Análise: What Happened

O meu ritmo de uma análise por dia não é de todo fácil e obriga-me a deixar muito de parte jogos que realmente gostaria de jogar para pegar no jogo que tenho de analisar hoje. É cansativo mas felizmente não me deixa com problemas mentais como os da personagem de What Happened. What Happened é uma aventura de terror simples que mostra a luta daqueles que sofrem de depressão e ansiedade, ou é esse o objectivo já que apesar de perceber a ideia, não achei nunca que o jogo estivesse a passar bem a sua mensagem. Após a morte repentina do pai, a vida de Stiles está no mau caminho e os dias de escola são particularmente . Ele perdeu o melhor amigo, anamorada, o pai e o seu relacionamento com sua mãe está cada vez pior. O vício é a sua forma de escapar para o mundo da sua mente que nem sempre é o melhor sítio para se estar.

A jogabilidade de What Happened é tão banal como todos os jogos deste género de terror em que pouco mais fazemos do que andar e ler. Corremos por um número interminável de corredores, estimulado pelos pensamentos intrusivos de Stiles e quando não estamos a correr estamos a abrir gavetas à procura de itens que precisamos. Além disso nada parece levar a lado nenhum. Muito sinceramente preferia que um jogo destes demorasse meia hora a acabar e fosse mais focado do que obrigar-me a caminhar duas horas para ler umas notas que não acrescentam nada à história nem sequer controiem a personagem principal.

Os puzzles de What Happened são igualmente simples, vindo a dificuldade sempre do sítio errado, a falta de informação do jogo que entende que não ajudar o jogador a saber tanto quanto a personagem que controla e não explicar nada fazem dele um jogo desafiante no melhor sentido. Cada um destes puzzles é na verdade uma pausa na experiência que nos faz suspirar sempre que aparece um novo. One What Happened brilha é quando se aproxima mais de um filme já que a sua jogabilidade é apenas uma desculpa para perdermos tempo a chegar ao próximo sítio com uma cutscene ou set piece. Mesmo banal a jogabilidade consegue falhar em coisas básicas, como por exemplo uma estúpida suavização do rato que os criadores entenderam que deviam implementar.

O que aconteceu é um mistério tão confuso como tudo o resto do jogo. O jogo não tem um fio narrativo e aquilo que parece existir é uma série de eventos ligados. Não há algo que possamos definir como uma história no jogo, sendo o jogo tão confuso neste aspeto que muitos momentos da história podiam ser o final do jogo. Há muitos momentos em que se aparecesse um The End a seguir eu pensaria, Ok faz sentido, mas depois o jogo continua e faz isso uma boa dezena de vezes. O início do jogo quando tudo ainda está concentrado tem alguma consistência mas depois é como se pegassem neste conteúdo e fossem juntando água, diluindo e diluindo até que mal percebemos sobre o que What Happened fala. Se isto é alguma metáfora com algo sobre saúde mental eu peço desculpa mas não percebi.

Isto tudo é ainda mais grave porque What Happened é um jogo particularmente longo, pelo menos para o género e para o que seria melhor para ele, chegando às 6 horas de jogo. Há momentos bons em What Happened e os diálogos estão particularmente bem escritos, mas é tudo demais e demasiado repetido, batendo nos mesmos temas. Fora os diálogos que realmente foram bem escritos, a escrita é pretensiosa, com angústia suficiente para tornar quando um o rei dos Emos. Obviamente o jogo tem a temática que já referi mas acho que o objectivo não deveria ser trazer mais gente para os psiquiatras.

O design estranho de What Happened é talvez o que eu destacaria pela positiva. Para um jogo que lida com temas de saúde mental não sei se a apostas nestas cores todas que tornam o jogo numa arma de ataques epiléticos foi a melhor opção, mas para quem não sofre com isso é um jogo realmente colorido e diferente. Infelizmente o resto do jogo é uma demanda para ser um jogo profundo sobre um tema muito sério, mas que não é nem cativante nem consegue passar a sua mensagem.

Tiago Roque

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