Análise: Ageless

Ageless tem uma veia narrativa bastante superior ao que normalmente encontramos num jogo de plataformas. É um jogo bastante emocial, ou pelo menos tenta ser, uma vez que quando olhamos realmente para o resultado vemos que acaba por ser um pouco genérico nesse aspeto. Não deixa de ser emotivo, mas parece seguir esse caminho de uma forma robótica e não orgânica. Estes momentos emociais também parecem pouco relacionados com a história principal, parecendo que a história se desvia aqui e ali para passar por estes momentos como se fosse uma checklist.

 

A jogabilidade de Ageless é um equilibrio entre platformer e puzzles, mas com um foco nos puzzles. Cada mundo do jogo consiste numa série de salas que envolvem alguns puzzles em que precisamos de utilizar a habilidade de Kiara para controlar o fluxo do tempo. Além dos puzzles temos também os elementos de platformer e aí não tenho qualquer critica a fazer aos controlos de Ageless já que são basicamente perfeitos. Ageless tem um dos controlos mais precisos de um platformer que joguei ultimamente. Combinando os dois elementos a jogabilidade de Ageless é realmente gratificante.

A habilidade de Kiara é utilizada através de um arco com dois disparos diferentes como a portal gun de Portal. Um dos disparos faz com o alvo avance no tempo e o outro recue no tempo. Isto tem principalmente dois usos no início do jogo por exemplo. Quando utilizada numa espécie de planta do jogo faz com que esta cresça ou diminua, criando elevadores e plataformas. Outro uso que lhe podemos dar é disparar contra um animal que é útil para uma série de coisas. Quando o animal é pequeno é atraído para certas zonas, em idade adulta carrega contra o jogador o que é útil para derrubar paredes e na velhice torna-se mais pesado e derruba algumas áreas do mapa.

 

Isto corresponde apenas ao início do jogo já que nos níveis mais avançados o jogo adiciona uma série de novos elementos que o tornam mais complexo. O jogo flutua de difículdade e algumas zonas são realmente difíceis e pode tornar-se um pouco frustrante a espaços mas nunca deixa de ser acessível e rapidamente ultrapassamos estas dificuldades. Infelizmente esta flutuação significa que temos de repetir várias vezes uma zona e algumas destas não são sequer as mais interessantes. O que acaba por acontecer é que passamos demasiado tempo nas zonas menos interessante do jogo e a correr nas melhores.

Visualmente Ageless é interessante, mas não impressionante. Utilizando um estilo 16 bit bastante próximo do utilizado durante essa era, Ageless peca principalmente pela falta de momentos memoráveis. Não há nada de realmente errado com o grafismo ou o audio, simplesmente não é algo que podemos olhar e ver logo que estamos a ver uma imgem de Ageless. Para a maioria dos jogadores Ageless irá oferecer cerca de dez horas de jogo. Existem cinco mundos para ultrapassar e uma série de extras se quiserem completar tudo. Existem também colecionáveis para descobrir e capturar e que nos recompensam por sua vez com uns extras.

Ageless é um bom jogo essencialmente graças ao conceito e jogabilidade. Visualmente é agradável mas não memorável e a história apesar de promissora não consegue atingir as notas a que se propõe. Se são fãs do género é uma boa proposta, especialmente se gostaram de Celeste.

Tiago Roque

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