Antevisão: Eastern Exorcist

Os jogos do género MOBA e Battle Royale têm dominado uma parcela dos lançamentos dos últimos anos. Todos os outros géneros têm tido lançamentos constantes mas estes nomes parece que têm saltado à vista. Outro nome que ultimamente têm saltado à vista é o termo Souls-like. Não precisam de recuar muito aqui no ComboCaster para encontrarem um jogo que se caracteriza dessa forma, no entanto nesse caso o termo faz todo o sentido. Podem por exemplo fazer uma pesquisa pelo termo Souls-like na Steam para encontrarem uma série de jogos que se caracterizam da mesma forma, no entanto aqui na maioria dos casos o termo é mal utilizado, já que há bem mais do que um jogo ser difícil para termos um verdadeiro Souls-like.

Eastern Exorcist vai buscar muito do melhor que Dark Souls popularizou e adapta-o numa realidade diferente. Eastern Exorcist é um jogo de ação 2D com criadores chineses, algo que é a sua maior virtude mas também o seu maior problema neste momento. Para os mais atentos sabem que tentar adaptar os conceitos de Dark Souls a um jogo 2D não é nada de realmente novo. Podem até dizer que o que Demon Souls fez inicialmente foi adaptar a dificuldade e jogabilidade jogos clássicos 2D como Castlevania a um ambiente 3D que não iriam estar totalmente errados. Aquilo que realmente falta acontecer é um lançamento de um jogo que faça jus ao nome Souls-like em 2D e que seja realmente bom, já que a maioria sofre dos mesmos males.

Neste momento Eastern Exorcist sofre essencialmente de um problema de localização, já que a tradução do jogo nem sempre é a melhor mas mais importante do que isso e muito provavelmente algo que será impossível de resolver é que o público ocidental carece da raizes culturais para entender a história do jogo, ou pelo menos para tirar o maior partido da sua história. A história fala sobre uma praga que percorre a terra, o que criou muitos exorcistas, exorcistas esses que têm de eliminar os monstros que por ela habitam. A própria palavra exorcista parece-me ser mal empregue mas se até no título do jogo está quem sou eu para discordar, mas basicamente estes exorcistas são caçadores de monstros como o Van Helsing do cinema ou um Witcher.

A história fala de como a personagem principal Lu Yunchuan está a caçar um demónio com os seus companheiros e capturam um espírito raposa que os engana e captura os seus companheiros e causa a desgraça de Lu Yunchuan. Toda a história depois é a de Lu Yunchuan a trabalhar como freelancer e na busca do seu adversário original. A história base é interessante, mas muito do contexto e personagens referem-se a algo que nós em Portugal e acredito que na maioria dos países europeus não existe na nossa cultura e torna-se muito difícil seguir o que vai acontecendo à volta. Mas novamente, isto é algo que eu penso ser a realidade já que como não faço parte da cultura em questão não posso ter a certeza. Se tudo aqui é original e apenas o ambiente é inspirado em antigas histórias e lendas chinesas então o jogo não faz um bom trabalho a enquadrar os jogadores, caso seja então é algo que simplesmente não foi pensado para o nosso público e não há nada que os criadores poderiam ter feito e apenas temos de aceitar o jogo como ele é.

Estes problemas que referi acima podem ocupar muito texto mas não são realmente cruciais para aproveitar muito do que o jogo tem para oferecer. Podemos ficar algo confusos com algumas personagens, mas não é algo que nos impeça de aproveitar a história principal e a jogabilidade. Infelizmente o jogo sofre do mesmo problema que a maioria dos jogos que tentam ser Souls-like num ambiente 2D, que é a falta de uma dimensão para a jogabilidade realmente brilhar. A base da jogabilidade de um jogo Souls é o uso de energia para atacar e bloquear. Quando se retira uma dimensão de movimento torna-se mais difícil não nos sentirmos bloqueados já que para todos os efeitos jogamos sempre num corredor.  Eastern Exorcist tem um botão de esquivar, um para aparar oumataque, um botão de ataque e um botão de salto. Saltar, atacar e esquivar usa energia e quando esta acaba pouco mais podemos fazer do que fugir e normalmente numa só direção.

Os problemas da jogabilidade resumem-se basicamente à falta de opções já que a única coisa que é realmente eficaz é aparar os ataques mas é tudo demasiado rápido para funcionar convenientemente. O sistema em si está bem desenhado, mas para um jogo bastante diferente deste já que os ataques em Eastern Exorcist são todos eles demasiado rápidos e acertar no timing certo é muito difícil para ser uma experiência agradável. Podem dizer que simplesmente não sou bom no jogo mas o que realmente interessa na minha opinião é que enquanto outros jogos me deixaram a sentir bem quando aprendo a jogar e quando consigo fazer o que quero, Eastern Exorcist simplesmente continuou a fazer-me a sentir frustrado durante todo o tempo que joguei. Além disso nos jogos que inspiraram este tipo de jogabilidade, aparar os ataques não é de todo a única escolha de tipo de jogabilidade. Se chegarmos à conclusão que não conseguimos fazer isso podemos optar por armas lentas mas mais letais que nos permitem andar ao redor do inimigo e fora do alcance e atacar apenas quando encontramos uma brecha, algo que aqui não é possível.

Um aspeto em que o jogo realmente brilha é no aspeto visual. A China não tem muitos jogos criados localmente no nosso mercado e é sempre agradável de ver um jogo com um design oriental tão distinto, especialmente se tiver a qualidade que este tem. Eastern Exorcist utiliza sprites brilhantemente animadas e carregas de emoção e com uma atenção ao detalhe invejável. A única crítica que posso fazer neste aspeto é que o jogo é um pouco demasiado escuro, como se tivesse um filtro por cima de tudo, o que não deixa ver as cores e detalhe que notamos se tivermos atenção. Continuando no aspeto da apresentação, a componente audio não sobressai da mesma forma que a visual sendo aquilo que eu consideraria “de serviço” mas nunca sendo memorável.

Antes de terminar e como devem ter reparado esta é uma Antevisão já que o jogo ainda se encontra em Early Access na Steam. Muitos destes problemas ainda podem ser corrigidos, no entanto acredito que muitos deles sejam muito difíceis de corrigir vindo do próprio design do jogo e dos seus sistemas e de um tipo de jogabilidade que ainda não foi adaptada da melhor forma a um jogo 2D.

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Tiago Roque

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