Análise: Sam & Max Save the World

Quando penso em aventuras point-and-click um dos jogos que me vem quase sempre à memória é a primeira temporada de Sam & Max da Telltale. Muito antes de a Telltale usar e abusar de licenças conhecidas como Guerra dos Tronos, Batman ou The Walking Dead, dedicou-se durante algum tempo a várias temporadas de Sam & Max e por muito que goste dos jogos que vieram depois e considerar até que a primeira temporada de The Walking Dead é o seu melhor jogo, a primeira temporada de Sam & Max ficou-me na memória, graças às suas personagens e puzzles que misturavam o óbvio, com inteligência e muita aleatoriedade no seu humor. Mas a história de Sam & Max vai bem além do trabalho da Telltale já que que esses jogos eram já por si uma tentativa de trazer de volta estas personagens que fizeram furor na era dourada do género nos anos 90.

Esta nova coleção remasterizada, pega nos seis episódios da primeira temporada do jogo e dá-lhe um novo aspeto HD. Cada um dos seis episódios é uma aventura independente, cada um com seu próprio enredo bastante maluco. No primeiro, Culture Shock, Sam e Max tentam descobrir mais sobre Brady Culture, um estranho personagem que está a hipnotizar um grupo de ex-estrelas infantis. O segundo, Situation Comedy, coloca os dois heróis num estúdio de TV para confrontar um apresentador. O terceiro, The Mole, the Mob and the Meatball, viaja até às profundezas do território da Máfia para tentar encontrar uma toupeira. O quarto,Abe Lincoln Must Die, coloca a dupla de detetives a viajar até à Casa Branca para investigar relatos de que o presidente foi hipnotizado. Por fim, no quinto episódio, Reality 2.0, uma nova tendência da internet está a hipnotizar a população mundial. Podem ver que o hipnotismo é tema central de todo o jogo.

Cada aventura tem grandes doses de loucura e cada uma leva cerca de 3 horas a concluír, dependendo da vossa experiência no género já que muitos puzzles precisam de alguns saltos lógicos. Esta versão remaster é bastante sólida, mas todas as melhorias foram projetadas para simplesmente trazer o desempenho do jogo aos padrões atuais e não criar algo realmente impressionante. Os modelos das personagens de Sam e Max foram melhorados e foi feito bastante trabalho na iluminação e aspeto geral do jogo, mas o estilo de arte original está praticamente inalterado. Tudo parece muito mais estável também, já que os jogos da Telltale não são propriamente um exemplo de estabilidade.

O áudio foi também melhorado e os diálogos deixaram de estar comprimidos como no jogo original, o que dá uma qualidade adicional a toda a experiência. Algumas vozes que não ficaram da melhor forma originalmente foram também alteradas. Se já jogaram antes, sabe exatamente o que esperar aqui, porque praticamente todo o jogo desde o diálogo aos passos que precisamos de seguir para terminar cada episódio são idênticos. A química entre as duas personagens continua fantástica mas não irão encontrar surpresas aqui. Eu gostaria de recomendar este jogo apenas a quem não jogou o original, mas dado que o jogo saiu à tanto tempo é mais do que provavel que muitos dos elementos pareçam quase novos e se jogaram apenas uma vez e têm boas memórias é uma forma ideal de voltar às personagens.

Esta é uma boa edição de um grande jogo e a um preço interessante. Se são fãs do género e não jogaram o original então é uma proposta excelente. Se jogaram o original vai muito depender da vossa vontade de repetir tudo novamente.

Tiago Roque

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