Análise: Disc Room

Disc Room é o mais recente lançamento da Devolver Digital, uma editora que para mim sempre significou experiências diferentes e normalmente de qualidade. A Devolver Digital sempre conseguiu me surpreender com os seus jogos, jogos esses que têm quase sempre algo “over the top” e quando um jogo indie tem um conceito louco e uma excelente execução normalmente quando vamos confirmar tem o selo Devolver Digital. O jogo é baseado na premissa de que foi encontrado um disco em órbita de Jupiter em 2089 e o jogo em si mistura jogabilidade de bullet hell com plataformas. Ao contrário de outros jogos que se enquadram mais ou menos no mesmo género, Disc Room não oferece um milhão de níveis mas sim um punhado de áreas distintas que podem ser repetidas até à exaustão. Isto pode não agradar a todos mas sinceramente dada  a jogabilidade viciante do jogo é uma escolha consciente e bem mais interessante do que uma série de niveis iguais.

Cada sala de Disc Room é um verdadeiro moedor de carne com lâminas giratórias que vão aumentando em número e velocidade com o passar do tempo. Qualquer erro que cometemos para o tempo e podemos tentar novamente ou avançar para uma área adjacente caso tenhamos cumprido todos os objectivos. A questão não é tanto tentar não morrer em cada área, mas sim atrasar o máximo possível que isso aconteça. Este tipo de jogo pode parecer desanimador, mas é notável como a Disc Room consegue recompensar o jogador com a sua progressão ligeira, com uma combinação de novas habilidades, áreas e tentar obter melhor pontuação.

Os desafios que o jogador enfrenta em cada sala não exigem muito do jogador para este poder progredir. Na maioria das vezes, desbloquear a próxima sala é uma simples questão de sobreviver por cerca de dez segundos na sala atual. Mesmo as salas mais complicadas tendem a ser acessíveis com sucessivas tentativas e o objetivo de dez segundos que aparece repetidamente não torna o jogo muito frustrante. Mas Disc Room motiva o jogador para tentar ir mais além e algumas salas em particular são muito viciantes. Além disso à medida que vamos progredindo no jogo vamos desbloqueando novas habilidades que queremos experimentar nas salas anteriores para melhorar a nossa pontuação.

Conforme superamos os desafios de Disc Room, encontramos novos tipos de serras que queremos tentar vencer. Alguns são grandes, outros são pequenos e alguns até nos perseguem. É realmente enlouquecedor ter que lidar com muitas das combinações que aparecem nas salas, mas alguns objectivos obrigam-nos a morrer para os vários tipos de serra diferentes do jogo. Disc Room tem um leve aspecto de jogo de puzzles, já que precisamos de conhecer cada sala para saber quando é que uma serra vai aparecer já que às vezes, demora algum tempo até que uma lâmina de serra única apareça e por vezes temos que fazer algo para que ela apareça. Ocasionalmente o jogo dá-nos algumas pistas mas normalmente temos que chegar lá sozinhos.

O próprio tempo no jogo não é linear, já que o jogo muda as suas próprias regras de vez em quando. Normalmente o tempo corre e acelera à medida que nos vamos aguentando vimos, mas algumas áreas misturam isto, contando um segundo quando recolhemos uma esfera ou apenas contando o tempo quando estamos numa certa zona do mapa. Outro fator importante para a variedade sõas as habilidades desbloqueáveis ​​que referi anteriormente. Podemos fazer um dodge que nos torna invulneráveis durante a sua duração, abrandar o tempo ou até criar clones da nossa personagem. Nenhuma destas habilidades quebra o jogo e só podemos ter uma equipada de cada vez, mas além de nos permitir progredir no jogo, estas habilidades quase que nos pedem para visitar áreas anteriores novamente.

Disc Room é um jogo difícil, mas é um jogo que sabe que é difícil e permite que jogadores menos capazes continuem no jogo ao manter os objectivos acessíveis. Não há níveis de dificuldade, mas obter uma boa classificação não está ao nível de todos. Isto infelizmente pode dar a sensação errada aos jogadores mais capazes, já que irão passar o jogo num instante. A escolha de dificuldade parece-me ser acertada e há muito desafio aqui para quem o procurar, simplesmente não assusta os jogadores que não a procurarem.

Visualmente Disc Room emprega um estilo de apresentação bastante único, muito inspirado em banda desenhada, com todos os elementos a parecerem desenhados à mão. Não é um jogo com visuais muito detalhados nem com um estilo de arte quase transcendente, mas é um jogo interessante com um estilo próprio. A Devolver Digital consegue novamente apresentar algo impressionante e fica cada vez mais com um catálogo verdadeiramente impressionante. Devem ser muito poucos os jogadores que não conhecem um jogo do catálogo da Devolver Digital e Disc Room continua na mesma linha de experiências originais, completamente loucas e sempre de elevada qualidade.

 

Tiago Roque

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