Análise: Mars Horizon

A humanidade sempre viveu fascinada pelo espaço. Atualmente temos quase lançamentos diários para o espaço, mas a quantidade de pessoas que foi efetivamente ao espaço continua a ser mínima. Depois de nos anos 60 e 70 termos feito as maiores conquistas na área, o mundo acha quase normal levar astronautas para a estação espacial, mas para muitos como eu, continua a existir um fascínio enorme pela exploração espacial. Para nós saiu agora um novo jogo que se inspira em toda a história real da exploração espacial para nos colocar no papel de líder do programa espacial de uma das várias agências mundiais.

Mars Horizon pega na ideia da corrida espacial desde os primeiros voos espaciais da Sputnik e do programa Mercury, eventos reais do passado e termina com a primeira missão tripulada a Marte, algures no futuro. O jogo desenrola-se por turnos que correspondem a meses, permitindo ao jogador assumir o controle de uma das cinco agências presentes do jogo. O jogo coloca agências como a Japonesa e Europeia junto na corrida, apesar de nenhuma delas estar aí presente e pessoalmente não vejo mal nenhum nesta alteração. Apesar de não ser verdade, preferia uma corrida espacial baseada apenas na perseguição ciêntifica do que na verdadeira que apenas foi impulsionada por uma disputa política entre soviéticos e americanos. O jogador também tem a opção de construir a sua própria agência espacial e cada agência tem seus próprios pontos fortes, pontos fracos e requisitos.

A história está muito em segundo plano e apesar de seguir acontecimentos reais, são tratados quase como que passos que teriam de ser cumpridos independentemente de quando ou em que circunstâncias. O jogo é apresentado com uma visão de cada planeta, começando com a Terra e a Lua e depois expandindo para todos os mundos internos e depois para Júpiter, Saturno e além. Cada planeta serve como um centro para missões que temos primeiro de pesquisar para desbloquear e depois finalmente efetuar a missão. Temos também missões adicionais que são solicitadas e que podemos e devemos tentar completar já que precisamos do lucro e bónus de pesquisa. Por vezes até recebemos pesquisas já feitas em troca.

Desbloquear uma missão e a colocar em movimento, começa sempre ou quse sempre por selecionar a carga útil, ou payload como é normalmente chamada, e geralmente esta é pré-determinada para cada missão, mas sujeita a alguns ajustes. Em seguida, devemos projetar um veículo de lançamento para cumprir a missão. Os foguetes são compostos por dois níveis e devem ter impulso suficiente para alcançar o destino e também transportar a carga útil, mas se simplesmente comprarem o foguete mais caro rapidamente ficam sem dinheiro. O objetivo é criar um foguete que leva a carga ao local e o limite fica pouco acima do necessário. Os foguetes mais complexos também demoram mais tempo a construir, o que nos pode deixar em último na corrida por sermos os primeiros a conseguir completar certos marcos.

Uma das principais mecânicas do jogo é equilibrar risco e recompensa, pois o principal objetivo é tentar ser o primeiro a completar cada missão, o que às vezes significa lançar quando a fiabilidade dos veículos não é a melhor. Um jogador mais conservador que tente ter fiabilidades muito altas em cada missão irá ter de abdicar de alguns objetivos e um jogador que arrisque mais irá perceber que o jogo é bastante permissivo com a fiabilidade e que na grande maioria das vezes vai tudo correr bem. Além da fiabilidade, também há custos. Cada veículo ou carga útil custa dinheiro para construir e temos um orçamento limitado. Algumas missões provarão ser muito caras para serem lançadas rapidamente e, embora as missões de solicitação mantenham a agência ocupada e sejam necessárias, também estas custam dinheiro. Na primeira vez que joguei acabei por desistir algures no final dos anos 70 porque um lançamento caro em que apostei muito não teve sucesso e tive muita dificuldade para recuperar.

Além disso ambém precisamos de criar e desenvolver uma base, com um mapa de construção de base muito leve, onde colocamos os vários edifícios. Alguns edifícios têm um efeito positivo se forem adjacentes a outros, o que dá alguma complexidade extra a um elementos de outra forma muito leve. Cada edifício custa dinheiro para construir e manter e deve ser pesquisado primeiro. O espaço disponível também não permite construír tudo e manter alguns edifícios quando as finanças complicam não é linear. A árvore de pesquisa tem três opções, missões, edifícios e veículos, e faz um ótimo trabalho de simplesmente delinear o que fazem. Apesar de sua mecânica baseada em turnos, temos muita coisa para ter em atenção que de vez em quando podemos perder muito tempo numa ronda. As próprias missões desdobram-se numa espécie de puzzle em que temos um número limitado de voltas para gerar os recursos necessários. Temos vários elementos que temos de equilibrar numa verdadeira conta de somar e subtrair interativa que parece mais simples do que é na realidade.

Mars Horizon tem uma interface muito bem projetada, muito limpa e nunca senti dificuldade em fazer nada no jogo. Uma campanha completa da Mars Horizon é um longo caminho, podendo demorar à vontade umas 20 horas de jogo. Os gráficos são limpos sem serem espetaculares, com os efeitos sonoros simples, mas agradáveis ​​e atmosféricos. O jogo não vai impressionar ninguém com sua aparência e sinceramente fiquei um pouco desiludido com algumas cutscenes dos marcos do jogo. Obviamente percebo que o orçamento não era de um jogo AAA, mas gostaria especialmente de ter visto melhores cutscenes. Não é um jogo também tão complexo quanto muitos dos outros jogos do gênero, mas isso lhe dá uma grande vantagem na jogabilidade e acessibilidade. Também não há modo multijogador, o que é uma pena, pois jogar uma corrida espacial contra amigos podia ter sido muito divertido.

Mars Horizon foi uma agradável surpresa para mim, que com o tempo foi ficando menos impressionante. A campanha longa é um ponto positivo, mas muitas missões acabam por parecer exatamente iguais. Além disso os puzzles que temos de resolver tornam-se aborrecidos em pouco tempo, ao ponto de ter optado por passar à frente 99% dos puzzles na minha segunda tentativa, fazendo apenas a última missão à mão. No entanto o jogo tem muito para ofececer e se são fãs do tema irão encontrar muito para gostar.

Tiago Roque

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