Análise: The Wanderer: Frankenstein’s Creature

The Wanderer: Frankenstein’s Creature é um jogo inspirado no clássico de terror gótico de Mary Shelley, Frakenstein. Esta é uma obra que se mistura muito com o mundo do cinema, desde cedo que fez parte dos monstros da Universal mas as obras que realmente lhe fazem justiça são realmente poucas. Se no cinema a criatura de Frankenstein se confunde com um qualquer monstro, no mundo dos jogos normalmente ficamos com a versão cómica e verde mais popular. The Wanderer: Frankenstein’s Creature tenta mais do que tudo capturar o espírito da obra ou pelo menos da parte da narrativa focada na criatura e na maioria das vezes consegue fazer exatamente isso.

Apesar de serem poucas as adaptações competentes todos conhecem já o essencial da história. Victor Frankenstein é um jovem médico que descobre o segredo para reanimar uma creatura feita de pedaços de humanos e sem perceber bem aquilo que está a fazer decide tornar-se deus e criar uma criatura, apenas para que mal ela acorda se aperceber do horror da imitação de vida que criou e abandona-a. A maior parte do livro é depois sobre a forma como Frankenstein lida com o que fez, mas uma parte do livro fala de como a criatura se sentiu ao ser descartada pelo seu criador e como os humanos apenas  a veêm como um montro. É aqui que The Wanderer: Frankenstein’s Creature pega para criar um jogo que é essencialmente sobre a sua arte e narrativa.

A arte do jogo é realmente um dos pontos fortes, com um aspeto de aguarela que pode não parecer ter muito a ver com o tom gótico do material de origem mas que além de dar uma beleza rara ao jogo tem também uma ideia muito importante por trás já que tal como a criatura de Frankenstein está a descobrir o mundo e tudo é novo para ela, o jogo apresenta-nos o mundo aos pontos, indo pintando o cenário. A arte reflete também as descobertas da criatura já que quando descobre coisas belas como um veado ou uma flor o jogo torna-se mais colorido e flores nascem pelo chão, mas quando descobrimos que as cobras atacam ou tentamos comer um animal morto o jogo torna-se sombrio e deprimente. Tudo isto é acompanhado pela banda sonora que além de ser fenomenal do início ao fim do jogo acompanha todas estas transições. Ver a criatura a ser expulsa de uma cidade onde apenas tentava brincar com um grupo de crianças é um momento forte do jogo, mas o jogo acentua tudo isso ao escurecer o cenário e mudando a música para criar um momento ainda mais forte.

Infelizmente o jogo não tem vozes, algo que poderia ser incluído mas teria de ser bem feito para estar presente. A escrita por outro lado é boa e reminescente do material que lhe dá origem mas muitas das cenas do jogo não estão presentes no livro, mas estão de tal forma bem integradas que bem podiam estar. Infelizmente da mesma forma que estas cenas que não fazem parte do livro estão presentes, outras partes marcantes do livro não estão incluidas. O Doutor Victor Frankenstein por exemplo não faz qualquer aparição, apenas é mencionado. O jogo dura cerca de duas horas, mas tem algumas mecânicas de escolha e há dois finais alternativos, o que levaria o jogo para as quatro horas mais ou menos.

A jogabilidade como seria de esperar pelo que já referi acima é muito limitada. Podemos andar e interagir com certas personagens e objectos mas pouco mais há para fazer além das ocasionais escolhas que referi acima. O jogo decide quando andar e quando correr e apenas temos de descobrir para que lado nos mover. Isto não é grande problema dada a curta duração do jogo e este consegue manter o jogador interessado com a sua boa escrita, o visual e audio, assim com as boas animações. É um jogo com defeitos, mas é também uma das melhores e mais fieis adaptações da obra de Mary Shelley, por isso se são fãs da obra ou de literatura no geral esta é uma exceletente proposta. Caso contrário não é um jogo que possa oferecer muito mais do que isto.

Tiago Roque

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