Análise: Fallen Angel

Fallen Angel é um jogo de ação com uma premissa e conceitos realmente interessantes. Inspirado em Paradise Lost, o poema e não a banda, a Matrioshka Games coloca-nos no papel de Lúcifer, enquanto este tenta recuperar o paraíso. Se a premissa já devia ter sido aproveitada à muito para um jogo, a realidade é que não ficamos muito melhor servidos agora já que o resultado final deixa muito a desejar.

O jogo começa com uma célebre passagem do poema, onde Lúcifer descreve o seu sofrimento e que fala de como é a sua mente o inferno e não outro qualquer lugar físico. É uma ótima maneira de começar a narrativa e cria alguma expectativa sobre Fallen Angel. Mas infelizmente a história desenrola-se como um jogo de ação banal em que um protagonista furioso mata uma série de inimigos genéricos. Um jogo que podia ser algo fica assim remetido a alguma insignificancia. O diálogo nunca vai além de cliché, mesmo que o material de origem seja bem mais do que isso e seja arrojado até nos dias de hoje, mais de 300 anos depois de ser escrito.

Fallen Angel é um jogo de ação bastante funcional mas completamente genérico. Os jogadores jogam como Lúcifer e têm acesso a uma espada e várias armas mágicas de alcance que podem ser utilizadas em conjunto para atordoar os inimigos. A jogabilidade é muito inspirada em Devil May Cry. Os ataques corpo a corpo são limitados a um conjunto básico de movimentos, mas são gratificantes e as armas de longo alcance vêm numa variedade de formas e dão à personagem alguma profundidade. Essas armas, muitas vezes deixadas por arcanjos derrotados, têm habilidades poderosas e na maior parte do tempo, é fácil passar o jogo facilmente com apenas algumas dessas armas. Existem alguns bosses que mudam um pouco o ritmo de jogo mas no geral é tudo demasiado banal.

Fallen Angel copia também os jogos do Souls ao colocar os jogadores n um mapa aberto com vários caminhos que se abrem gradualmente em algumas zonas. É um modelo sólido mas novamente mal implementado já que o mundo do jogo é composto por uma série de ambientes distintos que parecem não ter relação uns com os outros, perdendo-se completamente o benefício de se ter um mundo aberto.  Visualmente também não é um jogo muito interessante, mas felizmente a banda sonora é muito boa e muda a cada zona e dá ao mundo alguma personalidade. Os ambientes são variados, mas repetitivos  e as sprites dos inimigos são confusas. Técnicamente não é melhor, sofrendo de muitas falhas na refresh rate por exemplo.

Fallen Angel inclui modo para dois jogadores cooperativos, mas como a história segue apenas Lúcifer, o segundo jogador controla um clone e partilha todos os recursos. Sinceramente não vejo qualquer vantagem neste modo. É bom estar presente acho eu, mas qualquer que tenha sido o tempo gasto aqui teria sido muito melhor gasto a melhorar o resto do jogo. No final das contas, Fallen Angel tem muito pouco a oferecer aos jogadores e apesar da mecânica de jogo central ser funcional, não há nada memorável aqui. Com uma material de origem tão bom, os criadores fizeram o equivalente a resumir o Titanic a “havia um barco, bateu contra gelo, morreu gente”, mas com coop.

Tiago Roque

Leave A Comment