Análise: Nioh 2: The Complete Edition

A sequela de Nioh chega novamente às consolas e PC, desta forma numa edição completa que junta ao jogo base uma série de DLCs. Sendo Nioh 2 um jogo bastante próximo de um jogo Souls, é um pouco surpreendente ver que a PlayStation 5 tem na sua limitada gama de jogos dois jogos Souls ou três se considerar-mos o primeiro Nioh que também chegou à PS5 através da Nioh Collection, mas sendo um o fantástico Demon Souls e os outros os jogos da série Nioh, acho que ninguém se pode queixar muito.

Nioh e a sua sequela são ambos jogos para jogadores que não viram as costas a dificuldades. Nioh 2 é tão desafiante como o primeiro jogo e o combate é brutal e punitivo quando cometemos algum erro. Nioh 2 é uma sequela, mas funciona como uma prequela já que a história em si ocorre 50 anos antes. Apesar disso, Nioh 2 envolve essencialmente a coisa fórmula e temática, como o jogador a ter de combater grandes soldados da era Sengoku do Japão, assim como alguns demónios da mitologia japonesa.

Uma das diferenças é o protagonista. Enquanto que no original o jogador era um inglês que se tornou samurai, desta vez o jogador é essencialmente quem quiser ser já que este pode criar a sua própria personagem. Aqui é importante realçar a palavra essencialmente já que a nossa personagem é tecnicamente Toyotomi Hideyoshi, também conhecido como “O Grande Unificador do Japão” . É um pormenor que pode passar ao lado da vasta maioria dos jogadores, mas se tiverem algum interesse em história japonesa pode ser algo que vos faça alguma confusão. Confusão à parte, o editor de personagem é forte e o nosso trabalho em criar uma personagfem à nossa maneira não é deitado ao lixo já que podemos optar por ocultar capacetes e há muitos momentos de destaque da nossa criação.

Tanto na PS5 como no PC podemos jogar Nioh 2 num fantástico 4K e até 120fps desde que tenham hardware que suporte. Apesar de tudo isso, Nioh 2 não é um jogo de beleza estrema. É um jogo polido e nota-se a qualidade visual, mas não é um jogo bonito, contando com ambientes sem brilho e idênticos que seguem uns aos outros. A progressão é bastante mais linear no que na série Dark Souls por exemplo. A sua verdadeira força é ser um jogo de ação difícil e onde os reflexos e precisão são importantes. Ao contrário de muitos jogos onde podemos colocar tudo no máximo e apreciar a fidelidade visual e esquecer os fps, aqui é talvez o contário, dada a importância dos refrexos.

Cada inimigo que enfretamos parece um mini-boss por si só e requer alguma preparação e estudo antes de o atacarmos. Temos também que ficar alerta e gerir cuidadosamente o Ki da nossa personagem, o equivalente do jogo a um medidor de resistência e que se esgota quando atacamos, bloqueaos ou corremos. O que o diferencia de outros jogos Souls é que alguns movimentos que permitem por exemplo esquivar podem recuperar Ki rapidamente. Por outro lado, ao sermos atingidos quando não temos Ki deixa-nos vulneráveis a um golpe fatal. Felizmente Nioh 2 é um jogo justo e esta mecânica funciona da mesma forma para os inimigos.

Outro aspeto interessante de Nioh é que ocasionalmente encontramos um Reino das Trevas monocromático. Estas são semelhantes às poças escuras de Ki que alguns yokai deixam, exceto que afetam uma área inteira e não podem ser dissipadas por um pulso de Ki. Algo que possa não ser óbvio é que quando isto acontece numa batalha contra um boss é mais uma barreira a ultrapassar num jogo por si já muito difícil. Graças ao facto da nossa personagem ser meio yokai temos acesso a algumas das suas habilidades. É um conceito interessante e algumas habilidades são importantes, mas muitas das mecanicas não são muito úteis. A realidade é que a dificuldade que Nioh 2 tem obrigaria a sistemas mais simples. Nioh 2 é um jogo difícil que nos mantém sempre alerta e ao mesmo tempo pede-nos que nos lembremos de uma série gigante de sistemas.

Nioh 2 é um dos poucos jogos estilo Souls e de outra empresa que não a From Software que realmente faz algo realmente bem. É um jogo diferente com uma jogabilidade mais rápida e ainda mais punitva e que por vezes nos esmaga com sistemas. Mas há muito para gostar aqui e a versão completa é a melhor forma de aproveitar o jogo. NIoh 2 acaba por ser um jogo ideal se procuram uma experiência desafiante mas gratificante.

Tiago Roque

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