Análise: Monster Hunter Rise

A série Monster Hunter tem-se tornado aos poucos uma das mais populares para os jogadores, principalmente desde que os jogos deixaram de ser lançados principalmente para o público japonês. O jogo anterior, Monster Hunter World funcionou como um pequeno reboot da série, introduzindo muitas novidades que foram agora trabalhadas e melhoradas para este novo Monster Hunter Rise, um exclusivo temporário da Nintendo Switch já que no próximo ano chegará ao PC.

Apesar de eu dizer que Monster Hunter Rise é uma evolução de Monster Hunter World e refina algumas das mecânicas aí introduzidas, não quer dizer que tudo seja melhor em Monster Hunter Rise, mas há melhorias importantes que os fãs vão gostar, principalmente a mecânica dos Wirebugs que torna o jogo mais dinâmico. Simplesmente dando uma pontuação, algo que não faço, não podemos ignorar que Monster Hunter World é um jogo mais influente para a série.

Tal como Monster Hunter World, este novo jogo consegue cativar novos jogadores e veteranos, graças a uma boa mistura e equilíbrio entre novas mecânicas que constroiem sobre aquilo que os jogadores já conhecem e melhorias na acessibilidade e informação. Monster Hunter Rise não nos pega na mão e ajuda ao ponto se parecer que não fazemos nada como muitos jogos, muito pelo contrário. Este é um jogo desafiante como todos os jogos da série. No entanto, o jogo está constantemente a dar-nos informação. Existem algumas quests de treino e é sem dúvida por aí que devemos começar para nos habituar-mos à jogabilidade, mas aquilo que Monster Hunter Rise faz realmente bem é apresentar constantemente janelas popup com explicações de tudo o que vamos encontrando novo, da mais simples mecânica até aos complexos sistemas de equipamento do jogo.

Se jogaram Monster Hunter World no PC com tudo no máximo irão notar que Monster Hunter Rise não é de todo tão detalhado e bonito, mas temos de ter noção da capacidade da consola e tendo em conta o hardware, Monster Hunter Rise não deixa de todo de ser bonito. Além de bonito, este mais recente Monster Hunter também corre realmente bem, com tempos de carregamento quase inexistentes e sem quebras ou lentidão ocasional. Também a escala do novo jogo é menor do que a do jogo anterior. A nova aldeia é Kamura Village, um pequeno aldeamento de inspiração visual japonesa e a rodeá-la estão cinco áreas para explorar-mos e caçar.

As áreas mais pequenas de Monster Hunter Rise fazem com que chegar à ação seja também mais rápido. Espalhados pela vila temos vários NPCs que vendem tudo o que precisamos e também nos dão as quests que precisamos de fazer. É também apartir de NPCs que temos acesso a todas as funcionalidades online do jogo. podemos criar um lobby ou juntarmo-nos a um ou até convidar diretamente um amigo da nossa lista, não existindo necessidade de qualquer aplicação extra e externa para combinar as sessões de jogo. Tudo isto é um passo no bom sentido relativamente a Monter Hunter World e torna tudo mais rápido e simples. É também muito rápido recolher itens para sets de armas e armaduras avançados já que cada quest demora 10 ou 20 minutos a terminar, mesmo que tenham na maioria das vezes um limite de 50 minutos.

Como referi acima, uma das mecânicas mais originais e importantes de Monster Hunter Rise é a mecânica dos Wirebugs. Estes bichos coloridos mudam realmente o jogo, tornando a movimentação mais rápida e no geral o jogo mais dinâmico. Podemos usar os wirebugs para deslizar pelo mapa, subir montanhas ou simplesmente atravessar grandes zonas abertas. Esta mecânica pode demorar um pouco a dominar, mas assim que lhe apanhamos o jeito, quase que baseamos todo o nosso movimento nesta mecânica. Correr para uma parede também nos permite escalar paredes, pelo menos enquanto a nossa energia deixar. Mas há algo de realmente gratificante em subir uma parede e lançar um ataque lá do alto num monstro.

Os mapas estão cheios de penhascos e montanhas que podemos escalar utilizando esta mecânica. Espalhados pelo mapa tenho criaturas que nos dão todo o tipo de buffs, como mais dano no ataque ou um extra na defesa. Os Wirebugs que são tão úteis para o nosso movimento também são extremamente úteis no combate, com os vários tipos de armas do jogo a terem uma série de habilidades que utilizam as pequenas criaturas para infligir um dano crítico nos monstros. Além de realmente úteis, estas habilidades alimentam a nossa curiosidade e incentivam-nos a experimentar as várias armas do jogo, algo que podemos fazer com mais facilidade com as quests mais rápidas de Monster Hunter Rise.

Algum do facilitismo introduzido em Monster Hunter World está de volta. Podemos afiar a nossa arma sem limites e podemos ativar o crafting automático para criar automáticamente alguns itens mais úteis como poções. Também os monstros são bem mais acessíveis do que nos jogos mais antigos da série, o que é bom para os jogadores novatos e não sacrifica os veteranos já que estes continuam a ter quests complicadas nos rankings mais altos. Também não precisamos de seguir pegadas por exemplo, já que os monstros se encontram marcados no mapa e mesmo alguns elementos do combate ajudam a tornar o jogo mais acessível, como a possibilidade de com alguma facilidade recuperar de um ataque.

Mesmo que a dificuldade tenha diminuído até um pouco relativamente a Monster Hunter World, há muito para gostar em Monster Hunter Rise. É um jogo complexo, com muitas opções e possibilidades e tudo aquilo que descrevi apenas abrange a superfície da jogabilidade. Temos itens para atraír monstros, temos armadilhas, podemos montar um montro para atacar outro ou para o lançar contra uma parede e infligir dano crítico. Podemos capturar os monstros em vez de os matar e assim recolher outros itens, seguindo uma série de procedimentos que permitem a captura em vez da morte. Há muito para explorar e aprender e mesmo com alguma simplificação não há como negar que muitas das alterações funcionam muito bem.

Monster Hunter Rise não atinge o mesmo patarmar de Monster Hunter World e a expansão Iceborn, mas é um jogo muito bom, com muitas novidades para a série e talvez o mais apelativo até agora para novos jogadores da série. Se nunca jogaram um Monster Hunter mas têm curiosidade esta é a melhor porta de entrada que têm e este será sem dúvida um dos jogos mais jogados na Nintendo Switch no futuro próximo.

Tiago Roque

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