Análise: Dune Sea

Os videojogos têm a possibilidade de ser uma experiência completamente Zen e mesmo que nem sempre pareça óbvio, há algo bastante zen em jogos como Flower ou FloW. Dune Sea prometia ser algo parecido, pelo menos em espírito, mas o resultado é tudo menos isso, é uma experiência frustrante que fez mais do que tudo o meu sangue ferver.

Dune Sea é um jogo de aventura side-scrolling onde joga-mos como um pássaro que vai voando por vários ambientes. Existem diferentes obstáculos e podemos mergulhar e correr para os ultrapassar. Além dos obstáculos existem itens que ao recolher aumentam o nível de resistência, resistência essa que ao acabar nos faz cair. Além dos itens, podemos recarregar a resistência ao pousar em zonas especiais. Bater no solo ou num obstáculo mata-nos instantaneamente e leva-nos de volta para o último checkpoint, ou no modo zen presente também no jogo, simplesmente continuamos com um escudo a proteger o pássaro.

Não há nada de realmente mau em tudo isto, apesar de não existir muito para fazer, mas voar é divertido e pode proporcionar uma boa experiência. Por muito bom que voar no geral seja, voar em Dune Sea não é. Aqui voamos simplesmente para a direita e às vezes, há anéis para voar, alguns dos quais são bloqueados pelo número de companheiros que temos. Os obstáculos em Dune Sea são irritantes, e parecem desenhados para frustrar o jogador o máximo possível. Além disso o jogo parece focado em aborrecer o jogador até ao ponto de quase adormecer e só depois lançar intermináveis obstáculos.

Existe um modo Zen mas essencialmente faz com que não se possa falhar, mas que conta o mesmo vôo terrível. Ao bater no solo neste modo aparece um escudo à volta do passaro e que o lança para o ar novamente ou mantém-se até o pássaro estar em segurança. É um modo zen muito pouco zen e que apesar de não nos deixar “morrer”, é praticamente tão frustrante como o resto do jogo.

Dune Sea não é de todo um bom jogo, falhando em praticamente todas as métricas que fazem de um jogo, bem, bom. Não é divertido de jogar, não bonito de olhar, não oferece uma narrativa interessante e nem quando tenta ser uma espécie de wallpaper interativo funciona bem.

Tiago Roque

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