e o jogo é mais longo. Basicamente Pixel Ripped 1995 demora tanto a acabar como Pixel Ripped 1989, mas um utilizava a dificuldade para extender a duração e o outro não precisa. Infelizmente o jogo acaba por confirmar uma ideia que já se tinha em Pixel Ripped 1989, já que além da nostalgia o jogo tem pouco para oferecer. A jogabilidade é ótima e visualmente o jogo não é feio e tem essencialmente bom design, no entanto não tem grande profundidade. Sendo que passamos muito tempo a jogar jogos de 8bit e 16bit não era também aí que gostaria de ver profundidade, mas sim nas personagens do jogo. A maioria são uma espécie de caricaturas que desempenha um papel e pouco mais e esse é o principal problema do jogo.

A falta de profundidade da história e personagens não invalida que o jogo seja memorável, já que tem momentos realmente bons e a dose de nostálgia é fantástica. Gostaria de um dia ver um jogo de orçamento grande pegar nesta ideia e realmente criar algo grandioso. Imaginem um jogo deste género da Sony ou Nintendo e imaginem um jogo do mesmo género mas com as consolas licenciadas e onde podemos jogar um punhado de jogos completos, onde podemos personalizar o nosso quarto, comprar mais jogos e ter uma história paralela passada na época. O conceito de Pixel Ripped 1989/1995 é fantástico e merece todos os elogios mesmo com as poucas falhas que o jogo tem.

Pixel Ripped 1995 é maior e melhor que o jogo anterior. É um jogo onde a arma secreta é a nostalgio e juntos os dois jogos formam um pacote fantástico, um conceito único que é das melhores experiências VR do mercado. Tem algumas falhas mas o conceito sobrevive intacto, oferecendo o mais perto que podemos ambicionar de uma máquina do tempo que nos permite voltar à nossa infância. Aquela altura em que as noites de sexta e sábado podiam ser colados a um ecrã CRT a jogar Castlevania, Super Mario Bros, Contra e Sonic The Hedgehog e o domingo de manhã a ver Pokémon, Dragonball Z e Power Rangers.

Tiago Roque

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