Análise: Deadly Premonition 2

O primeiro Deadly Premonition é um jogo em que apenas dizer que nem todos gostaram não conta nem metade da história. Alguns dizem que é um jogo tão mau que é bom, outros acham o jogo genuinamente bom e outros apenas mau. A reação ao jogo foi de tal forma dividida que o jogo tem um recorde do guiness sobre isso. Por isso além de ser com surpresa que vemos uma sequela do jogo ser lançada, é também surpreendente que seja um exclusivo Nintendo Switch. Tal como o primeiro jogo este não irá certamente agradar  todos já que há muito aqui entra na categoria de “tão mau que é bom”, mas também muito que simplesmente não funciona.

Sendo em simultâneo uma sequela e uma prequela do original, Deadly Premonition 2 conta a história de dois detetives do FBI que investigam um caso há muito classificado como fechado, tendo a esperança de que o agente Morgan os possa ajudar de alguma forma. A parte prequela do jogo passa-se em 2005 e coloca o jogador novamente no papel do agente Morgan enquanto este investiga a cidade de Le Carré num misterioso caso de mortes ritualisticas.

São estas partes passadas no passado que funcionam melhor em Deadly Premonition 2, especialmente porque as personagens são melhores e o investimento que temos do jogo anterior tornam a experiência mais gratificante. A escrita continua com a qualidade do jogo anterior, algo que irá agradar a quem gostou do primeiro, contanto com mudanças de tom completamente bruscas e personagens que não odedecem às leis da lógica, alternando entre a mente de uma criança e de um génio.

Uma das criticas que pessoalmente faço ao jogo é a quantidade de diálogos e cutscenes que nos ocupam tempo com conversas que nada têm a ver com a história do jogo. Isto poderia ser ótimo e ajudar a criar empatia com as personagens e fazer crescer a sua personalidade, mas a maioria do tempo não consegue atingir nennhum desses objectivos, ficando-se com a perda de tempo. Alguns jogadores podem gostar destes bizarros diálogos e o original estava recheado destes momentos, mas pessoalmente não posso partilhar da opinião.

Um aspeto que dificilmente agradará a alguém é a performance já que este é um dos jogos que pior vi a correr na Switch. As zonas abertas do jogo estão cheias de quebras de frames e por vezes consegue mesmo parar durante alguns segundos. Objectos aparecem do nada e é difícil passar muito tempo sem encontrar um bug ou glitch. Isto tudo torna-se ainda mais complicado de justificar quando temos em conta que a cidade de Le Carré não é sequer um sítio super detalhado onde nos perdemos a olhar para belos cenários e efeitos visuais. Mas podem pensar que talvez isto deve-se ao jogo carregar todo o conteúdo de uma vez? Bem, também não é verdade, muito pelo contrário. Os carregamentos de Deadly Premonition 2 são demasiado longos e demasiado frequentes, aparecendo sempre que entramos ou saímos de um edifício e durante bem mais do que se justifica tendo em conta o detalhe do mundo do jogo.

Mas tal como o primeiro jogo nada disto parece interessar pois o jogo tem uma forma estranha de nos prender a si, como se o verdadeiro fenómeno paranormal aqui fosse Deadly Premonition e a sua sequela pois apesar de serem os dois jogos carregados de bugs e de problemas de performance, não serem bonitos ou valores de produção altos e até o audio ser de baixa qualidade a verdade é que não conseguimos parar de jogar para ver o que acontece a seguir. Não é fácil distinguir o que faz da história do jogo tão cativante, mas a verdade é que por muito fraco que o jogo em si seja a história mantem o jogador colado ao ecrã como um feitiço

Tiago Roque

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