Análise: Demon Souls

Praticamente tudo o que fez de Dark Souls tão popular teve as suas origens no verdadeiro primeiro jogo “Souls” e esse jogo foi o original Demon Souls para PlayStation 3. Praticamente todos os elementos da jogabilidade tiveram origem aí, num jogo que é ainda considerado um dos melhores lançamentos da PlayStation 3. A dificuldade punitiva, o ambiente sombrio e um design de nível muito característico criaram o género “Souls-like” que além de servir de base para grande parte do catálogo da FromSoftware após o lançamento Demon Souls, já inspiraram o design de muitos jogos indie e AAA, como Star Wars Jedi: Fallen Order por exemplo. Desenvolvido desta vez pela Bluepoint Games, este Demon Souls é um remake do original que com a excepção de algumas melhorias em aspetos algo frustrantes do original, mantém inalterados praticamente todos os aspetos do jogo.

Este remake para PlayStation 5 é de Demon Souls uma bênção para aqueles que jogaram o original, que parecendo que não já foi lançado à 11 anos. Apesar de popular, este tipo de jogos ainda assusta muitos jogadores que não procuram uma experiência que parece focada em tornar o nosso tempo com o jogo miserável. Reduzir este título de lançamento como um mero remake de um jogo para PlayStation 3 é demasiado redutor para esta conquista surpreendente da Bluepoint Games. Este é facilmente o jogo mais bonito em qualquer consola hoje. Mais importante ainda, este Demon Souls apesar de ser um remake do original, é neste momento a melhor iteração do género. No lançamento original a ambição do design dos níveis foi prejudicada pela tecnologia. A névoa e a escuridão eram necessários para diminuir a distancia do orizonte, mas isso é algo do passado e  PlayStation 5 é mais do que capaz de mostrar zonas como o Valley of Defilement em todo o seu esplendor agora. O jogo consegue manter a atmosfera sombria ao mesmo tempo que consegue mostrar todas as paisagens dominadas pela escuridão mas belas à sua maneira.

 

Obviamente que há espaço para discordar com algumas decisões de design da Bluepoint, particularmente com certos inimigos que tiveram de ser algo refeitos por causa da fidelidade gráfica da PlayStation 5 e que os levou a perder algumas simplicidade que os polígonos da PlayStation 3 lhe trazia. Mas existem realmente apenas alguns exemplos que podem ser no máximo discutíveis e estão dispersos pelos cinco mundos do jogo que foram completamente revistos e recriados. Além disso o próprio Demon Souls original era um jogo oriental de inspiração ocidental, algo que obrigatoriamente vai ser ligeiramente diferente agora que temos mãos ocidentais a trabalhar no jogo. A Bluepoint Games criou o jogo ideal para o lançamento do PlayStation 5. Apesar do género Souls ser a obra mestre da FromSoftware, Demon Souls foi uma ideia da Sony e do seu estúdio Japan Studio. O género acaba por ser essencialmente uma criação original da Sony, antes de FromSoftware decidir lançar-se com toda a força com Dark Souls dois anos depois. Demon Souls é um jogo que exige atenção máxima dos jogadores aos seus detalhes, movimentos e ao sentimento que temos de cada arma e esta é uma filosofia de jogo que a Sony pretende nos exclusivos das suas consolas.

 

A realidade é que a sensação de jogar Demon Souls é ainda melhor já que  é aprimorada com o áudio 3D e feedback do nome comando DualSense. O gamepad agora imita o que as mãos da personagem sentem e quando bem implementado como neste caso é fenomenal. Isto é realmente algo que não me canso de repetir, por muito boa que a PlayStation 5 seja e é, é o DualSense a estrela da consola. Se a espada atingir um escudo de madeira, o SualSense vibra com mais suavidade do que contra escudos de aço por exemplo e quando a espada treme com energia mágica, o lado direito de seu controlador também treme. Cada barulho pode ser ouvido no controlador, tudo sincronizado perfeitamente com aquilo que vemos no ecrã. O nível de imersão que a Sony conseguiu nesta consola é fenomenal e mal posso esperar por jogos como Uncharted ou God of War tirarem verdadeiro partido da consola. Com os novos sistemas de audio até podemos sentir flechas a passar perto do nosso ouvido. É uma experiência como nunca sentimos antes num jogo Souls ou em qualquer outro. A grande aposta da Sony é que a nova tecnologia da PlayStation 5 será boa para criar este tipo de experiências e sinceramente acho que a Sony acertou em cheio.

As animações faciais e os novos remixes orquestrais são duas adições a esta versão. Enquanto que as animações podem não ter sido consensuais já que podem parecer um pouco exageradas, a música adiciona raros momentos de talento cinematográfico às batalhas contra bosses do jogo. As batalhas contra bosses continuam a ser um destaque do jogo, adicionando verdadeiros puzzles em forma de combate ao jogo. Graças ao disco da PlayStation 5 e toda a tecnologia desenvolvida para tornar os tempos de carregamento rápidos, Demon Souls é sublime, já que ao contrário de títulos posteriores do tipo Souls, Demon’s Souls é dividido em cinco regiões diferentes, em vez de um mapa universal, o que lhe dá uma estrutura clássica, mas graças aos carregamento super rápidos da PlayStation 5, o carregamento entre o hub e  cada região foi reduzido ao ponto de mesmo que tenham o café pronto à vossa frente vão ter dificuldade em parar para o beber.

O sistema de Demon Souls continua a ser essencialmente o mesmo. Vamos subir de nível, tentar não morrer muito e morrer na mesma e tentar de novo. O jogo em si é já um verdadeiro clássico e tem já o seu legado mais do que assegurado. A base que a FromSoftware criou e melhorou está aqui, mas o trabalho que a Bluepoint Games e que a PlayStation 5 tornaram possível faz com que este Demon Souls seja muito provavelmente o melhor jogo de lançamento de uma consola de sempre. O salto de qualidade entre a PlayStation 4 e a PlayStation 5 é mais do que visível aqui e os fãs do original vão ter aqui um verdadeiro sonho tornado realidade para jogar.

Tiago Roque

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